O que é CATIMBÓ? com MESTRE LUCAS
Novamente é um prazer uma honra convite do bàbá Mário estar aqui falando sobre Jurema
que é algo que realmente me excita falar, eu venho numa cidadezinha do interior da Paraíba
chamada Alhandra que para muitos é o berço da Jurema Sagrada historicamente é dali que
começa as maiores concepções maiores famílias de Catimbó assim como o Candomblé assim como
algumas religiões de terreiro, A Jurema descende de famílias né e de concepções
de tradições então Alhandra ela pega o viés da Concepção do começo do que se passa de pajelança
para o que nós conhecemos hoje como Catimbó ou como comumente chamado de Jurema Sagrada né é
muito comum as pessoas ah eu sou da Jurema Sagrada e pode causar a confusão para quem
não conhece de fato o culto porque Jurema é apenas uma das plantas ou das concepções
sagradas que nós cultuamos dentro do Catimbó né, Jucá, Aroeira, o junco a própria jurema
e várias outras plantas do nosso do nosso Nordeste fazem parte desse universo místico
que é o Catimbó concepção que migra das aldeias indígenas com a catequização forçada dos índios
e vai para cidade para o meio civil tendo suas modificações é claro para que pudesse
se adaptar e para que a gente continuasse cultuando o que nós chamamos de Encantado
concepções como o Cruzeiro como cachimbo como a própria tronqueira que seria um resquício
um pedaço do tronco da jurema e é muito comum dentro dos terreiros de Catimbó hoje em dia,
mas aí temos que pegar do começo da tradição do começo de Como surge o Catimbó né dentro
das cidades com a perseguição né era uma perseguição desenfreada e devido
essa perseguição muitas práticas tiveram que ser modificadas para se esconder no meio da cidade,
conhecemos a jurema de mesa que era uma concepção que usava para se enganar a volante na época onde
dois juremeiros sentavam cada um na ponta da mesa colocava uma taça um príncipe como é comumente
chamado e uma sineta ao invés de Maracá a sineta servia para abalar o Encantado para servir como
extra dissonoro e se devido alguma denúncia alguma perseguição a volante adentrasse aquela casa nada
poderia comprovar a prática de bruxaria, ou prática pagã como era considerado o Catimbó
porque haveria apenas dois copos uma mesa e a sineta que era usada naquela época para que
servisse a comida mesa E então havia uma forma de se camuflar nesse meio a Jurema de chão que era
feita adentro da Mata não usava Maracá ou quando se usava altas horas da noite somente o Maracá e
a palma da mão foi outra forma de se esconder da volante e mesmo estando no meio civil dentro da
cidade eles adentravam a mata para cultuar dessa forma aí e não ser pego porque a represália da
época não era somente a prisão, muitos juremeiros foram mortos foram espancados até a morte e também
era negado Socorro em hospital e e também eram proibidos de ser enterrado no cemitério então
Alhandra ficou conhecida como ah Alhandra tem o cemitério dos Mestres, na verdade não é isso é uma
verdade Profunda o que acontecia muito dentro de Alhandra é que quando juremeiros eles morriam eles
eram enterrados no que eles tinham de propriedades em casa no quintal na lavoura e para que não
ficasse perdido a demarcação do local onde aquele ente querido foi enterrado se plantava um pé de
Jurema em cima como demarcação como forma de marcar aonde o meu ancestral foi enterrado
também com uma analogia de que a árvore plantada em cima seria futuramente um portal para que eu
tivesse acesso a aquele ancestral, estamos em um culto onde vemos que Árvores Sagradas são portais
para cidades espirituais logo o se eu planto Uma Árvore Sagrada em cima de onde um ancestral meu
foi sepultado, futuramente aquela árvore será de acesso ao meu ancestral então muito comum
em Alhandra numa localidade vizinha chamada Estivas as famosas cidades de Jurema, seriam
vários pés de Jurema que compõem a cidade cada um batizado consagrado para um encantado, para
um mestre e em algumas situações eram Encantadas e consagradas com mestres enterrados debaixo dela,
a última cidade de Jurema que faz parte no município de Alhandra é a que a minha
avó deixa minha avó falece na década de 80 né e deixa a última cidade de Jurema o pé de Jurema
mais novinho lá tem 22 anos e os mais antigos tem mais de 77 Então são hoje 11 pés de Jurema seriam
14 mas três foram ceifadas de forma criminosa e hoje nós resguardamos o último espaço histórico
que resguarda pé de Jurema e concepções da Jurema antiga do Catimbó da era vocais que
é outra controvérsia hoje dentro do culto outra concepção que se perdeu bastante porque a família
ela se esvai família carnal sanguíneo e quando pegamos um viés de todo esse preconceito de tudo
isso que a Jurema passou de toda essa perseguição aí começa às modificações para que o culto pudesse
chegar hoje aqui como estamos falando até dez anos atrás era quase impossível você vê alguém falando
de Jurema de forma tranquila, ter pessoas querendo escutar sobre Jurema isso era quase que impossível
e dentre todas as modificações a Jurema começa a partir do espaço aberto da própria natureza
para dentro do salão pra dentro de uma casa e como vamos cultuar árvore agora? Já que somos proibidos
de ter ela né quem plantava um pé de Jurema a polícia ia lá e obrigava a cortar, Então como é
que eu vou cultuar meu encantado agora? E aí foi quando houve a toda modificação dentro do culto
e o que seria uma árvore virou um tronco dentro de alguidar e tivemos que dentro
da nossa Sapiência procurar um meio de dar força aquele pedaço de tronco e dar significado aquele
pedaço de tronco de dar fundamentação aquele pedaço de tronco né então novamente a Jurema
passa por essa modificação até chegar o que nós conhecemos no momento que é Jurema de toque que
é o toque é batido é uma concepção nova de Jurema porque antes não somente em Paraíba
como em todo nordeste existe a proibição do toque do ilú, seria o tambor ritualístico mais comum
e utilizado dentro da Jurema então um toque do Ilú da mazuca, ela era proibida então nós
conhecemos muito a Jurema de mesa e a Jurema de chão e com o passar do tempo o toque, foi
começando a se adentrar nesses espaços e salões e a genteHoje é a forma mais conhecida de Jurema
eu consigo aqui reconhecer um irmão que também é da Jurema e também pratica Jurema de uma
forma tradicional e também faz um trabalho que importante que é de levar a Jurema dentro das
das redes sociais que é expor a Jurema inclusive parabéns pelo trabalho então hoje a Jurema passa
novamente por outra transformação que é de passar de uma tradição que passavam todo seu conhecimento
somente de forma oral e hoje ela precisa ela tem a necessidade de pegar toda essa estrutura
de conhecimento e jogar de uma forma científica para que fique de fácil entendimento para que seja
estudado dentro de universidades para que seja fácil entendimento em cursos e palestras porque
é uma tradição muito rica é muito rica não tem como a gente remeter ao nordeste quando a gente
fala de Jurema quando a gente fala da forma que o Nordeste se veste e como come como fala, dos
costumes da bebida que é usado em meios culturais com o nosso quentão que é usado dentro do nosso
São João e é uma das bebidas mais comuns dentro da Jurema que a nossa bebida de salão né então
todas essas tradições do Nordeste e Jurema elas Se fundem muito forte e não tem como a gente falar
de um sem se misturar né depois de todas essas adaptações hoje ainda passamos por mais algumas
e aí pegando do contexto de que eu nunca posso deixar de falar que da minha tradição da tradição
