A ERA DAS QUATRO TRANSFORMAÇÕES: OLIVER STUENKEL - Inteligência Ltda. Podcast #1877
Olá, Terráqueio, direto de Nova York.
Vou parar aqui para te dar um recado
rápido. E quem tá assistindo e quem tem
uma empresa tem que escutar o que eu tô
falando. O que mais trava o crescimento
de um negócio hoje no Brasil não é a
falta de vontade ou de mercado, é a
falta de método, de processo redondo. Um
exemplo, vou vou dar um exemplo para
vocês. Se a nossa audiência do podcast
cair pela metade amanhã e o caixa
apertar, qual é o plano de ação exato
para executar no primeiro minuto? Tá
vendo? É difícil. E não é porque você é
ruim, não é porque ninguém te deu o
processo. E a maioria dos donos de
empresa vive assim, no improviso,
apagando incêndio todo santo dia. É
exatamente aí que a G4 entra. Sou muito
fã dos caras, sabe por quê? Porque o que
eu mais gosto é que eles não te jogam
mais um monte de curso na cara, não.
Eles pegam a tua empresa, fazem um
diagnóstico e te falam exatamente onde
apertar o parafuso. Tem monitoria mensal
com gente que constrói empresa de
verdade do outro lado te dando a
direção. É isso que muda o jogo. Mudou
para mim, vai mudar para você. Olha o
timing. O G4 está disponibilizando a
bússola, um curso gratuito de gestão e
inteligência artificial aplicada e
focada para donos de empresa. Para de
operar no amadorismo, cara. Escaneia o
Qcode que tá na tela ou clica no link
que tá na descrição e garanta já o teu
acesso G4 para quem quer mais, muito
mais. Beijo no cotovelo e tchau.
>> Olá, Terráquos, como é que vocês estão?
Um sou Rogério Vileira. Tá começando
mais um Inteligência Limitada, o
programa onde a limitação da
Inteligência acontece somente por parte
do apresentador que vos fala. Eu sou o
Vilela aqui do Brasil, viu? Não é uma
IA. Tô achando isso é IA. Ele fez um
cenário igual lá nos Estados Unidos. A
remoto. Não, eu voltei aqui e tô fazendo
bate volta, hein, Roman?
>> Tô aqui e tô lá.
>> Então você pode me ver aqui e no outro
dia seguinte eu tô lá, cara. Eu tô
dormindo no voo. Vou, eu durmo no voo.
Voltei, deixei meu pai, voltei lá e
precisando eu volto aqui e volto pro
jogo do Brasil, vou até onde o Brasil
for, que a gente quer que seja até a
final, certo?
>> Tomara, né, cara?
>> Então, e aí eu venho aqui de vez em
quando, gravo os programas.
>> Se o Brasil ganhar a Copa,
>> que que você vai me dar de presente?
>> Cara, sempre é eu dando presente para
vocês. A Fabi, qualquer ela qualquer
brecha falou: "Que que você vai me
trazer? Que que eu vou ganhar? Eu não
sei o qu". Cara, ninguém pensa em mim.
Homer, coloca uma música, não tem, né?
Coloca uma telha triste agora. Você faz
uma teletriz,
>> por que que ninguém pensa em mim? Por
que que ninguém pensa? Vilela, você
merece um presente. O Oliver falou: "É
minha quinta, depois da quinta
participação ganhou um carro, né?" Ele
também pediu presente, cara. Agora a
gente vai ter que comprar uma Porche só
para ele, porque agora,
>> ó, se você quiser me dar um Play 5 com
um novo GTA, tá maravilhoso.
>> Verdade, cara. Vamos fazer um
>> Pode ser uma réplica da do troféu
também.
>> Aí sim,
>> ó. Vale a pena.
>> Uma da Lego. Um Lego do troféu, já viu?
Eh, estou aqui com Oliver, como vocês já
perceberam. Então, ô, Homer, que que o
pessoal tem que fazer agora? Porque, pô,
eu vim até aqui em São Paulo para fazer
esse programa, hein?
>> Não, para fazer valer a pena, já deixa o
seu like, se inscreva no canal, torne-se
membro. Lembrando que hoje é uma live
especial que é dedicada para pessoas
especiais que são os nossos membros.
Eles passam na frente aí da fila do
chat, já envia sua pergunta com
antecipação.
>> Exato. Então, você quer se tornar membro
assim como? Olha, tem Mike Baguncinha,
tem Naldo Ben, tem Henry Cristo, tem
Bandana, Elon Musk.
>> Tá de membro ainda, cara. Tá fiel, man.
Pega um membro mais baratinho, né? Ele
não quer gastar dinheiro, né? Muquir,
cara.
>> Ô, muquiromk. E vem para cá, hein?
Então, já manda sua pergunta, dá esse
like porque merece muito. Oliver, seja
bem-vindo de novo aqui ao programa
sempre bem vestido.
>> Muito obrigado. Também tô aqui no Brasil
por pouquíssimo tempo. A gente voltar em
breve.
>> É, mas você não tá acompanhando hoje? Tá
conseguindo aos jogos. Eu não, eu não
não fui aos jogos. O meu filho ainda não
tem idade para para acompanhar, ele tá
com 4 anos.
>> Então ele depois de 20 30 minutos ele
ele quer brincar, quer fazer outra
coisa.
>> Acha chato, né?
>> É, mas eu eu acompanho eh nos bares e é
muito bacana assim, porque se tem a as
as eh comunidades eh se juntam, né, e
tem muito migrante nos Estados Unidos.
>> Então eu assisti vários jogos aí com eh
obviamente com a comunidade brasileira
em Washington.
Eh, mas também outras cidades de de
outros países. É bem interessante. Não
tem tanto turista.
>> E na minha avaliação assim, os turistas
não dominam as cidades, né? Você tem que
ir para os certos baes.
>> Em Nova York, por exemplo, eh, o jogo
era contra o Haiti, talvez. Acho que
foi, né? Com com Haiti. Foi o primeiro
jogo em Nova York, você lembra?
>> O primeiro jogo foi com Marrocos.
>> Marrocos, isso. Com Marrocos. Eh, tava
em Nova York, Brasil ganhou. Teve uma
festa assim, tal, pessoal, a gente foi
até square, mas cara, o Nick foi campeão
depois de 52 anos, se eu não me engano,
cara.
>> Os caras fizeram uma festa absurda.
Então assim, você viu essa festa do Nix,
mas do Brasil meio que foi abafada
assim.
>> É, não é o,
>> aí você vai para Benzana, você vê um
ponto, mas não é aquela coisa de clima
de Copa do Mundo que as pessoas se
cruzam e tá todo mundo e as cidades são
muito longe uma da outra também, né? É,
agora é interessante ver que eu eu
estive duas vezes no Brasil durante é a
segunda viagem durante a Copa que eu
faço ao Brasil. Eu tô meio que na ponte
na ponte aérea. Tem muita gente indo
para assistir um jogo, depois voltar.
>> Posso te dar umas dicas depois sobre
como dormir em avião, porque
>> eu preciso, eu vou voltar amanhã, eu
preciso amanhã não, essa madrugada eu
preciso dormir de qualquer jeito, porque
eu peguei um voo direto e vou vou chegar
lá pra partida já.
>> Legal, legal. não vai ser ótimo assim,
mas em geral assim, eu acho que
>> o fato de você ter tido times eh menos
conhecidos assim até deu uma
>> deu agregou uma dimensão diferente,
>> saí mais gols, né? Então foi muito
legal. E o Washington, você tá em
Washington.
>> Exato. Eu
>> lá tá deve ser um clima mais
fraco ainda, né?
>> É, é que não tem não tem jogo, né? É,
mas tem muito diplomata aí, muito
funcionário de organizações
internacionais do Banco Mundial, do
fundo humanitário.
>> V uma camisa de seleção. Então sim. Eh,
e eh vários dos diplomatas eh utilizam,
né, a as camisas de futebol e tal.
>> Sim.
>> Eh, mas em geral eh domina muita
preocupação sobre a as eleições, sobre o
cenário global. Então, quando você tem,
inclusive, tive que participar de
algumas reuniões durante jogos que eu
queria muito assistir e acompanhar. E
aí, obviamente quando o senador pede um
deputado, você não consegue falar:
"Olha, infelizmente tem esse jogo de
futebol, podemos encontrar mais tarde".