de Alhandra ela é quem fortemente me ensinou todo essas práticas de sobrevivência né hoje eu tô
fazendo oito dias que eu tô em São Paulo seis sete dias eu já perdi até as contas e até pouco tempo
muitas pessoas não viam falar em Jurema Sagrada aqui em São Paulo hoje é algo muito mais aberto
hoje é algo muito mais falado, Por que a Jurema era muito arredia as pessoas o Bàbá Mário teve a
a oportunidade de ir para Alhandra e ele viu com os próprios olhos ele sentiu que a Jurema que lá
é praticada ela é muito fechada ela se prende bastante, as pessoas têm medo de abrir suas
portas porque não sabem o que vão esperar Então hoje eu tento por fazer parte dessa Juventude
mesmo tendo nascido num berço de Jurema a minha avó foi a mestra Jardecilha a mulher que
revolucionou dentro de Alhandra, foi a primeira tocar um ilú porque era proibido ela foi a
primeira mulher dentro de Alhandra a tocar o ilú a tocar o tambor de Jurema, era proibido na Paraíba
o culto foi liberado na década de 60, só então pouco tempo atrás Então ela conseguiu levar essa
frente então foi uma mulher que com cinco anos de idade teve sua primeira incorporação que na
época era algo anormal era algo de outro mundo e aí sofreu preconceito foi perseguida foi dada como
louca até que um mestre chamado Manoel Severo um homem juremeiro da época que chegou a casa
da minha bisavó e disse bem eu tenho que informar que sua filha não é louca por mais que a sociedade
impõe isso, e eu lhe peço toda a licença para cuidar de sua filha e na época minha bisavó não
tinha outra escolha não tinha mais o que fazer e queria que a filha voltasse sã né porque para
época mediunidade de incorporação era a algo de insanidade está ligado da insanidade até mesmo a
possessão de algo ruim e foi passado essa doutrina minha avó com 12 anos de idade ela já tinha
percorrido os caminhos E trabalhou unicamente e exclusivamente para Jurema até o último dia
de sua vida trabalhou sempre para Jurema não fez nada além disso foi conhecida internacionalmente
nesse meio mas era uma mulher analfabeta não sabia escrever não sabia ler mesmo assim revolucionou
dentro do que ela pode dentro do culto levantou, ergueu uma cidade de Jurema Manteve de pé cultuou
até o último dia de sua vida e deixou esse legado para gente então quando eu nasci essa
tradição já estava na família muito tempo todo essa prática tinha sido herdada pela minha mãe
que foi a sucessora, e aí eu logo cedo vai ver a frente eu estou com 26 anos já tô quase dez anos
na frente da casa e juntamente com a minha mãe e é o que nós fazemos Catimbó, queimar mato o ato
de queimar mato uma palavra tão simples mas que no nosso cotidiano Ou pelo menos no entendimento da
maioria é algo negativo quando falamos de palavras como macumba como Catimbó sempre tem uma conotação
negativa em torno Mas aí o tupi-guarani que quer dizer queimar mato quando europeu chega até as
aldeias e vai catequizar os índios estão fazendo uso do cachimbo se pergunta o que seria isso,
Catimbó, estamos queimando mato, erva cheirosa logo tudo que não era cristão
tudo que não estava mediante a ensinamento da Igreja Católica era prática pagã então
Catimbó É algo ruim Macumba é algo ruim e isso foi passando os anos e foi sendo colocado na
sociedade como algo ruim e hoje uma palavra tão simples da nossa língua originária Tupi
e quer dizer queimar mato pode se explicar em pouco tempo então eu particularmente adoto o termo
catimbozeiro e Catimbó na minha religião porque dentro do nosso culto é impossível ou basicamente
99 por cento de todas as práticas vai o uso da fumaça e do fumo e das Ervas do sangue das Ervas
não tem muita lógica esse cortado esse termo é necessário que a gente estude e vai a fundo para
que entenda como eu expliquei Jurema Sagrada é o nome comum da placa do Catimbó mas não teve só a
jurema como Árvore Sagrada ela pode ser e é uma das mais conhecidas dentro do culto do Catimbó
mas não é a mais não é mas o mais importante é não vamos desmerecer as outras para colocar a jurema
como árvore central do culto né a conotação de Jurema por ser tão importante no culto era
devido o seu vinho o vinho o enteógeno que causa o transe dentro do culto até mesmo nas aldeias
vem da raiz da Jurema preta que as pessoas até associam erroneamente que Jurema preta e Jurema
branca é porque uma faz o bem outra faz o mal, é só pela concepção e a condição de sua casca é
a jurema-preta tem uma casca Mais Escura mais grotesca e Jurema branca ela mais esguia mais
fina ela tem uma duração de vida menor a semente dela é diferente a flor dela diferente a base da
semente dela diferente e o uso litúrgico dela é diferente não se extrai vinho da Jurema Branca
se quer se consegue fazer um cachimbo com a Jurema Branca porque é uma árvore que não tem tronco
muito grosso a sua madeira depois de seca é fofa já Jurema preta não, a Jurema preta uma árvore
que cresce bastante tem bastante espinho tem uma condição de Casca Grossa onde é que é possível
retirar essa casca e fazer Inúmeras coisas desde banho de remédio medicinal né então fazer essa
alusão de Jurema branca e Jurema preta de uma forma erronea lembrando também que há vários tipos
que ácacia, vários tipos de Mimosa no nordeste pernambucano no sertão Pernambucano conseguimos
pegar um tipo de Jurema preta que é totalmente diferente da Jurema preta que conhecemos
em Alhandra, então vejo até pessoas aqui de São Paulo que me manda mensagem Lucas eu encontrei
um pezinho de Jurema na Mata e quando você vê é uma ácacia de fato é uma Mimosa mas não é de fato
a Jurema preta, ela tem uma base de semente mais fina, quando Seca tem uma coloração amarronzada e
é pequenininha essa semente bem pequenininha essa semente que comumente nas tradições em algumas
se vai na pele do discípulo uma firmeza de força para o corpo para que ele consiga ter força para
receber o encantado que vai ser destinado a ele dentro da espiritualidade né então pra não fique
muito extenso eu gostaria de ouvir um pouco vocês se tem alguma dúvida eh eu nunca mais tiver alguma
dúvida de princípio sobre e esse primeiro aspecto sobre Jurema sobre a questão da perseguição
sim ela tem o dmt na sua composição de sua raiz não na sua casca mas na composição de sua raiz ela
tem dmt em grande quantidade e devido a prática que é feita nas aldeias o pajé ele escolhia a dedo
algumas pessoas que ele via que espiritualmente estava apta para tomar o vinho né E essa beberagem
era feita e dentro de Espaços fechados dentro de uma liturgia onde houvesse uma proteção espiritual
ele ofertava ao discípulo o vinho, logicamente no processo de jejum até para aquela substância fosse
absorvida mais facilmente pelo organismo E aí ele sim começava a entrar em transe esse transe era
para que ele fosse até os ancestrais e trouxesse informações informações sobre sobre erva sobre
magia sobre enfim inúmeras situações e o pajé que estava acordado e que não fazia o uso estava
ali para que se aquele transe fugisse do controle ele conseguisse retornar aquele discípulo daquele
transe hoje costumamos ver pessoas que usam ou de forma aleatória tentam fazer ou elaborar o vinho
de Jurema algumas misturam um monte de coisa e fazem isso mas isso fere o sentimento religioso,
não é tomado de uma forma recreativa há uma condição espiritual há uma motivação você
se propõe a tomar mediante a visão do seu mais velho, do seu Cacique do seu ancestral você toma
com o propósito de estar ligado ao sagrado não é simplesmente assim ah vou tomar ah vou fazer
Será que eu tenho a condição de fazer? Será que o meu mais velho me dá condição de fazer? Este vinho
será que está mediante a fim a minha tradição familiar? Eu vejo pessoas hoje em que ensinam
fazer o vinho de uma forma que é fervida a raiz, na minha tradição o vinho não se ferve em algumas
concepções de Aldeia, imagina Brasil 1500 chegada dos europeus, a prática da pajelança os índios já
estavam no Brasil a Jurema já existia e toda essa pratica já existia, não tinha condição de ferver,
de panela, o vinho era a raiz era retirada era macerada e ela entra no processo de fermentação
natural, eu não sei se alguém aqui já bebeu o vinho de Jurema mas o vinho quando ele está dentro
da garrafa ele fermenta cria uma nata Branca por cima e o gosto dele é altamente amargo é então
ele cria um processo de fermentação natural e era daquele processo após aquele processo,
concepção espiritual que se tomava e fazia, hoje as pessoas misturam,
Hoje nós temos a condição de estudo sabemos que Ayahuasca, raiz da Jurema são enteógenos
e causam o transe Mas está dentro do conceito espiritual é bem diferente então basicamente
o batismo da Jurema ele nasce é uma tradição que nasce com a catequização forçada só que a
sapiência indígena era muito baixa, para mim eu acho que é uma das coisas que mais me encanta
dentro do culto, o indígena ele é obrigado a se batizar é toda aquela concepção batismo Cristão
que todos nós conhecemos, água benta não sei o que te batismo nome de Deus então foram forçados
a essa prática e nós absorvemos essa prática, o indígena mais velho era obrigado era passado
para que ele batizasse os outros índios Em Nome de Deus então daí eu vou batizar mas eu vou batizar
mediante o meu entendimento eu não vou usar água benta eu vou usar o sangue das ervas vou usar o
sumo verde as ervas sagradas que eu tenho eu vou usar e eu não vou dar hóstia nem pão nem vinho eu
oferto meus ancestrais com a fruta com a caça com as raízes Então é isso que eu vou ofertar
e aí eu vou fazer eu vou batizar o meu discípulo eu vou batizar o meu irmão de
Aldeia e aí que nasceu batismo de Jurema né hoje muito mais moderno hoje nós recebemos o cachimbo
lavado no nosso batismo hoje nós Recebemos um fio de conta mais fininho para nossa proteção
Recebemos um príncipe que é aquela questão de estar ligado a ancestralidade, da clarividência,
da vidência, antigamente não tinha isso mas enfim foi essa condição de batismo que veio
forçado em cima da Aldeia e o índio com a sua Sapiência ele coloca a seu favor
eu vou sim batizar o meu discípulo mas com as ervas sagradas que abençoam o corpo dele,
pra sacralizar o corpo dele de uma forma que ele tenha forças espirituais. Não é vinho nem pão,
é peixe é fruta é mandioca é batata é inhame é milho vamos ofertar os nossos ancestrais vamos
convidar os nossos ancestrais para que na hora que esse discípulo esteja batizado todos os
ancestrais estejam presentes e abençoem ele na caminhada espiritual dele, dentro depois desse
contexto de batismo o discípulo tem toda a sua caminhada de desenvolvimento mediúnico de conhecer
sua espiritualidade sua ancestralidade, mestre, mentor, caboclo enfim ele vai,
o dentro do caminhar da Jurema passar pela consagração que seria estar consagrada ao caboclo,
a um ancestral primordialmente da jurema, hierarquia maior dentro da Jurema são índios,
os caboclos e depois vem a corrente mais contemporânea que seriam mestrias, espíritos
contemporâneos que Independente de sua vivência ou condição de vida estão dentro da Jurema para
nos trazer conhecimento a Jurema é diferente da Umbanda que classifica baiano, caboclo, vaqueiro,
na Jurema não né mas ela tem a mestria dentro da mestria nós temos cangaceiros nós temos médicos
nós temos Jangadeiros nós temos benzedores nós temos raizeiros nós temos feiticeiros nós tivemos
cangaceiros que comumente a história escutamos falar como o próprio Corisco como Pilão Deitado
e vários outros, Zé faísca, algumas pessoas já houve histórias e relatos de trabalhar com o
próprio Lampião com a própria Maria Bonita Então são espíritos do Nordeste que foram
através de toda sua Sapiência toda essa ciência acordado dentro da tradição da jurema e hoje
trabalha, pra chegar a condição de tombo, hoje é muito complexo de falar de tombo porque cada
tradição tem sua visão de tombo, o tombo que seria dentro da tradição de Alhandra? Uma prática comum
e frequente, o que conhecemos de tombo hoje na jurema atual é uma prática que diz socialmente
que aquele discípulo está pronto e apto para cuidar de outros espiritualmente,
que nem sempre é uma verdade ele pode sim se predispor a ter a viagem astral do Tombo mas
um tempo é da espiritualidade ele pode não ver nada ele pode não galgar nada e como
alguém que não galgou algo espiritual seu, está apto a cuidar do espiritual dos outros?
Bom então atualmente o tombo dá uma condição social para que você seja um Juremeiro, tenha a
sua casa tenha seu povo tenha a liberdade de fazer suas práticas de fundamentos dentro da tradição
mas não quer dizer que você realmente está apto espiritualmente, socialmente sim, na tradição de
Alhandra o ato de tombar era feito com o uso do vinho e ao menos dois ou três juremeiros de sua
confiança você iria para debaixo do pé de Jurema colocava uma esteira, estava em jejum espiritual
isso está ligado a abdicação sexual ao consumo de álcool ao consumo de crustáceos, de carne
de porco de práticas negativas de bruxaria então eles entravam em uma questão de retiro
espiritual e deitavam e faziam uso da beberagem e estavam ali com dois ou três ou mais juremeiros
ao redor emanando energia cantando vibrando até que ele entrasse num contexto de transe e
viagem espiritual, e ao retornar dessa viagem ele relatava o que teria visto ou não visto,
podia ter visto muita coisa ter absorvido muita coisa ou não. Então essa prática para conhecer
a espiritualidade era frequente, o juremeiro tá fazendo isso sempre sempre sempre sempre sempre
para que ele dissesse assim eu hoje eu conheço meu mestre, meu mestre foi la de não sei da onde lá de
não sei das quantas ele vem de tal ciência ele passou isso aparência dele era essa e hoje por
essa história dos mais antigos se conta, no ato do seu tombo você vai ver quando ele nasceu onde Ele
viveu onde ele morreu aí o que ele fazia como ele era, e nem sempre é verdade a pessoa as vezes não
consegue ter essa viagem astral até pelo contexto mediúnico, não é todo mundo que tem a facilidade
da projeção da viagem hoje a prática do vinho, da beberagem, se perdeu então não tem essa facilidade
de colocar uma pessoa através do vinho para ter essa viagem astral hoje é muito mais difícil
e hoje a viagem astral do Tombo ela é muito mais difícil, muito mais,
mas basicamente explicando o tombo hoje seria se predispor a uma viagem espiritual
e no término da sua viagem espiritual você vai relatar ao seu sacerdote O que você viu
e isso vai ser avaliado espiritualmente por ele que é seu mais velho e em seguida você receberá
e será apresentado a sua irmandade a sociedade como juremeiro uma pessoa que respeitou a sua
hierarquia Espiritual do princípio até o término e cumpriu todas as etapas que você deveria ter
passado para ao menos ter segurança de levar a espiritualidade de outras vidas à frente,
é de cuidar, de zelar de entender o que é um Encantado de como tratá-lo e como doutriná-lo,
como doutrinar um discípulo de como tratar um discípulo de como agradar a espiritualidade e
a ancestralidade, então tudo isso basicamente na nossa tradição atual isso eu falo de uma
forma geral de Jurema você vai receber no ato de seu tombo, mas a diferença de juremeiro ou
de batizado para Tombado é gritante, o que não muda seus deveres mas a diferença é gritante.