Então, perdi alguns jogos porque eu tive
que atender pessoas. Eh, e eu tô meio
que na na na ponte entre Washington e e
Boston, né? Eu eu eu ofereço uma série
de seminários eh na Keny School.
>> Bom, só que tem uma grande comunidade
brasileira, né?
>> Brasileira e venho muito a a São Paulo.
>> Você vem para cá
>> para quê? Para resolver pessoais ou
trabalho mesmo? Sempre trabalho, assim,
minha família tá tá em Washington, então
é é diálogo com eh lideranças políticas,
empresariais.
>> São Paulo, Brasil. Geralmente São Paulo,
cada dois meses Brasília, tá?
>> E também cada vez mais é Centro-Oeste,
né? É, claramente o agro tá se
globalizando muito,
>> então tem muito pedido vindo de Cuiabá,
eh, de Campo Grande, até de cidades
menores, porque há uma percepção
crescente que o Brasil precisa se
preparar para turbulência geopolítica.
Então você é muito interessante, você
tem empresas até um pouco menores que
percebem que a invasão Russa Ucrânia, o
Guerra na Oriente Médio, a atenção na
Ásia, aquilo tá se tornando novo normal
e que é preciso e integrar a avaliação
geopolítica no no processo de
planejamento
eh de forma permanente, né, que não dá
mais para só prestar atenção no mundo
quando surge alguma crise,
>> só só reagir, né? Exato. É preciso ter
eh um alguém por perto para desenvolver
cenários, para avaliar de
>> Eu nunca vi, eu não sei se é impressão
minha, mas eu nunca vi o mercado de
previsões tão em alta, né?
>> É, é. Se tem, obviamente, de de de
previsões, vamos dizer, no debate
público, mas as empresas hoje em dia, eh
sobretudo empresas um pouco maiores,
desenvolvem eh cenários para depois
avaliar de que forma isso impactaria eh
a sua, eh a sua estratégia, né? Então, o
agro, por exemplo, eh várias empresas eh
com os quais trabalho já tinham um
plano, né? É toda uma estratégia para o
caso de uma guerra entre os Estados
Unidos e o Irã que levaria ao fechamento
do Street Your Moons. Ou seja, tudo isso
que aconteceu
>> era meio previsível. Eh, né, a analistas
de geopolítica trabalham há anos com o
cenário do fechamento do de acontece
isso e a gente tem que fazer isso.
>> Então, muitas empresas tinham um plano
pronto,
>> plano B,
>> que que tinha obviamente todas a que
tinha uma análise muito clara sobre
quais produtos ficariam mais caros. no
caso do agro, se o fertilizante,
petróleo, etc. Já e e alguns até
chegaram a adotar estratégias
preventivas para, por exemplo, eh já
comprar eh fertilizante de outros
lugares, Canadá, por exemplo, para se
blindar na política. Isso também
acontece bastante assim, eu ainda acho
que tem alguns políticos até em negação
assim, tem é é interessante assim, eu eu
converso semanalmente com assessores de
políticos e com políticos americanos,
né? Isso é o que eu faço durante o dia a
dia. Eh, algum político pede uma análise
sobre a situação,
>> eh, na Colômbia, por exemplo, a gente
prepara uma avaliação e faz um uma
apresentação. E a Gus, eu acho que tem
isso muito claro de que as mudanças
globais vão causar eh uma profunda
transformação inclusive na sociedade
americana. Outros, eh, inclusive os mais
velhos, tão um pouco em negação. Eu tive
uma uma conversa recente com um deputado
eh nos Estados Unidos que que fez uma
pergunta interessante, ele fez: "Ó, é
quando essa essa instabilidade toda vai
acabar, quando a gente volta ao normal?"
Então, ainda tinha uma expectativa,
então é sobre isso que a gente vai
falar, né?
>> É, de que a gente passou por muita
instabilidade, eh, estabilidade nos anos
90, 2000, eh, e que aquilo
>> aquele fim da Guerra Fria, né?
>> Exatamente. E aquilo realmente nos
permitiu pensar eh no aprofundamento da
globalização, em
>> é livros como o fim da história e outros
que que falaram que agora é outro
cenário, né? e que mas mas que realmente
é é é cada vez mais evidente que eh
todos os países passarão por
instabilidade econômica, eh o surgimento
de IA eh
>> estabilidade instabilidade política
interna, né? É, exatamente. Acho que uma
grande preocupação de como preservar a
ordem democrática numa situação em que
você tem perda de de emprego em massa,
você também tem
>> migrações,
>> oportunidades surgindo em outros
lugares.
>> Eh, nos Estados Unidos, isso talvez
eh é um um ponto já interessante. O a
rejeção popular da inteligência
artificial e de empresas da inteligência
artificial é tão grande que cada vez
mais políticos e recusam apoio
financeiro das bigtec.
>> Já tá assim. Então
>> que é muito, se se um político dizer,
olha, não quero grana desse desse
pessoal, eh ele abre mão da do do
dinheiro que precisa para financiar
campanha, campanhas muito caras nos
Estados Unidos. Então, eh, abre mão de
muita coisa. Isso só acontece quando
realmente é uma percepção que aceitar
dinheiro de determinados grupos eh ou o
ou prejudica politicamente, né? E isso
você tem eh no Partido Democrata e
também no partido republicano. Eh, um
dos presidenciáveis do partido
republicano para as eleições em 2028, o
senador Holley, ele disse publicamente:
"Olha, eu acho que existe uma
concentração excessiva do poder das
bigtex nos Estados Unidos. a política
precisa eh ter autonomia desses grupos,
porque eles concentram tanto poder
econômico e e financeiro que eles
conseguem influenciar eh eleições de
forma indivída, né? Então você tem
>> não, e e tem uma preocupação maior que é
em relação ao a a ao a uso bélico disso,
né?
>> Exato. Exato. Inclusive com grandes
consequências pra soberania de outros
países, né? O caso brasileiro, por
exemplo, eh, a gente já sabe que
>> onde fica os data centers, quem controla
essa essa informação que eles estão
tendo, né?
>> Exato. E também assim, os o o o os
conflitos que hoje ocorrem eh ocorrem já
com e há muito integrado num processo
decisório, onde eh eh que tipo de alvo
você vai priorizar? Eh, por exemplo,
tomar decisões em loco, por exemplo, vai
um drone, ele em loco, ele decide, ele
ele vai com um parâmetro. Se tiver esse
cenário, você faz isso. Tive, ou seja,
>> exatamente. Teve recentemente um caso em
que um drone movido por IA e do Irã
abateu um helicóptero americano,
>> esse helicóptero caiu no mar
>> e um drone aquático salvou os soldados
americanos. Então você teve o ataque e a
envolvido totalmente. E aí nos
>> você tem que pensar eh ambos são movidos
por modelos e quem controla esses
modelos. Então, se, por exemplo, eh, a a
Marinha brasileira vai ter que utilizar
IA para processos decisórios em casos de
conflito. E aí, e obviamente a grande
pergunta é: é seguro você trazer o
modelo dos Estados Unidos ou da China,
que de certa forma produz
vulnerabilidades também? Porque
teoricamente, e a gente viu isso
recentemente, o governo americano pediu
ao Anthropeg eh desligar
>> as versões
>> uma nova versão de um modelo. Então,
imagina que suas forças armadas dependem
de um modelo e é um outro governo pode
dizer: "Olha,
>> a partir de agora você não tá não tem
mais acesso". Então, assim, tudo isso eu
eu acho que é uma transformação que muda
eh nos em primeiro lugar produz uma um
deslocamento de poder. Por enquanto isso
concentra mais poder nos Estados Unidos
e na China, porque são os dois países
que têm e uma grande concentração de
talento humano eh capital e grandes
mercados, não controlam os modelos eh de
fronteira.
Mas ao mesmo tempo, isso isso isso eu
acho muito interessante, você tem também
um deslocamento de poder e em direção a
potências emergentes, Índia, Indonésia,
eh ou seja, os Estados Unidos já não
manda com a mesma da mesma forma que que
antes, né? Você vê isso na na derrota
americana no Oriente Médio. É muito
evidente, os Estados Unidos perderam
esse conflito. Então, apesar de toda a
capacidade tecnológica, os Estados
Unidos não conseguiram impedir que o Irã
fechasse o estreito de Ormus,
>> né? E os aliados Estados Unidos ficaram
muito enfraquecidos. E surpreendente
até, né, pr pra gente. Ou você você
esperava porque
>> com poderio americano eu achei que não
que ia ser uma guerra rápida, mas que ia
ter um pouco mais de facilidade, né? É
assim, eu acho que
duas coisas, né? Em primeiro lugar, eh,
a gente esquece da dificuldade de eh
travar uma guerra longe.