Tudo isso agregado ao nosso culto, quando a Jurema parte de sua concepção de aldeias,
vem para Cidade essas práticas começam a ficar muito forte muito forte muito forte,
quando chega a concepção de mestria que como eu falei só espíritos mais contemporâneos,
são espíritos que você consegue ter uma identidade
até pra nossa vestimenta é difícil chegar aqui com um cocar uma lança uma Maraca na mão,
então beleza respeito mas a nossa identidade é mais próxima ao cara que chega com Chapéu na
cabeça que bebe que fuma que fala um linguajar mais despojado, uma mestra que tem uma concepção
de sexualidade mais aflorada que fala de uma forma mais doce mais irreverente mas brincalhona então
há uma concepção de atração por esse tratar, por essa forma por essa ritualística por essa forma
de se apresentar E aí como o irmão tem falado aqui hoje dentro das práticas de Jurema o público
quando vê essas formas se apresentando no ato da incorporação eles entram num estado de Euforia
entra num estado de Euforia quando ele vê toda aquela ritualística toda aquelas coisas aquela
vibração aquele toque aquele canto ele entra em Estado De euforia isso se espiritualmente
Não tiver o controle sai do controle e o que era uma reunião espiritual acaba sendo uma diversão
para os civis que vieram prestigiar que vieram ver isso é um problema que nós juremeiros enfrentamos
muito hoje porque as pessoas quando adentram a uma ritualística como essa às vezes ela num
Estado De euforia elas acabam extrapolando um pouco e infelizmente alguns sacerdotes também
tem extrapolado nesse mesmo pra que essa forma seja com Vida Ativa para que atraia pessoas ao
meu ver de uma forma negativa porque trata jurema como um meio de atrair a facilidade, banaliza até
mesmo a questão da beberagem dentro da Jurema a bebida alcoólica cachaça tem sua fundamentação
para os encantados mas em alguns locais é servido como uma condição Recreativa de convite e de bem
tratar os consulentes os visitantes que dentro de algumas tradições não é bem visto e causa
essa confusão desenfreada das pessoas tratarem O terreiro de Jurema as vezes até como uma
festa né. Porque eu sei que vai ter toque e vamos cantar vamos bater palmas vamos dançar
e vamos beber E aí toda aquela introdução indígena morre porque a presença do Caboclo Ela traz uma
serenidade, uma seriedade uma informação indígena que não é Atrativa A Pisada do Caboclo a forma do
cabelo que se expressar a forma do Caboclo se apresentar a forma do Caboclo saudar as pessoas
a forma do comportamento social do caboclo na gira no terreiro não é nada atrativo,
não é atrativo Então as pessoas hoje acabam passando por cima dessa ritualística do
Caboclo o saudando brevemente porque é até uma afronta não saudá-los já que
dentro da hierarquia de ancestralidade, eles que vem primeiro não há como eu citei isso no
convite anterior do Bàbá Mário e cito novamente Não tem como nenhum de vocês aqui seja branco,
preto dizer que não tem uma gota de sangue indígena é impossível, é impossível dizer eu sou
brasileiro mas não tenho uma gota de sangue, foram os indígenas que foram e são donos de nossa nação
é a nossa ancestralidade primordial então não tem como a gente falar de Jurema enquanto sanguíneo,
e não relembrar que é minha ancestralidade primordial lá do princípio são os índios,
mas hoje em dia as pessoas ignoram, modificam suas práticas diminui sua ritualística para que
seja asseverado essa condição mais atual porque é mais atrativo e falando de uma forma até de ego
é bem melhor eu trabalhar com espírito que eu me identifico com ele, que ele bebe que ele fuma que
ele brinca que ele dança, que ele se veste bem ou Particularmente eu acho que ele se veste bem que é
outra discussão que dentro da Jurema eu tenho levantado bastante é a questão da vestimenta
eu vejo mestras e Mestres que em vida não tiveram a condição social de usar um terno
por exemplo ou de usar um vestido armado com luvas com gargantilha com pulseiras,
não tiveram isso, é uma construção social Europeia no Brasil não deu, não se caiu então eu vou citar
Maria do Acais é uma mulher índia década de 30, Maria do Acais morreu em 1934, então imagina uma
mulher que falece em 1934 Vamos colocar a década de 30 imagine uma mulher do interior da Paraíba
de uma cidade que hoje tem 22 mil habitantes, uma mulher que estava locada numa área indígena
e Rural e se apresentar hoje espiritualmente com vestido rodado com peruca com luva, foge
totalmente da construção social desse encantado na época, logo se eu coloco essa indumentária essa
vestimenta sobre esse Encantado eu o desmereço socialmente, a sua história e estrutura e eu
automaticamente vou estar passando uma identidade inexistente para ele, para aqueles que vão ver,
e novamente estou ferindo o ancestral eu estou impondo a ele mas uma vestimenta uma
indumentária que não fazia parte dele é a mesma coisa que dá uma chupeta a um homem de 35 anos,
isso não me serve, Maria do Acais diria que nunca me serviu Então hoje é muito
comum isso dentro da Jurema Eu trabalho com um guia espiritual trabalho com dois
guias espirituais dentro da concepção de mestria, Mestre Canito e o outro se chama Benedito fumaça,
Canito foi um jagunço homem do Sertão firme, bruto de uma época difícil,
adentrou alguns bandos de Cangaço e desertou então imagina a estrutura social que esse homem traz,
Benedito fumaça foi maquinista de trem, comandou uma capita como ele gosta de chamar de Rio
Grande do Norte até Mata Norte de Pernambuco cruzava de Rio Grande do Norte Paraíba até
Pernambuco então é um homem que dentro do seu trabalho dentro do seu ofício, exigia coragem,
Benedito fumaça em inúmeras situações precisou ser um homem fora da lei
ele ia contra os saqueadores era muito comum na época colocar pedaço de Tronco para desviar o trem
para descarregar o trem e o trem ser saqueado, então quando ele via isso ele ele tinha que ser
homem muito corajoso na época e isso é fora da lei infelizmente Em alguns momentos precisava matar,
tinha que matar, precisava lutar, há relatos que o Benedito fumaça algumas pessoas falam
né os mais velhos falam que tinha matado índio, pela sua capita que ele tanto amava
então são histórias e mostram e demonstram a construção social de um homem desse,
eu trabalho com Benedito fumaça hoje eu posso dizer que estruturalmente eles não
é um homem nada sociável, é bruto e firme suas palavras, tem costume comum de ingerir o álcool
ou cachaça porque era um recreação para homem que tava ali de dentro da locomotiva, de como
viveu de como se comportou do que ele achava que era correto do ensinamento social mesmo hoje a
gente tem muito que aprender com eles, e eles conosco mas que eu separo para prestar atenção
na construção desse homem Mestre Canito ele não trabalha comigo com camisa regata e bermuda
e uma vez questionado meu irmão questionou Porque ele disse na minha época isso era samba-canção,
era cirola, o homem estava de cueca para gente agora então ele veio com uma forma de desrespeito
para com ele para com as mulheres no recinto, uma coisa que para nós é simples hoje, a bermuda
regata, ele diz que a regata o que nós usamos hoje era a camisa debaixo da camisa de botão
Você pode dizer, ah não isso é só besteira trabalhar de bermuda é besteira mas
para a condição dele enquanto encantado que volta com todos os trejeitos costumes da época
isso é uma afronta ele está de cueca e está desrespeitando a ele e as pessoas ao local,
então eu enquanto o discípulo sabendo da condição social dele tenho que respeitar
Ótima pergunta, dentro da Universidade Federal da Paraíba eu estudava ciências das religiões e
fui convidado Uma Vez pelo departamento de neurociências do comportamento para estudar sobre
o DMT e logicamente abracei causa e fui estudar, o vinho da Jurema quando em estado de fermentação
ele consegue ativar naturalmente o DMT, só que o uso ou melhor o efeito do DMT encontrado no vinho
da Jurema, ele é muito rápido no nosso corpo não seria um transe de no máximo três quatro minutos
por isso que outras dosagens eram dada pelo Pajé para que o transe do discípulo fosse satisfatório,
a arruda da síria ela é colocada no vinho da Jurema para que o efeito seja prolongado
potencializado. Então as pessoas encontraram um meio, Porque aí vamos prolongar o transe o
efeito químico do DMT vai ser prolongado nosso corpo e aí o que eu acabei descobrindo na época
alguns químicos pegaram o DMT e transformaram em cristais, cristais de DMT isso foi feito
uma forma ilegal e estudamos na época sobre isso que pessoas que fizeram uso do Cristal do
DMT no cachimbo com fumo preto e o DMT foi tão forte tão concentrado que queimou os neurônios
de uma condição de que não não conseguiram se regenerar então foi um dano mental muito forte,
eis aí que algumas pessoas cruzam o que poderiam ser para o espírito, algo que nunca foi usado de
forma Recreativa e quando pega esses elementos de forma desenfreada desinformada e muito forte,
causa esses danos, dentro da Jurema temos uma história muito interessante de um mestre
que tomou o vinho e não conseguiu retornar, que é a história do Mestre Carlos até os mais
antigos costumavam falar Mestre Carlos, e Mestre Carlos menino e seu filho pega esse
vinho vai para debaixo da Jurema com todas as indumentária Sagradas e faz o uso desse vinho
só que aí dentro de Aldeia o pajé tava lá pra acordar ele do transe ele tomou uma quantidade
muito forte e não conseguiu retornar desse transes aí tem uma cantoria da Jurema que diz
Quando se levantou espiritualmente falando o Espírito levantou foi pronto para trabalhar,
acontece que os mais antigos contam que ao estar perdido na mata o pai dele não sabia onde é que
ele tava o pai dele abriu uma sessão de mesa para descobrir onde o filho estava após três dias e ele
já vem trabalhando, ele já incorpora, a gente não chama de morte isso, chama de encantamento,
ele não morreu ele se encantou, teve uma viagem tão forte que sua alma saiu do corpo e está até
hoje sendo cultuado dentro da Jurema Sagrada, mais uma história Para comprovar aqui de forma errônea
e fora do contexto espiritual da responsabilidade espiritual, o vinho de Jurema pode ser nocivo a
Sim o uso de Jurema pra quem tem algum tipo de problema psicológico ele deve
ser de uma forma responsável, freado dentro da Jurema nós temos outros tipos de ervas,
de cascas de raízes que usamos para pessoas que têm problemas psicológicos, como o próprio Mulungu
que pode ser usado em forma de chá para pessoas que tem insônia,
série de tristeza de angústia e todo tipo de problema psicológico então o cacique no tempo
de Aldeia ele observava as pessoas, e aquele indígena que tinha algum tipo de transtorno
na época isso estamos falando das aldeias e estamos falando de uma tradição que pode
fugir do nosso contexto de sociedade Mas eles eram excluídos e algumas vezes até mortos,
os que vinham trazendo uma deficiência ou física aparente ou mental, eles eram excluídos
Já existia e até com uma condição de maldição,
de maldição então eles entendiam que aquela pessoa passava por esse contexto e estavam amaldiçoados,
em algumas aldeias há muito tempo a condição da mulher que tinha gêmeos ela tinha que escolher
por que acreditavam que o outro não tinha alma e poderia ser possuído por um espírito ruim e
ele era enterrado vivo, isso é história, é até duro para mim que sou juremeiro mas é a história
ancestral eu busquei estudei muito e vivenciei para entender esses contextos então aquele que
tinha qualquer tipo de transtorno psicológico ele era afastado muitas vezes abandonado em
meio à mata né até porque muitos transtornos só eram percebidos após a adolescência quando aquele
jovem iria passar por um processo ritualístico pra se tornar guerreiro, pra caçar para construir
sua família E aí era visto que ele não tinha condições, e ele não entrava na capacidade ele
não aprendia então quando se sentia qualquer tipo de deficiência e ao passar por vários processos
de remédio de beberagem e de busca espiritual e quando via que de fato ele tinha um problema ele
é totalmente excluído algumas aldeias até hoje em dia tem esse costume, eu tive acesso algumas
pessoas que foram a Amazônia e foram aos locais mais restritos que tem as aldeias menos acessadas
e até hoje eles têm essas práticas e eles não podem fazer nada, mas por ser uma questão cultural
ancestral eles têm que respeitar então crianças que nascem com deficiência nas mãos e nos pés uma
atrofia elas infelizmente são ceifadas Porque eles acreditam que lá na frente ela vai sofrer porque
ela não vai poder passar não vai poder casar não vai poder ter filho não vai poder andar e lógico
na nossa sociedade hoje é fácil acesso a uma cadeira de roda uma muleta a qualquer tipo de
adereço para que a mobilidade de um deficiente seja melhorada mas dentro da Aldeia assim essa
condição não tinha essa visibilidade até hoje mesmo aldeias que aceitem hoje imagina só as
nossas aldeias se quer tem direitos básicos e quem dirá ter uma assessoria a mobilidade
a um trabalho social em relação a deficiência mental, então infelizmente por ser uma prática
ancestral hoje eu digo infelizmente porque para nossa sociedade isso é muito forte aí eu até eu
como juremeiro como Neto de indígena e eu sinto a nossa educação europeia cristã que foi o enraizada
na nossa Nação em bem dizer no mundo todo é muito forte e passa essa condição pra gente
Ótima pergunta, quando a gente fala de Pilintra Eu costumo denominar que o termo Pilintra seria
uma alcunha uma cunha eu sou Lucas Souza vulgo Pilintra, e Como assim Lucas? Vamos lá
na construção do Catimbó temos Antonio Pilintra, Antonio Preto, Zé Pilintra, Zé dos anjos
enfim são vários que vai surgir da mente que chegam no terreiro dizendo sou eu Zé Pelintra,
então Pilintra se tornou alcunha, dentro da Umbanda nós conhecemos entidades que se
apresentam como Pilintra mas aí historicamente aí lá vai Lucas com chato Estudar né e na Umbanda eu
vi que existe uma até Não me recordo bem qual foi o autor que denominou uma diferença até mesmo na
forma de escrita, porque na jurema conhecemos Zé Pelintra e na umbanda Zé Pilintra na umbanda né
Zé Pilintra então eu não lembro não recordo bem o autor que colocou essa diferença e aí ele começou
ele fez uma viagem até o Rio de Janeiro e começou a pegar toda aquela identidade do Pilintra do
baiano do terninho branco da gravata da Boemia e da malandragem né que ficou em cima porque
quando a gente fala de Zé Pelintra na umbanda não tem como a gente tirar esse esteriótipo não tem
como a gente tirar essa estrutura dele, já o Zé Pelintra na Jurema tem uma estrutura completamente
diferente um linguajar arcaico, hora Grosso ignorante ora brincalhão mais uma brincadeira
voltada a malícia,é um costume muito forte Regional Então uso muito asseverado de trocadilhos
do machismo, é machista é uma figura machista é o homem que canta a mulher mas sem saber se era
casada ou não, é o homem que diz a forma que a mulher tem que se comportar o que homem tem
que ser homem entende é toda aquela estrutura do Nordeste que podemos ver naquela época e até hoje
a gente estudar um pouco e ver a estrutura do Nordeste dentro do seu mais afastado da
sociedade vamos ter aquela estrutura porque é cultural vai passando de pai para filho e
aí vai então a construção social dos dois é completamente diferente alguns autores
pesquisadores historiadores e antropólogos vem até diferença na escrita do nome, e na ritualística
dentro da jurema como você falou algumas tradições acredita que ele não baixa mais o Zé Pelintra o
José de Alencar o primeiro enfim, há tantas informações né sobre quem teria sido o primeiro
que é o primeiro e algumas tradições de fato não acreditam que ele desce mais, e não trabalha mais,
há tradições que dizem o contrário que ele ainda desse, que trabalha que ainda vem,
a minha tradição diz que de fato o primeiro Pelintra que ele lá que puxa
toda essa fama dele dentro do Catimbó não se faz mais presente mas ainda é cultuado mas
deixou um legado. Então respondendo à sua pergunta é basicamente isso.