Eh, é muito difícil você rapidamente
deslocar eh todo o seu equipamento eh e
e está engajado num conflito em outro
continente. Poucos países têm essa
capacidade, né? Eh, o segundo é que a
sua tolerância
eh ao ao custo econômico eh e aí
claramente a tolerância iraniana é muito
maior, porque o regime iraniano eh está
numa luta pela sobrevivência, então está
disposta a a
>> lidar com um curso econômico gigante que
pelo qual o Irã tá passando agora. O
Trump achando que ia ser um conflito
rápido, não preparou a população para um
custo econômico relevante.
>> Pessoal, o pessoal tá bravo lá com o
preço do combustível, você viu, né?
>> Claro. Claro. Então assim, e eu vi isso.
Olha, eu eu olha eu eh primeira coisa
que você tem que fazer quando você muda
paraos Estados Unidos é comprar um
carro, porque o transporte público
geramento não é bom, tudo é longe.
>> Holando, por exemplo, não tem como não
ter carro lá, cara. É, então assim, nem
em Washington, que é uma cidade até com
transporte público bacana, não tem
jeito, assim, todo eu uso o carro muito
bo. Então assim, você enche o tanque,
você percebe na hora
>> e e aí
>> se o Trump tivesse preparado a população
e dizia: "Gente, eh ao longo de semanas,
o Bush fez isso no no caso do Iraque".
inclusive mentiu também dizendo que a
armas de destruição é massa, mas ele
teve,
>> não tô assim dizendo, mas ele teve uma
>> um cuidado,
>> uma estratégia com assessores, né, eh eh
políticos, etc. Preparando os Estados
Unidos para um custo humano, econômico,
diplomático, porque os Estados Unidos
naquela época já passou por um processo
de maior isolamento, eh, da piora da
relação com aliados, né? a França e a
Alemanha, por exemplo, recusaram a
apoiar a a invasão, etc. Então, Trump
não fez isso. O Irã, o Irã faz isso há
décadas, desde os anos, desde 1979,
o Irã prepara a sua população para um
conflito com os Estados Unidos. Os
Estados Unidos estão muito presentes no
discurso político iraniano, é o grande
demônio, etc. Ou seja, o grande Satã,
né? e e grand e e e os estrategistas
iranianos se eh de fato blindaram da
melhor forma possível a economia
iraniana contra um conflito desse tipo,
eh inclusive usando tecnologias e e e
abordagens estratégicas inovadoras, por
exemplo, a
uma estratégia de eh não ter um centro
de comando no local físico, mas de
distribuir tomadores de decisão no
âmbito militar pelo o país inteiro e dar
a eles planos muito concretos de longa
duração sobre o que eles devem fazer se
o superior for eliminado,
>> tá?
>> Então, os Estados Unidos ao atacar o
Ministério da Defesa, por exemplo, e
matar um monte de generais, não
conseguiram eh causar uma isso ia ser
uma vitória absurda e não não sentiram.
>> Ex. Então, se você tem uma e um processo
decisório muito centralizado,
você eh e se o ministro da defesa morre
e e todos os principais generais morrem,
o o resto eh fica e eh sem coordenação.
>> O Irã tem um modelo de altíssima
resiliência já pensando já porque já
pensava há anos nesse tipo de conflito e
também sofria sempre,
>> que é um modelo meio de célula
terrorista, né? é é uma uma
descentralização sistemática
>> que os caras têm assim sim
>> em função também dos eh frequentes
assassinatos por ou americanos ou
israelenses de generais eh iranianos,
né? Se vai lembrar alguns anos atrás o
Trump durante seu primeiro mandato matou
um general eh iraniano eh enquanto eu
acho que chegava em Bagdad. Eh, eh,
então assim,
aí a o o a população americana, por não
compreender porque os Estados Unidos tá
travando esse conflito, teve baixíssima
tolerância com eh o maior
com a demora, mas também com o custo
humano.
>> Eh, você vê pessoas morrendo, aí tem
sempre um um político americano eh que
eh participou ativamente da estratégia
de comunicação
do do governo Bush. Eh, antes da guerra
no Iraque, ele disse assim:
"Você precisa garantir que num jantar de
família todo mundo possa compreender
porque os Estados Unidos tá em guerra,
>> explicar,
>> explicar, porque daí a pessoa ent, ah,
tá, estamos em guerra por tal motivo, aí
tudo bem eu pagar mais na minha conta o
mercado, tal."
>> É, depois ele falou que era pelo
petróleo, né? Mas
>> é, mas isso e se você muda de história,
>> eh, e todos os dos os estrategistas de
comunicação com os quais eu falei
falaram: "Olha, o Trump cometeu um erro
brutal porque o Netanial convenceu o
Trump de que aquilo seria um negócio de
poucos dias, que obviamente foi o caso."
Então, mas isso também é reflexo.
>> Isso é verdade. Então, porque eu achei
que era a teoria da conspiração.
>> Não, assim, quem tomou a decisão de
entrar em guerra foi nos Estados Unidos.
Eh, tem mil gente tentando convencer o
presidente dos Estados Unidos a a fazer
o que for. Então,
>> eu não acho que não é teoria de
conspiração no sentido de o É evidente
que o Ah, tem
>> do governo do Não, não, assim, o que eu
ia dizer é o seguinte,
>> teve alguém de outro escalão que falou
sobre isso,
>> você é primeiro ministro de um
determinado país, está no seu direito de
tentar convencer o presidente dos
Estados Unidos de qualquer coisa. Isso
acontece sempre. É,
>> eh, o erro do Trump foi embarcar nessa,
nessa empretada que eh inclusive está eh
afetando a relação bilateral entre os
Estados Unidos e Israel. É,
>> porque agora Israel virou um tema que
deixou de ser um tema consensual.
Antigamente, tanto a esquerda quanto à
direita apoiava esse essa essa relação.
Mas
>> eu acho que mais do que isso, as
dificuldades dos Estados Unidos no
Oriente Médio demonstram também que a
difusão e eh de poder já reduz a
capacidade das grandes potências de se
imporem com facilidade. Porque você tem
Irã, que é um país relativamente pobre,
dominando eh eh conseguindo dominar
certas tecnologias, inclusive
desenvolver tecnologias de ponta. a os
drones eh que o Irã desenvolveu com
apoio russo,
eh que estão utilizados pelos russos no
na Ucrânia, essa é uma grande inovação
militar. Por quê? Porque é um drone tão
barato que ele pode ser abatido por um
míssil eh ultra sofisticado, só que esse
míssil custa 10 milhões de dólares. Aí
você joga lá drones de .000, coloca 100,
200,
>> em algum momento
>> vai colapsar o outro país
financeiramente não consegue sustentar
esse trabalho de abater esses drones.
Então o que você já tem, você tem países
pequenos,
>> mudou o o o a guerra mudou totalmente
com drone e com inteligência artificial,
né? Mudou examente. E aí tem duas coisas
meio preocupantes
>> já na Ucrânia, né?
>> Já na Ucrânia, duas coisas eh preocupam.
O primeiro é que estamos entrando numa
fase em que eh você não precisa mais
enviar soldados
eh para uma batalha. Na na Ucrânia ainda
existe um um confronto com altíssimo
custo humano, sobretudo do atualmente do
lado russo, mas do lado ucraniano
também. Mas eh um país como os Estados
Unidos consegue travar uma guerra de
grandes proporções e perderam 13 pessoas
>> só,
>> só, né? que assim, eh, ao meu ver, foi
um grande erro esse conflito. Eu acho
que essas três pessoas morreram em vão,
porque os Estados Unidos não alcançou
objetivo,
>> e sobretudo pessoas em bases americanas,
eh, em países do Golfo, que foram
atingidos por drones e mísseis
iranianos, mas morreram muito mais eh
soldados eh e o inclusive civis
iranianos, né, e mais de 100 meninas,
uma escola que foi foi atingida. Mas o
que isso mostra é você pode entrar em
guerra e reduzir por inicialmente o
custo humano, o que pode eh tornar uma
guerra mais provável, porque um líder
como Trump pode achar que consegue
vencer um conflito sem custo humano. E
em segundo lugar, eh, a os algoritmos
definem cada vez mais a forma como esse
conflito ocorre,
tirando, eh, o, o, o ser humano da
equação. Eh, o que eh lá na frente, na
verdade, já agora, está produzindo uma
situação em que, como te falei, né, e
uma IA abate um helicóptero e uma outra
IA resgata as pessoas dentro desse
helicóptero. Daqui a 2, tr anos não vai
ter mais pessoas nesse helicóptero.