Sim, no Catimbó estamos dando com uma religião que acredita em cidades espirituais
que acredita em evolução espiritual, logo se meu ancestral, encantado destinou-se
que ele vem trabalhar vem ajudar quer prestar conhecimento quer prestar serviço quer prestar
auxílio a todos nós que o solicitamos, logicamente que dentro da concepção de
espiritualidade de cidade espiritual ele vai galgar crescimento e evolução espiritual,
uma hora estará dentro de cidades espirituais que não estarão de acesso a nossa incorporação,
e ele vai estar lá ele vai estar a nos auxiliar está auxiliar outros espíritos
que adentrarão essas cidades espirituais mas não estarão de nosso acesso para incorporação,
basicamente mas ele está lá ele podemos acessá-los podemos cultua-lo e até devemos, que não é porque
ele não faz presente na incorporação que devemos ignorá-lo né, a caminhada espiritual continua
mas não mais incorporando, então acreditamos sim nessa questão de evolução e muitos deles
falam disso é comum ouvir até um termo chamado galardão né está tomando galardão ou mestre que
tem muito galardão né quem fala sobre a questão da ascensão de estar muito evoluído, alguns Mestres
já estão no estágio de não beber mais a matéria da quebra dos vícios, Entende, então tem tinha essa
concepção de evolução até porque se não existisse seríamos para sempre discípulos, mas nós enquanto
encarnados passamos um processo de evolução batizados, consagrados até chegar ao tombado e
depois de tombado vamos viajando espiritualmente, passamos por essa busca incessante aqui na terra
para que se por hora depois de nossa passagem estivermos ou formos convocados para uma dessas
cidades espirituais, tenhamos conhecimento para passar em algumas pessoas colocam a teologia
Cristã de que estão dentro dessas cidades porque pecaram foram pecadores e tiveram erros estão para
pagar outros não acreditam basicamente nisso, isso é uma escultura que ainda é
bastante discutida mas a questão da evolução é bem comum e se acredita muito dentro da Jurema
No começo da nossa conversa eu falei sobre alguns reinos e eu citei o nome de algumas plantas, essas
plantas são portais para cidades espirituais que são inúmeras e eu acredito que ninguém consegue
dizer quantas cidades espirituais existem e o nome de cada uma mas nós temos algumas mas enfim
então falando de cidades espirituais seria isso seria um, eu costumo de uma forma científica pois
estudei ciências das religiões e que preciso nesse meio palestrar e falar de Jurema de uma forma que
fique fácil, é a mesma condição de cidade de uma cidade imagine uma cidade chamada Jurema,
imagine que tem uma cidade chamada jurema e isso seria o reinado Ok? E aí cidades espirituais
seriam os bairros Então dentro da cidade de Jurema tem bairro tal bairro tal Barro, dentro desses
bairros vai ter um bairro nobre vai tem o bairro de classe média e vai ter o bairro barra pesada,
então basicamente de uma forma chula mas que de fácil entendimento seria basicamente isso,
nós temos reinados e devido à evolução espiritual desse espírito ele vai estar numa cidade,
não tanto evoluída como uma mais evoluída né. Lembrando que a nossa concepção de evolução é
muito vaga é muito vaga a nossa concepção de evolução ele tá até às vezes evito usar esse
termo menos evoluída porque para nós a evolução é todo uma estrutura de educação de doutrinação
daquilo que socialmente é aceito, mas pra nossa época isso é algo bem diferente né Nego Gerson
é uma das entidades que estão presentes que está presente do Catimbó mas não somente nela
porque várias tradições do nosso Nordeste e do Norte e elas lidam com Encantado, você vai na
encantaria no Codó de Maranhão e Nego já está lá, se não me falha a memória tambor de mina
Nego já está lá então Nego já tem uma estrutura de Encantado. É um encantado que novamente repito
estando numa tradição que cultua ancestralidade ele é cultuado, ele é chamado é reverenciado E
se ele é uma energia espiritual é um Encantado ele pode estar aqui nesse exato momento, ora se eu sou
o juramento se eu sei como um chamar ele, sei como reverenciá-lo e eu necessito do auxílio dele e eu
chamo ele aqui, aqui não é uma casa basicamente de Jurema é uma casa espiritual mas não uma casa
de Jurema, ele está onde ele é cultuado então no Codó de Maranhão ele é cultuado na encantaria e
Jurema é cultuado, se eu te disser que eu sei a fundo a estrutura do Nego Gerson eu
vou estar mentindo eu sei que muitos falam Nego Gerson príncipe da Nova Guiné, é o nego velho
quimbandeiro Feiticeiro mas eu não sei de fato além dessa estrutura a que passam para ele o que
teria o nego Gerson para oferecer eu não sei se ele tem conhecimento a profundo profundo sobre
ervas sobre enfim sobre direcionamento espiritual eu não sei, de fato lhe explicar quem a fundo foi
nego Gerson, mas posso dizer que ele está dentro da nossa Jurema de uma forma livre em alguns
cultos que fazem parte do Nordeste e do Norte, porque pega a fama foram estruturas que andaram
bastante, o Pelintra ia do Cabo de Santo Agostinho a Alhandra muitas pessoas o colocam como de
Alhandra, mas é porque simplesmente o Pelintra ele percorreu todo esse processo todo esse toda essa
região lá do Pernambuco do Cabo de Santo Agostinho a Alhandra e quem dirá outros estados eu não tenho
uma históriografia correta e afirmativa de forma concreta de como se comportava o Pelintra de onde
ele se alocou nessa época de onde ele andou o que ele fazia enfim né Então essas estruturas elas
estão muito espalhadas aqui do nosso Nordeste eles andaram bastante eles criaram raízes em
outros estados eles absorveram outras práticas foram homens que foram conhecidos até dentro da
própria estrutura espiritual e aí vamos lá eu sou de Alhandra da Paraíba mas eu trouxe para cá um
pouquinho sobre a estrutura de Alhandra um pouco sobre Maria do Acais falei aqui vagamente então
você já absorve isso que você já pega daqui de São Paulo e já leva para o o sul do país,
pra Minas e aí essa toda essa estrutura quando chegar lá se você é um cara que quer enraizar
aquela tradição ali ela vai ser enraizada vai ser cultuada e todo aquele conhecimento para começar
a ser passado. Quando você menos esperar uma estrutura que saiu da cidadezinha do interior que
é Alhandra, se espalha pelo Brasil é o caso da Jurema hoje em dia.
Malunguinho eu vinha conversando sobre o próprio a gente tava conversando um pouco
hoje cedo Malunguinho é figura muito firme dentro da jurema e até mesmo dentro do nosso pro nordeste
porque ele faz parte de toda uma identidade que vai muito além de espiritualidade e religião,
Malunguinho foram vários Malungu companheiro de estrada que dominaram da Mata Norte ali de Goiana
município de Goiânia já extrema com Paraíba até Beberibe então foram homens que novamente
Malunguinho é uma alcunha, por que tem identidade de guerreiro de homem de lutar pela minha aldeia,
vários nomes de Malunguinho historicamente registrado houveram 19 homens procurados pela
a volante da época né e não era comum naquela época se oferecer dinheiro pela cabeça de um Preto
de escravo mas Malunguinho era oferecido porque ele dava prejuízo ele era tido como um bandido,
Malunguinho tocava fogo no canavial antes da safra, hoje no Nordeste quando se tem a queima
da cana que aquelas palhinhas vão caindo as pessoas dizem tá caindo Malunguinho,
então foram guerreiros quilombolas já a parte da miscigenação do preto com indígena
e aí vamos lá se eu sou indígena eu cultuo ancestrais eu sou preto cultuo ancestrais
Malunguinho foi um ancestral meu que lutou pela libertação do meu povo pela libertação do meu
culto pela minha liberdade e foi um homem firme, viril é guerreiro ele vai voltar, ele vai ser
cultuado mas olha só, se eu dentro de meu trabalho eu cultuo caboclos bravos guerreiros para proteger
a minha reunião é a concepção do Exu da Umbanda, é aquele que vem para limpar para gerar comunicação
para quebrar os empecilhos tirar toda negatividade Então dentro da Jurema antes sempre, por
que esses homens essas energias que vem proteger o nosso terreiro a nossa gira nosso trabalho como
Malunguinho ficou muito famoso e olha, Pega ali dois estados importante dentro do culto da Jurema
ele pega divisa entre Paraíba e Pernambuco e pega basicamente toda Mata Norte de Pernambuco
então todos esses dois estados tem a figura de Malunguinho como o guerreiro que protegia o povo
das Aldeias e os negros Os Pretos logo vamos cultuá-lo ele será o nosso defensor se ele foi
em vida o nosso defensor no encantamento dele ele voltará como nosso defensor E aí hoje Malunguinho
é cultuado no começo de uma gira deJurema e no começo um trabalho de Jurema é cantado para
Malunguinho na concepção de que ele venha quebrar levar os embaraços. Faz alusão a Malunguinho com
vários homens estando dentro de Mata para proteção de seu povo e todas essa estruturas de Malunguinho
é como protetor e isso foi passando Mas em Rio Grande do Norte e uma das tradições de Jurema
do Rio Grande do Norte pega esse viés que eu tô falando Malunguinho não chegou por lá
e quem é nosso Caboclo tronqueiro, lá é Canindé lá em Rio Grande do Norte é muito comum que
jeito que eu não dá seja o primeiro Caboclo a ser reverenciado quando você abre uma reunião
de Jurema. Mas logo Malunguinho está dentro do culto da Jurema Sagrada principalmente Pernambuco
e Paraíba com uma uma entidade muito conhecida e reverenciada mas há um ponto de ignorância sobre
o Malunguinho as pessoas dizem que Malunguinho é Exu da Jurema, mas porque ela ativamente ele está
como protetor com proteção mas usar esse termo Exu Malunguinho pode causar dúvida porque em várias
tradições de kimbanda que lidam diretamente com Exu e Pombogira você não vai ver Exu Malunguinho
então é importante frisar Malunguinho é tido e chamado de Exu na jurema por ele vir para essa
concepção de proteger de quebrar e defender de fazer a proteção do culto mas nem todas
as pessoas vão concordar com o termo Exu, eu entendo que foi uma forma de tratar Malunguinho.
Não necessariamente precisa se acreditar na reencarnação para cultuar Catimbó até porque
quando a gente fala de Catimbó a gente não fala de uma de uma construção sólida como esse Pilão
aqui de um pilar único há vários Pilares dentro do que nós chamamos de reencarnação
e alguns não acreditam em reencarnação né mas a tradição de Alhandra acredita sim numa condição
de reencarnação e tendo em vista que essa evolução foi questionada pelo pelo irmão,
é justamente para isso eu fui um homem que nem sempre andei de forma correta a minha
estrutura social me fez Um carrasco matador um feiticeiro entende e eu estou dentro do
mundo espiritual para que eu evolua para que eu aprenda que em terra eu não fui boa pessoa mas
eu sou um homem que entendo minha sina e hoje vou trabalhar para que a minha sina não seja
vou me compreendendo através do seu trabalho , a chegar um ponto que eu galgo maiores os
mais evoluídos cidades espirituais onde lá mesmo eu sou redirecionado
isso não estrutura de que algumas tradições de Jurema acredita, somente a tradição de Alhandra,
em 1932 foi foi erguida a capela do Acais que até hoje quem visita Alhandra vai ver as margens da
PB 034 tem uma igreja criada por Maria do Acais, que foi um dos nomes mais significativos dentro do
Catimbó ela não criou terreiro ela não criou uma casa de Exu ela não criou nada físico a não ser a
igreja então diz assim Poxa então a concepção cristã para esse povo é muito importante era
de suma importância, eles naquela época eram proibidos, então bem como atrás era uma comunidade
indígena em volta e que agregava muitos juremeiros eles criaram a própria igreja e iam cultuar lá
dentro mas essa condição de reencarnação não é algo totalmente explícito em todas as tradições,
há as que não acreditam, mas aí eu faço um questionamento para algumas pessoas que falam
tudo teria o Espírito estar trabalhando e continuar trabalhando por todo um sempre
que concepção seria essa de estar ali para sempre, entende, porque?
Quem destinou, aí entra o que novamente costumo chamar de alcunha, vamos lá eu trabalho com
Canito, uma entidade que se entitula Zé de Canito ou Canito do Fogo e eu vou para
minha viagem astral e ele diz assim meu nome é José Pereira Júnior ele aqui também é de Canito
E aí ele foi para viagem astral e Canito disse meu nome é Arthur Gabriel Ribeiro, mas
o Lucas tombou, disse que o nome era tal eu tombei para o mesmo mestre e o nome é outro?
Aí vamos ao que algumas tradições colocam é a condição de alcunha na umbanda falam em falange
a alcunha São espíritos que até mesmo o próprio Canito, viu esse espírito a mesma estrutura
chega para cá para a cidade espiritual você vai trabalhar você vai se apresentar com o meu nome
e com essa estrutura com essa forma de trabalhar mas você é esse camarada aí,
eu sou eu, certo estamos aqui o time de futebol do Flamengo e do Vasco
a cada um tem um nome mas estão um prol da mesma coisa usando o mesmo uniforme se apresentando
um jogador do Flamengo e por aí vai e segue o fluxo, então dentro concepção aquele primeiro já
evolui e tá o segundo e tá o terceiro , lembrando tá eu sei que você vai ficar gravado não é uma
verdade absoluta não existe verdade absoluta do culto de Jurema acredito que nada na vida
é verdade absoluta isso são visões de tradições diferentes tá, essa visão que eu particularmente
acredito porque faz sentido, imagino só eu trabalho com Canito e só existe um Canito,
uma estrutura energética que é uma anima e é uma alma que é uma singularidade
se dividir em partículas para conseguir trabalhar numa concepção de incorporação Entende,
então eu particularmente acredito nessa premissa e ela segue a visão da reencarnação, são espíritos
que aquele espírito principal agrupou, doutrinou dentro das cidades espirituais e colocou para
trabalhar, tem vários Mestres que diz assim, quem me puxou para a cidade foi Zé Pelintra,
eu sou fulano de tal estou ciclano entende? Sem falar na condição de Que a cada dia trabalhando
na ciência a gente descobre uma nomenclatura de mestria Nova é muito vasta a concepção de nomes
e de alcunhas que tem dentro da mestria né então mediante a minha tradição existe a reencarnação
Até o momento não foi revelado nem um ser não-humano, temos estruturas espirituais né como
você falou, não Encantados mas não tem como citar um não Encantado como vou dar um exemplo a dentro
do folclore comum a Comadre florzinha ou Curupira, seriam nada mais nada menos que Guardiões da mata
no Candomblé vamos ter Aroni o espírito da mata, aquele que deve ser reverenciado para
entrar e para buscar as ervas para que não cause confusão ou perturbando aquele que adentra a Mata,
na Jurema a mesma coisa também Comadre Florzinha temos o Curupira que é reverenciado nas entradas
da Mata quando adentramos pra fazer nosso trabalho eles são reverenciados tem tradição
que cultua como Comadre Florzinha tem tradição que cultua como Curupira, outras Dono da Mata
e é salvo digo essa forma de oferenda se compara muito com o que é feito para Ossain e Aroni, o
fumo a cachaça, a moeda é Mel são comidas frutas entende sempre na condição de pedir licença para
que a estadia na mata por mais que momentânea seja segura e que não atraia nenhuma negatividade e
Alguns falam que incorporam, eu não tive essa experiência nem vi nem presente essa
experiência até porque são espíritos da Mata que se encantaram dentro da própria
mata na estrutura física da mata então na minha tradição eles não incorporam,
Maria florzinha nem o próprio Curupira não incorporam são Guardiões mata que estão
ali para manter a ordem ou causar desordem naqueles que entram com a mesma intenção.