Então você tem algoritmo se combatendo,
eh, o que
reduz, eh,
o bom senso humano, porque durante a
Guerra Fria, muitas vezes, eh, teve esse
episódio eh muito lembrado, né, quando
um supercputador eh eh da União
Soviética
alertou o comando militar eh soviético
de que estava vindo um ataque nuclear
por parte dos Estados Unidos. E aí um
ser humano olhou aquilo e falou: "Olha,
isso não faz sentido". Por que eles
fariam isso? Aquilo foi eh intuição
humana. E ele, por achar muito pouco
provável que os Estados Unidos lançariam
um ataque desse tipo contra o a União
Soviética, ele não passou esse alerta
>> à frente, a
>> à frente, porque ele disse: "Isso aqui
vai vai ser o início de uma guerra
nuclear". Eu acho que esse supercputador
está errado.
>> Que doideira. está errado. E assim,
inicialmente foi punido. Isso foi
durante a Guerra Fria, no na última
década da Guerra Fria.
>> Ah, foi fizeram filme sobre isso.
>> A, imagino que se a pessoa depois foi
premiada,
>> jogos de guerras, talvez com Metal
Broda.
>> É, então assim,
>> quase começou uma guerra nuclear por um
erro. Porque eh o o computador
analisando informações, ele ele viu um
reflexo causado por por nuvens, achando
que se tratava de um ataque, mas não
ocorreu de fato, ou seja, foi um falso
alarme. Isso eh no no caso agora dos
algoritmos eh é é muito perigoso,
obviamente. Então eh mas ao mesmo tempo
você tem
>> eh grupos terroristas, por exemplo, que
podem ter acesso a algoritmos e a drones
de baixíssimo custo. Então você tem uma
>> tem outra tem outra coisa também, não
sei se você tá sabendo, Oliver, que vai
entrar nessa equação logo logo. Dizem
que já está e que não revelado, mas são
computadores quânticos que vão quebrar
eh criptografia em segundos, coisas que
levariam séculos em levaria em segundos.
Então os bancos vão estar desprotegidos
e e a parte militar dos países vão estar
desprotegidos.
>> É esse filme mesmo? É,
>> é esse mesmo.
>> Mas depois vê se acha o pôster. É Jogos
de Guerra mesmo.
>> Ele foi, não, recebeu vários prêmios
depois assim uma eh uma dess um desses
casos muito bacanas assim na história,
como alguém assim, não de um cargo muito
relevante, mas por acaso estava no lugar
certo, na na na hora certa. Certo.
>> Eh, o
e eu concordo com você. Eu acho que a
o uso cada vez mais eh frequente da de
novas tecnologias, inclusive em áreas de
eh interesse nacional ou ou fundamentais
para a estabilidade nacional, tornam
países mais vulneráveis.
E eu vejo aos poucos nos Estados Unidos
o pessoal tá muito consciente disso,
muito, muito. Então qualquer senador,
mas nos Estados Unidos você percebe que
o o inimigo é a China, ele pode estar em
outras, mas
>> China, mas também tem por que que eu tô
falando isso? Porque eu agora tava com
um amigo meu que mora há muito tempo lá
nos Estados Unidos e o filho dele é
militar, militar assim, desses que vão
pra frente da guerra e no treinamento,
quando ele vai se quando ele vai se
formar e tal, os caras falam: "Nosso
inimigo é a China, os caras estão
preparados para isso". e ele vai lá para
aquele lado.
>> É, eu do meu lado, eu vejo isso, por
exemplo, eh porque nas minhas turmas,
eh, nas faculdades, eh, quase já não tem
aluno chinês, eh, o que era muito
diferente, era muito, quando eu era
aluno, eh, nos Estados Unidos de
pós-graduação, eu tinha muitos amigos
chineses, inclusive muitos deles hoje
fazem parte do governo chinês. Isso foi
eu me eh isso eu me formei em 2009. Ah,
não faz muito tempo. Então,
>> então você na década dos 2000 você tinha
um auge de muit muitos dos meus amigos
americanos aprendiam chinês, eh, moravam
na China e chegaram a assessorar
lideranças políticas americanas, né? E
aí são pessoas que acompanham de perto o
que acontece na China. E do mesmo lado,
do outro lado, você tinha chineses que
se formaram nos Estados Unidos, tinha
uma rede pressionante de de contatos
americanos e hoje estão em cargos
importantes no governo chinês. Isso
permitiu
e lidar com crises de forma e eh rápida,
eficiente, que muitas vezes crises
diplomáticas não chegavam nem sequer à
imprensa, porque você tinha aí muitas
pessoas eh no diálogo diário com o outro
lado eh que acreditavam que por meio da
cooperação econômica e política seria
possível ganhar e produzir benefícios
mútuos. que que e isso foi innegável,
inegável assim, a cooperação econômica
entre a China e os Estados Unidos ao
longo das últimas décadas foi eh algo
inédito na história, né? Dando produtos
de baixo custo pro consumidor americano,
criando ganhos muito grandes para
empresas americanas entrando no mercado
chinês. Obviamente também causou
contribuiu, porém não foi o fator
decisivo para uma desindustrialização
>> nos Estados Unidos, não foi tudo aquilo
que hoje dizem, né? porque o avanço
tecnológico também eh é o vamos dizer
causou isso acima de tudo na
automatização, etc. Mas hoje você não
tem mais. Eu concordo com isso. Eu acho
que hoje tem planos assustado
participando de reuniões em Washington,
onde planejadores militares falam de
forma muito concreta sobre como o
conflito, um conflito ocorreria, quais
seriam os passos e tal.
>> É, não é não é, né? É quando, né? É, a
vantagem é que todo mundo tá muito
preparado para isso. Então, as empresas
já ninguém mais nos Estados Unidos,
nenhuma grande empresa
eh
não fica sem um plano, né? Ou seja,
existe um processo aí, inclusive porque
o o utilizando eh planos de redundância,
então você não quer mais depender só da
China, então você compra certos
componentes de outros lugares, você move
partes das suas fábricas pro México. o o
o comércio entre os Estados Unidos e o
México explodiu em parte, porque o
México recebeu muito investimento
americano que estava saindo da China,
não porque eles não gostam no mercado
chinês, porque as empresas estão se
estão proativamente tomando passos para
se blindar contra futuras crises
geopolíticas. Mas eu acho que esses e e
eu acho que a gente ainda tem muito
tempo para
e e muitas formas de eh se blindar
contra um conflito desse e ainda tem
muitas empresas americanas com muita
influência que não querem esse conflito.
Eh,
>> e eu acho que hoje em dia
>> é também fundamental pensar em outros
atores que podem representar riscos, né?
você tem eh tensão entre a Rússia e os
países Bálticas, a OTAN, de forma mais
ampla. Você tem tensão entre a Índia e
eh o Paquistão, entre a Índia e a China,
eh entre as Filipinas e a China, eh que
inclusive são conflitos de altíssima
complexidade, Taiwan. Então, só para só
para dizer assim,
todos os países com o surgimento da IA
precisam estar preparados para
ataques contra, seja o Pix, por exemplo,
é
>> eh contra eh o SUS, contra os eh a a
>> eh criptomoedas são do setor eh militar,
>> eh Faria Lima, Wall Street, hoje você
tem um monte de gente trabalhando com os
grandes bancos para eh se preparar com
eh contra ciberataques desse tipo.
Então, eh hoje qualquer nova tecnologia
traz ganhos enormes,
mas você também precisa pensar,
por exemplo,
eh como você protege sistemas de
pagamento se houver um grande
ciberataque.