Olha isso é um tocante bem forte por que existe sim a concepção de pecado que é errado entende
existe uma concepção até mesmo de como se comportar socialmente, o sacerdote de Jurema
ele recebe pela própria espiritualidade como ele deve andar no mundo. Quando ele diz que foi
aprender ciência para poder andar no mundo ele diz assim eu fui buscar conhecimento espiritual pra
ser gente pra não fazer besteira para não ferir os outros para não me tornar um bandido um devasso um
mentiroso o mau-caráter entende? Então dentro da Jurema tem sim essa estrutura que nos passa muito,
porque hoje nós costumamos ver até algumas entidades da jurema reclamar porque homens usam
brinco, então porque a construção social da época que eles achavam correto e eles querem passar dos
tempos atuais por mais que a gente sabe que isso não influencia em nada no caráter de ninguém
tatuagem piercing brinco enfim isso não influencia na estrutura social de caráter de ninguém mas
dentro da Jurema sim, tem a condição de pecado do que é certo o que é errado do que deve ser dito,
de comportamento que podem ser agregados dentro do culto ou na sua vida social você imagina eu
faço sempre essa analogia não tem de dentro de uma questão de ir quebrando a barreira da hipocrisia
como eu ver um sacerdote o meu sacerdote uma pessoa que fora do terreiro é um devasso,
entende? Por mais que a gente queira julgar, o espiritual somente, é impossível não observar
também a conduta social daquela pessoa, então na Jurema se passa condição de pecado de erro
do que é certo o que é errado não somente para que o espiritual tenha êxito Mas para
que ele dentro da posição de idealizador de sacerdote de padrinho também tenham postura
para orientar os seus discípulos Não somente quando estiver incorporado quando tiver um
trabalho espiritual é daqui eu tenho ali Gabriel que é meu afilhado e eles vão poder afirmar não
somente como eu que dentro da construção deles como juremeiros eles estão lá para orientar
não somente em condições de espiritualidade, algumas pessoas estão no decorrer da vida e
o seu processo de amadurecimento que isso é constante na nossa vida estão passando por
situações que vão além de espiritualidade e ele sabe que aquela condição se não é solucionado
rapidamente vai interferir no espiritual daquela pessoa, vou usar um viés aqui que é bem delicado
uso de drogas uso drogas dentro da Jurema eu observo um discípulo meu usando droga
Não padrinho, é só um baseadinho, entende? Mas se eu socialmente não explicar para ele
o que espiritualmente aquilo reflete dentro da Jurema ele não vai ele não vai evoluir
aí vamos lá hoje ele tá com um baseado amanhã ele pega 10, 15 gramas e aí é preso
A falta de estrutura e direcionamento do que é certo e errado dentro da tradição que ele
se encontra permitiu que isso acontecesse e aquilo vai influenciar diretamente na evolução
espiritual, diretamente até também ligando com a questão energética você pega esse cachimbo, aqui
dentro aqui nessa madeira nesse cachimbo vai ter o reconhecimento energético do que Lucas trabalhava,
na energia do Lucas e é isso então quando falamos de drogas, estamos falando de energia, é uma troca
de energia, ele está recebendo ele como médium como espiritualista como juremeiro, vai haver
a troca e não tem como essa troca não influenciar no espiritual dele, é um discernimento de certo e
errado de pecado né e o pecado é o errado. Essa concepção de certo e errado dentro da Jurema
existe e eu posso dizer que na maioria das vezes é ensinado de uma forma até involuntária, eu na
minha adolescência vi várias pessoas que estavam sobre erro e a própria entidade chegar e dizer,
a minha matéria está cometendo esse erro isso e aquilo me impressionou porque é difícil para
nós em sobriedade psicológica afirmar nossos erros nossos defeitos nossos pecados mas
quando em transe espiritual em alguns momentos do Encantado querer fazer a matéria O discípulo se
reencontrar espiritualmente ele faz isso expurga todos os erros para que socialmente seja exposto
e a pessoa tenha por obrigação de buscar uma solução para aquilo, parar de fazer enfim
Sim por exemplo eu também sou sacerdote de Candomblé e as práticas não se proíbe uma da outra
são distintas né há sacerdotes de Candomblé que proíbam que acredito que haja uma proibição mas a
Jurema pelo contrário ela não vê nenhum problema somos cultuadores de energia da natureza somos
cultuadores de energia de elementais é e não tem problema algum de você como iniciada de noviça,
mãe de santo, se iniciar na Jurema, lógico alguns tabus que você tenha como um exemplo uso do mel
deve ser indicado e falado para o sacerdote para que isso não interfira em ambas as energias,
logicamente já conheci pessoas que dentro da condição de vivente dentro do candomblé
tem tabu ao mel mas na prática da Jurema não tem, não surte efeito físico e espiritual,
sei que a prática de ambos não interferem sabendo
lidar logicamente até porque enquanto o Candomblé estamos cultuando Orixá, Vodun,
Nkisi e enquanto Jurema estamos cultuando o que o próprio candomblé chama de Egun, são espíritos
de pessoas que já viveram de ancestrais então assim como cultuar normalmente eu tenho vários.
E queria agradecer a todos que vieram aqui hoje em especial o mestre Lucas,
só para observarmos a minha casa pugna pela tradição então eu busquei sempre para trazemos
pra discutir sobre tradições alguém que conheça a tradição como ela é em sua raiz,
então falar de Jurema eu tenho que falar de Alhandra, de Paraíba, de indígena de Nordeste
não posso falar de Jurema de Catimbó em São Paulo, não nasceu aqui, ela veio pra cá com os imigrantes
nordestinos e o nosso trabalho de resgate desta casa, casa com os ideias do mestre Lucas
eu estive em Alhandra várias vezes e só o conheci em 2019 por que ninguém la também fala de Catimbó
como ele fala já misturado com Orixá, com várias coisas que é o que eu não queria encontrar
eu encontrei uma senhora lá Dona Zita que tem o mesmo pensamento que
ele, de encontrar na jurema a busca pelo mestre, da mestra do Caboclo e da Cabocla e é isso que
nós podemos oferecer nessa palestra de hoje eu vou pedir Lucas que só faça só por favor três músicas.
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