E, e é muito interessante que em muitos
países hoje é um pensamento assim, você
retém uma capacidade de operar
utilizando uma tecnologia antiga caso a
mais avançada for atacada. Então, no
caso concreto, isso quer dizer o quê?
Eh,
no Pentágono ou em em outros governos
americanos, há uma percepção de que eh o
surgimento de carros autônomos é um
grande avanço pra sociedade. Ninguém
mais precisa dirigir. Você tem uma queda
brutal do dos acidentes, eh você tem eh
>> melhora no trânsito.
>> Melhora no trânsito. Isso, aliás, tem
uma e por um lado, sim, né? Porque você
pode emprestar seu carro para outros
enquanto você não usa. Então, menos
carro. Por outro lado, com o carro
autônomo e o a queda do custo, ninguém
mais vai quer pegar o ônibus porque todo
mundo quer ficar no seu próprio carro
porque fica mais barato. Mas aí tem eh
eh as pessoas eh eh deixarão de saber
como dirigir um carro. E num caso de um
grande conflito, numa mobilização em
ciberataque que eh afeta os carros
autônomos, você ainda precisa que parte
da sua população saiba dirigir. Então,
eh da mesma forma, vamos supor, o Pix é
atacado e você não pode pagar com e
cartão de crédito por causa de um ataque
cibernético. Os sites, os bancos não
funcionam mais. Você precisa ter uma
quantidade mínima de dinheiro em espécie
circulando, porque senão você
rapidamente, por meio de um super atque
sofre uma um colapso da sociedade.
Imagina o Brasil funcionando 100% em com
pagamento eletrônico,
>> aí tem um ciberataque
>> e ninguém mais tem dinheiro no
>> Você assistiu o filme O Dia depois de N?
É o Mundo depois de Nós? Isso. O mundo
depois de nós.
>> Eu eu assisti trechos, não assisti o
filme inteiro. Eu vi algumas cenas nas
redes sociais.
>> Produz produzido pela família Obama.
>> Ah, ah, sim. Precisa.
>> E aí é sobre isso. Não explica direito
quem parece que é a China.
Um ataque cibernético. Cai tudo, fica
totalmente a galera no escuro. Os carros
da telas lá, um batendo no outro, uma,
ac, sabe, uma fila de carros porque
foram hackeados. E a galera não sabe no
que tá acontecendo porque não tem acesso
à internet, não tem televisão, tudo tudo
tá a princípio você vê televisão pode tá
sendo controlado, notícia, tudo. Então a
galera tá totalmente perdida nos Estados
Unidos e os caras recebendo de avião
aqueles panfletos tipo de guerra, sabe?
>> Ah, sim, sim, sim. Cara, é muito louco
esse filme.
>> É, e é preciso pensar sobre isso. Então,
a gente passou por 30 anos
por um por uma e eh por um mundo em que
eh a maior dependência não representa
uma ameaça. Então, o país se abrir eh
comercialmente, você receber
investimento de fora, uma necessidade um
grande ganho, assim, o mundo,
>> todos ganhavam. a gente passou pelos
pelas melhores décadas da história
humana.
>> É isso que eu queria, como a gente vai
introduzir na nesse assunto agora, né, e
falar eh sobre a era das quatro
transformações, você já começou já a
pincelar esse essa primeira
transformação que é o esse retorno e a à
multipolaridade, né? Vamos então agora
>> claro então
>> bater nisso primeiro.
>> É assim e é quatro. Eu eu acho que isso
é não é algo que eu estudo
>> desenvolvi. Isso é a partir de conversas
com tomadores de decisão, tá
>> no âmbito político empresasal eh nos
Estados Unidos, na América Latina e na
Europa. Eh, infelizmente, cada vez menos
na China. Eu faço muita questão de
tentar preservar meus meus diálogos com
atores chineses. Isso é um grande
problema. com com o aumento da das
tensões geopolíticas, fica cada vez mais
difícil ter bom acesso, mas também com
lideranças eh eh na Índia e em outros
países ao redor do mundo, de que eh é
preciso se preparar para quatro grandes
transformações que terão um profundo
impacto sobre o funcionamento da
economia das sociedades. primeiro sendo
eh o deslocamento de poder eh que estava
concentrado acima de tudo nos Estados
Unidos para outras potências, o Ocidente
em geral,
>> eh pra China, paraa Índia, eh, isso não
quer dizer que o Ocidente deixa de ser
importante. A a os Estados Unidos serão
um ator chave, pelo menos até o fim do
século, a Europa também.
>> Então não tô dizendo assim, vamos deixar
esse, né? Eu moro nos Estados Unidos em
parte porque eu acho que continua sendo
um ator muito importante. É preciso
entender o que os Estados o que acontece
nos Estados Unidos. Mas da mesma forma e
você tem atores que t hoje mais
autonomia
e que antes não tinham, que é uma uma
situação típica de um sistema multipolar
e um número crescente de grandes
potências. E aí o as pessoas podem
perguntar o que que é uma grande
potência. Para mim, uma grande potência
é um ator que além de concentrar muito
poder econômico e político, é tão
importante que ele se importa
basicamente com tudo que acontece na
política global. Ou seja, os Estados
Unidos foram uma grande potência, rolou
um golpe de uma tentativa de golpe de
estado no Paraguai, os Estados Unidos se
importa com aquilo. Por quê? Porque tem
interesses econômicos concretos lá em
todos os países. Hoje a China é igual,
>> né? Eh, você tem uma crise na Venezuela.
Paraa China é fundamental porque tem
grandes investimentos lá. Ou seja, é um
é um ator tão importante que em nenhum
momento uma crise política não importa.
Mas isso também quer dizer que surge uma
crise na Venezuela, imediatamente os
interesses de todas as grandes potências
são impactadas e tem um alto risco de
fricção,
>> tá?
>> Né? Por exemplo, os Estados Unidos
querendo eh tirar uma empresa eh eh
chinesa da gestão eh dos portos perto do
canal de Panamá, né? Isso é um tipo, um
caso típico de uma tensão entre grandes
potências num terceiro país. E você tem
isso hoje no Oriente Médio, na África,
na América Latina, na Europa, em todos
os lugares. Você tem interesses de
grandes potência se se eh, né, causando
>> causando fricção
>> e terceiros países tentando de alguma
forma lidar com isso. Então isso é é a
primeira grande eh eh transformação.
veio para ficar. Não importa quem está
na Casa Branca, não importa quem está no
Kremlin, é a gente precisa saber eh
lidar com isso. Isso veio para ficar o
restante do século será marcado por essa
tensão causada pela multipolaridade. A
segunda questão, e aí a gente pode
entrar em cada uma delas, a gente já
falou disso, né? Surgimento da
inteligência artificial, uma inovação
tecnológica que causará maiores
disrupções do que a
>> é uma quebra de paradigma como foi a
revolução industrial. também maior até
eu direi maior. Mas e aí se você olha os
sistemas políticos, muitos
>> eh eh sistemas colapsaram porque você
tem uma uma rápida transformação de de
poder eh com amplos impactos políticos,
né? eh inclusive eh eh com, né, com
surgimento de novas correntes políticas,
de repente os partidos hoje não dão mais
conta eh de lidar com essa situação.
Então, eh isso sem dúvida eh também
causará uma disrupção que pode ser um
processo de décadas também.
>> Terceira é a transição energética. já
está em curso, mas também causa um
deslocamento de poder.
ainda por um bom tempo, né, por umas
duas décadas, eh tem bastante poder
concentrado nos detentores de eh de
petróleo, de gás natural, mas cada vez
mais um deslocamento para eh produtores
de energia renovável e mais importante
do que isso, os detentores de minerais
críticos para a construção da
infraestrutura necessária para eh eh
energias renováveis. Eh, então no isso
sobretudo é terras raras, sobretudo a
China, o Brasil um pouquinho.
>> Então se você, por exemplo, hoje é um
país,
>> inclusive explorar a Lua também, né? E
além assim, certamente. Mas você hoje
tem e a China em ascensão em parte,
porque países que deixam de comprar
petróleo e em vez disso apostam na
energia eólica, por exemplo, precisam de
tecnologia chinesa, que a China domina
esse âmbito, tá? Então também aí uma
transformação que causa instabilidade,
porque isso inevitavelmente causará
grandes flutuações no preço eh da
energia, tanto renovável quanto fóssil.
Eh, aí toda a infraestrutura e
infraestrutura energética que foi
construída precisa mudar também. E a
quarta transformação é a transformação
demográfica, que eu acho que é que menos
recebe atenção.
>> Pois é,
>> mas que é a mais, vamos dizer,
a que a mais previsível, você não
consegue mudar eh eh tendências
demográficas a curto prazo. Então, é a
mais previsível é a gente saber
exatamente a transformação que ocorrerá
ao longo das próximas décadas,
implodindo sistemas de previdência,
porque tem não tem trabalhador
suficiente para sustentar
>> uma população cada vez mais velha. Você
tem colapso da taxa de natalidade por
muitos motivos. Eh, e vale muito a pena
prestar atenção nos nos nas conversas
eh no debate público em países como eh
Coreia do Sul, China, onde não só tem
fechamento de escola e e cada vez mais
lares de terceira idade abrindo, mas
você tem grandes oportunidades
econômicas para atender uma população,
né, acima de 65,
eh, onde você tem governos que tentam
oferecer incentivos fiscais, a jovens
casais, geralmente esses incentivos
fracassam. Então, acompanhando outros
países, o Brasil pode também eh deixar
de cometer certos erros, tentar coisas
que já deu para ver que não funcionam lá
fora.
>> Falando não só de movimentos, mas também
de taxa de natalidade, muitos a China tá
preocupada agora com isso, porque teve
aquele programa de um filho só e agora
tá incentivando ter mais filhos. É, eh,
exatamente. Mas mesmo em países que não
tinham essa regra,
>> sei
>> você tem um colapso eh de de países na
da Europa tão colapsando.
>> Então, não só isso, e lá certamente tem
>> e aqui também, né, a gente vai ter esse
problema
>> no Brasil tem você só tem pou você na
verdade tem poucas regiões ainda onde a
a natalidade está e eh alta. África
central, SAR, por exemplo, até na Índia
hoje a taxa de natalidade está abaixo de
2,1%,
que é a taxa de reposição para você
manter a eh a população estável. O
grande problema além disso também é a a
taxa de de pessoas produtivas, né?
>> Exatamente. Aí você precisa porque tem
muita gente que tá fora do que não tá
produzindo também, que que não paga
>> o o os velhos, né? Exato. Exato. Então
tem uma questão matemática, você tem uma
questão da da defesa, porque apesar do
surgimento de inteligência artificial
por um bom tempo, você ainda precisa de
seres humanos
>> para eh para garantir a segurança
nacional. Então, eh e aí é interessante
porque eh isso obviamente também eh tem
uma relação direta com o surgimento de e
mudanças no no mercado de trabalho, né?
Eh, e o a expectativa é que setores, eh,
que ainda onde você ainda terá por
bastante tempo um crescimento inclusive
na demanda é áreas de construção, né?
Por exemplo, que eh só que como é a
população cada vez mais velha, você
precisa também pensar de que forma você
vai empregando pessoas de 75 anos. É
>> porque lá na frente vai ser muito
difícil alguém se aposentar e receber
alguma previdência antes do 70, né? Eh,
já que eh na segunda parte do século
você vai ter muito mais pessoas com mais
de 65 do que com menos de 18.
>> Pois é,
>> né? Então eu acho que tudo isso quer
dizer o quê? Que
e a gente não pode olhar para as últimas
décadas e e esperar uma continuação
dessas tendências. a gente teve esse
luxo de não se preocupar com futuras
crises e países precisam
não só pensar em como ficarem mais ricos
eh e e mais eficientes, mas também
pensar como ficam menos vulneráveis
contra esse tipo de choque que
inevitavelmente
mudará a nossa política profundamente.
E
isso que você falou não é um consenso.
esses quatro fatores pode tem gente que
coloca mais, tem gente que coloca menos,
tem outros que também colocam alguns
outros.
>> É, então e
>> alguns estudiosos
a primeira tendência de uma eh de uma eh
de cam de gente escuta econômico, escuta
>> Sim. Eh, o o que é consensual, eu diria,
é que haverá eh eh uma redistribuição de
poder que sempre causa instabilidade,
né? A gente não tinha isso desde quando?
>> Olha, a gente teve uma grande uma grande
redistribuição de poder com o colapso da
União Soviética, que que agora é o que
levou a grande concentração
>> colapso da Segunda Guerra e depois
>> a S guerra, Segunda Guerra Mundial, um
grande redistribuição, descolonização
também
>> e colapso da União Soviética. Isso foram
os grandes iatos. Agora, eu acho que
nenhum desses se se compara com Sim,
porque
>> mesmo vai ser muito mais brutal. Então
>> é brutal, assim, não dá para saber até
que ponto envolve o uso da da violência,
né? Mas eh claramente
eh os sistemas atuais dificilmente
estarão preparados, né, pr pr pra
instabilidade. Agora, em primeir o o
primeiro, a transição para a
multipolaridade, a princípio já vem
acontecendo, eh, e faz com que grandes
potências não conseguem mais se projetar
com a mesma facilidade que se projetavam
antes. O, o caso mais óbvio é a América
Latina. O governo americano
desenvolveu uma nova doutrina que chama
de Don R doctrine, que é um ajuste da
doutrina Monro.
>> Como que chama? É, Don, é uma meio que
uma piada, mas é doutrina Don R e de
Donald Trump,
>> mas que se baseia na doutrina Monroe do
presidente Monroe e no século XIX,
>> eh que
eh que disse que as Américas, o
hemisfério ocidental faz parte da esfera
de influência dos Estados Unidos
>> e que os Estados Unidos têm a
responsabilidade e o direito de
intervir, se for necessário,
inicialmente para, entre aspas, proteg
proteger a América Latina dos europeus,
mas depois, obviamente, para promover
seus próprios interesses. Então, os
Estados Unidos claramente quer
consolidar sua influência na América
Latina, que são países menores, mais
vulneráveis, e, e reduzir a influência
chinesa. Mas o saldo dessa tentativa é
muito ruim. Se você vê que até países
alinhados ideologicamente eh aos Estados
Unidos, como Milei na Argentina, como
Cast no Chile, estão mantendo suas
relações com a China, mais do que isso,
continuam ampliando sua relação com a
China enquanto eh engajam em eh
em gestos simbólicos de alinhamento com
os Estados Unidos. Ou seja, os Estados
Unidos não conseguem hoje se impor na
América Latina. Eh, pode até derrubar um
presidente, tentar eleger um outro
presidente, mas até, por exemplo, o o
Dela Espriela, que foi agora eleito na
Colômbia e o o Trump apoiou ativamente,
não vai abrir mão das oportunidades que
existem na em relação à cooperação da
Colômbia com a China,
>> certo? Da mesma forma, a China não
consegue se impor mais no seu entorno.
Ela não consegue, ela, o Taiwã é um
país, uma ilha muito pequena. Eh, a
China há décadas quer controlar Taiwan e
até hoje não consegue.
>> E aquela pergunta feita pro Donald
Trump, que que você achou?
>> Qual pergunta?
>> Se a gente
invadir Taiwan, vocês vão vão se meter
ou não? E o e o E o Trump não quis
responder isso.
>> Ah, então e
>> mas eu eu eu acho engraçado que hoje em
dia as coisas que eram feitas a portas
fechadas hoje em dia tá muito aberto,
né? O Trump fala as coisas, o Xinpin
fala, todo mundo tá falando. Você acha
que isso faz parte de de uma de um novo
modelo de
>> de uma estratégia nova? Qual quem ganha
com isso?
>> Bom, certamente no caso eh de Trump é
uma tentativa de manter um diálogo
direto sem mediação da imprensa, né?
como estratégia de comunicação.
>> Ao mesmo tempo, continuam acontecendo
negociações nos bastidores e muitas
vezes
>> há o entendimento por parte da China de
que o que o Trump diz em público é para
consumo,
>> todo mundo já percebeu isso
>> americano e tal e que uma conversa eh
nos bastidores continua sendo
relativamente normal.
Tendo dito isso,
hoje em dia existe,
eu eu a minha interpretação é que os
serviços de inteligência utilizam
vazamentos de forma mais sistemática
para moldar a opinião pública. O caso da
guerra russa, da invasão russa a
Ucrânia,
a CIA
tinha muito acesso a
a conversas internas no governo russo. E
na época, ail
Haynes da que era o número dois da da
CIA, eh decidiu vazar sistematicamente
eh o que os Estados Unidos eh obtinham
de informação antes da invasão, tá? Isso
foi uma tentativa de preparar a opinião
pública americana e europeia a um
possível conflito e eh enfraquecer esse
argumento e ou de enfraquecer a
capacidade russa de surpreender a a
Ucrânia com um conflito. Chegou um
momento em que eh os americanos passavam
informações sobre conversas internas no
governo russo aos ucranianos para
convencer os ucranianos que esse
conflito estava de ia acontecer de fato,
que os ucranianos falavam: "Não, a
Rússia não vai invadir e tal". Então
isso hoje você vê em outros países
também que o o
que que que governos buscam vazar
informações que encontram para eh para
obter vantagem na construção de uma eh
de uma narrativa. Eh, mas os Estados
Unidos quer manter a ambiguidade
estratégica em relação a Taiwan para
meio que
para para não deixar para para eh criar
uma sensação de dúvida. em Piquim sobre
como os Estados Unidos responderão se os
Estados Unidos optar por eh controlar
militarmente ou atacar militarmente
Taiwan. Cenário mais eh provável é um
bloqueio naval, ou seja, não uma um
ataque contra Taiwan, porque afinal
o que a gente viu também na Ucrânia é,
se você bombardeia civis, eles não eles
dificilmente vão dizer: "Nossa, que
bacana, eles estão nos bombardeando,
queremos fazer parte daquele país, né?
Até os ucranianos mais pró-russos hoje
odeiam a Rússia. É,
>> então aquilo foi assim uma estratégia
para garantir que a Rússia por muitas
décadas não quer fazer parte da esfera
de influência Russia, tá? Então o eh a
Ucrânia, então a China olhando isso fala
assim: "Ah, a gente não quer
>> entrar na
>> machucar o o o o o o cidadão eh de
Taiwan, porque a gente quer,
>> faz sentido." É verdade.
>> Então, assim, tem que ser uma coisa
sutil, entre aspas, eh sem causar um
sofrimento humano. Então,
>> você fez um programa especial sobre a
eleição em Taiwan,
>> mudou mudou alguma coisa de lá para cá?
eh,
>> que era era mais pró Estados Unidos e
>> isso o governo bom, é mais pró Estados
Unidos e mais, vamos dizer, menos
disposto a abrir mão da autonomia eh e
mais crítica em relação eh à China. O
governo eh eh continua tendo essa
postura. Eh, eu acho que desde então
mudou uma coisa, o Xen Pin trocou um
monte de generais eh nas forças armadas
chinesas. oficialmente para combater
corrupção, mas de fato para consolidar
seu poder.
Então você tem agora um monte de
generais eh em cargo chave na China com
menos experiência,
>> tá?
>> E eu acho muito pouco provável que a
China esteja disposta a entrar num
conflito agora com essa galera mais,
vamos dizer, mais inexperiente,
>> certo,
>> né? Que se precisam de um tempo, etc.
precisa de ter gente. A China tem essa,
vamos dizer, num possível confronto com
os Estados Unidos lá na frente, ela tem
essa desvantagem de não ter muitos
generais com influência de combate real.
Exato.
>> Por isso a China vem faz tempo se
engajando mais em em missões da paz, da
ONU, etc., meio que para ter alguma
experiência real, né, de de de conflito
real acontecendo. Eh, então não tô
preocupado hoje com um conflito
iminente. Inclusive, eu acho que a China
eh ainda investe, tenta investir
pesadamente em, entre aspas, ganhar os
corações da população taiwanesa. vai ser
muito difícil, mas tem isso eh
ocorrendo, né, para
eh para tentar trazer assim falar:
"Olha, vocês vão se dar bem, a gente não
vai interferir muito no sistema político
eh de vocês". Obviamente os taiwanêes
olham para Hong Kong e teve a mesma
promessa e hoje Hong Kong tá
praticamente controlado
>> eh pelo governo chinês. Então
>> gente lá em Hong Kong, como tá a
situação lá? Olha, tá com menos, cada
vez menos de eh liberdade eh política,
eh menos espaço para cada vez é mais eh
com, vamos dizer, com risco cada vez
mais de criticar o o governo central.
Eh, então você não tem mais essa
sociedade civil vibrante eh que você
tinha antes. Eu acho que eu não sei se
eu contei isso para você alguma vez, mas
e em 2017 e eu pensei brevemente e em eh
aceitar uma uma oferta na Universidade
de Hong Kong e eu fui lá, visitei e
assim cidade é massa, muito bonita
>> eh bacana e assim você tem o lado
chinês, então você meio que você tá,
como se diz, né, você tá muito perto das
das grandes inovações, mas ao mesmo
tempo, você pode também falar o que você
quiser, que para um acadêmico é
fundamental.
>> É,
>> eh, no final
>> é o melhor dos dois mundos na teoria,
>> na teoria, é, eh, tipo sem apura, sem,
apesar de que sem apura você também tem
certas restrições assim, né?
>> Macau eh Macau é um é mais um destino
turístico cultural assim, você não tem
assim, você tem uma até uma universidade
eh que não é ruim, mas para você
participar do discurso público, etc.,
não é um grande centro de pensamento
como é ainda eh Hong Kong, né? Grandes
universidades, muito eh alunos
brilhantes. Eu fiquei muito
impressionado durante essa época, mas já
na época vários eh professores,
inclusive mais velhos, me disseram:
"Olha, isso aqui vai piorar". E e então
os taiwanêses olham eh Hong Kong como um
alerta, um sinal de alerta de que se
eles aceitarem fazer parte ou
estabelecer alguma união com Pquim, com
passar o tempo, a democracia tabanesa,
que é muito vibrante, estará supressão.
Eh, então eu acho que com essas trocas
todas na estrutura militar chinesa,
é, acho muito pouco provável um conflito
ao longo, vamos dizer, estamos em 2016,
eh, antes de 2030,
só se os Estados Unidos cometerem algum
erro grande como uma invasão terrestre
do Irã. Tá,
>> se isso ocorrer,
eh, eu não acho que isso vai ocorrer,
porque todos os assessores de Trumpon
dizeram: "Ó, não faça isso, é uma
loucura, é é um risco grande", mas não é
impossível. Então, se isso ocorrer, e
estamos ainda eh em em guerra, ou seja,
e teve esse acordo,
>> é, mas não tá,
>> mas tem ataques frequentes. Então isso
inclusive eu falo pros investidores que
são eh o preço do petróleo caiu, mas
isso é passageiro, porque você pode de
uma de um dia para outro ter uma mudança
no regime de Ormus, basicamente, né, que
pode complicar demais a exportação, você
pode ter imprevisibilidade. Então
preciso, todo mundo precisa reduzir sua
dependência de Ormus, mesmo com esse
acordo. Agora, se os Estados Unidos
invadirem
eh o Irã de forma terrestre, pode ser
que a China e aí vão ter que retirar a
capacidade militar da Ásia e de outras
regiões para priorizar a guerra contra o
Irã. Pode ser que numa situação dessa
China faça uma movimentação, porque uma
vez que você
tem toda a sua, o grande parte da sua
capacidade militar concentrada no
Oriente Médio e aí a China faz um
bloqueio naval contra Taiwan, você tá
numa situação realmente até até os
Estados Unidos hoje em dia não conseguem
travar uma grande guerra contra o Irã
com atuação terrestre e ao mesmo tempo
tentar furar o bloqueio naval da China
contra Taiwan. Então, nesse caso, sim,
pode haver um um confronto.
Eh, mas eu não sinto hoje
uma eminência dialogando com
os chineses,
>> tá? O que sim veu para ficar são esses
conflitos de potências
como Rússia, como Índia, eh querendo
aumentar sua esfera de influência,
porque
eles podem, esses países podem fazer
coisas que antes não podiam fazer,
porque os Estados Unidos concentrava
tanto poder que qualquer reação
americana contra ele seria devastadora
do ponto de vista econômico. A Rússia
não podia invadir a Ucrânia 20 anos
atrás.
Porque
a reação americana teria quebrado a
Rússia. Hoje a Rússia tem a China como
parceiro, a Índia como parceiro, eh
vários países no Oriente Médio, o
Brasil. Então, a os Estados Unidos
perderam a capacidade de ditar os rumos
da Rússia, basicamente, né? Ela tem mais
autonomia. E quando em sistemas
multipolares você tem vários países mais
autônomos, você vai ter também mais
potencial de conflito. Então isso é a
primeira questão.
Isso quer dizer o quê? Muito mais gasto
em defesa, menos gasto em outras em
outras áreas, mais instabilidade fiscal,
porque países investem pesadamente nas
Forças Armadas. Ah,
>> então, eh, provavelmente mais dívida
pública, portanto, taxas de juros mais
elevados, inflação maior. Então, isso é
é um é ruim para o crescimento
econômico, porque,
vamos supor, um país como a Alemanha
triplicou gastos em defesa, mas já tá
numa situação fiscal complicada
e tá com mega problema demográfico, você
vai fazer o quê? você vai cortar e o que
você vai reduzir a previdência, não tem
jeito, porque é um eleitorado já muito
poderoso. Isso, aliás, é muito
interessante dessa questão demográfica.
você precisa cada vez mais ter o apoio
dos velhos,
o que é muito ruim, porque você se você
é um um candidato que quer priorizar a
educação, primeiro a infância, eh, né,
fazer a grande aposta de longo prazo em
aumentar a produtividade, o eleitor de
70 anos tá nem aí para planejamento de
longo prazo. Assim, alguns até podem se
importar com isso, mas muitos vão dizer:
"Cara, o que que você tem para mim?"
>> É,
>> entendeu? E aí o o o a resposta mais
fácil é gastar mais os velhos.
E aí
>> isenção de transporte de várias coisas.
>> Exatamente. É tudo caro. Tudo caro. Mas
ao mesmo tempo você na verdade mais do
que nunca que você tem poucos jovens.
Então esses jovens precisam estar muito
bem informados. O seu pesadelo é ter
poucos jovens. poucos jovens não são
produtivos, eles não têm boa formação.
Eh, isso é a última coisa que você quer.
Então, isso para governar você vai ter
muita dificuldade. Eh, eu, por exemplo,
a partir dessa
primeira tendência eu, eh, ajustei meu
portfólio de investimentos para ter eu
ter uma uma exposição maior no setor de
defesa hoje. Ah, é
>> porque essas empresas vão eh não só os
grandes americanos, mas as empresas em
países menores vão ter, ao meu ver, uma
grande oportunidade, porque não é só
gastar mais em defesa e comprar armas
dos Estados Unidos. Cada país quer ter
su seu próprio setor de defesa, sua
autonomia, eh seu modelo de EA para não
depender de ninguém. É,
>> então assim, a até assim a Oriente
Médio, a Oriente Médium tá tá virando
uma super potência de eh de desenvolver
eh armamentos a Coreia do Sul, Alemanha,
Polônia, Ucrânia. Aliás, e Ucrânia,
eu acho que a gente ainda vai estar em
guerra por muitos anos, mas a Ucrânia
está se transformando numa super
potência de defesa, cara.
>> É,
>> então assim, tá vendendo tecnologia e
conhecimento pros outros, né? É, hoje
tem um tem teve um um caso simbólico que
eu acho que mostra essa loucura, essas
transformações rápidas. Quando a Rússia
invadiu a Ucrânia, os alemães come
enviaram treinadores militares para
ensinar os ucranianos a como utilizar
armamentos eh da Alemanha que eles
tinham doado pros e ucranianos. Hoje tem
ucraniano indo pra Alemanha para ensinar
os alemães como operar os drones.
>> Ué, tem. Ou seja, o crime aqui, o crime
organizado tá pegando ucraniano para
para comprar e ensinar drones aqui pro
Rio e
>> Exato. Ou seja, ou seja, uma uma difusão
de poder enorme.
A tendência da IA
pode mudar isso um pouco, porque eu
inclusive eh eu tô trabalhando num livro
atualmente
para descrever como essa essa difusão de
poder empodera
os países na periferia antigamente
conhecido como periferia, mas no sul
global, como
>> eh Índia, Indonésia, Brasil, eh que a
Paquistão também que tem mais margem de
manobra, né? Então, a gente tá se
despedindo de um mundo das grandes
potências, em que as grandes potências
mandam, mas em que os, entre aspas,
pequenos, né, ou potências médias, eh,
tem um imenso poder para, eh, eh,
bloquear iniciativas dos Estados Unidos,
por exemplo. O caso do Brasil é
exemplar. Os Estados Unidos pressionaram
o Brasil no ano passado com tarifas,
dizendo: "Olha, eh, né, o STF precisa
parar com isso, fazer aquilo, uma
interferência na na na
>> uma tentativa, pelo menos,
>> é uma tentativa de e no processos do
judiciário brasileiro. Agora, os
americanos estão ameaçando os europeus
com eh tarifa de 100% se houver uma um
um novo modelo de tributação digital,
que é uma má notícia para as bigtechs
americanas. Isso é típico comportamento
de grande potência.
>> IS não tem a ver com os Estados Unidos.
grandes sempre falam assim, só que o a
tentativa americana fracassou no caso
brasileiro. Pois é,
>> pelo contrário, o governo eh teve uma um
aumento na taxa de aprovação porque os
países
>> não gostam, né, de
>> não gostam de interferência externa,
óbvio. Então assim, a gente tá entrando
nessa fase em que, apesar de ter muito
poder, a China,
os Estados Unidos, a Rússia, veja, a
Rússia tá tá conseguindo controlar um
pequeno vizinho
que assim, a Ucrânia tava economicamente
muito mal, muito mal. Eh, eh, tá assim
com com renda média abaixo da América
Latina de muito, né? Ou seja, um país eh
muito com assim péssimas taxas de
corrupção, etc.
e a Rússia invade, não consegue
controlar esse país. É um clássico
exemplo de que os países menores
conseguem se defender melhor do que
antes. Então esse é o livro e com um
monte de exemplos históricos, etc. O meu
grande problema é que a IA
pode atrapalhar esse deslocamento. Por
quê? Porque você tem a China e os
Estados Unidos dominando o
desenvolvimento de modelos de última
geração.
E países como o Brasil estão com muita
dificuldade de desenvolver seus próprios
modelos, porque você para para você ter
o modelo de última geração, você precisa
de talento humano, muito capital, eh um
sistema de governança é totalmente
previsível para investidores. O Brasil
até tem isso. E acesso à energia, isso
Brasil também tem. Mas para um país como
o Brasil não é viável hoje eh competir
com a China, os Estados Unidos no
desenvolvimento de modelos de IA e ponto
tá muito para trás. Até os europeus não
conseguem também assim, tal o Golfo tá
assim gastando muita grana para ter
acesso a esses modelos, mas dificilmente
vai conseguir desenvolver esses modelos
que serão fundamentais para eh paraa
defesa, para pra produtividade
econômica. Então eu confesso que tô um
pouco com dúvida em relação
se o que dominará,
>> mas vale a pena, por exemplo, investir
em data center ou deixar esses caras
entrarem aqui?
>> Com certeza. Com certeza. Para mim, a
maior fonte de autonomia do Brasil é
a diversificação.
Isso quer dizer nunca se comprometer
100% com uma aliança com uma grande
potência, porque a partir desse desse
momento é você
>> eh eu lembro que o
o Eduardo Bolsonaro, quando o o o Jair
Bolsonaro foi eleito, ele fez uma viagem
aos Estados Unidos e meio que eu sei que
foi só uns um um gesto retórico, mas ele
meio que durante uma reunião lá jorou
amor eterno aos Estados Unidos, falou
Nós queríamos ter um casamento assim,
uma relação super estável, uma aliança
aí inquebrantável. Eu falei: "Cara, isso
é a pior coisa que você pode fazer."
>> E eu também seria contra uma aliança com
os europeus e os chineses. Você não
pode, né? E e na geopolítica o você
precisa
ter uma um grau de, vamos dizer, de
flexibilidade, não é? como nos
relacionamentos humanos,
>> sem paixão, sem amor, sem paixão. Então
assim,
>> eh, o Brasil precisa de receber
investimento de data cent de empresas
chinesas, americanas, europeias e de
todos os países, ter alguns seus
próprios e distribuir os seus dados
públicos em vários desses para que
nenhum país possa
ligar pro presidente do Brasil e dizer:
"Ó, se você não fizer isso, eu aperto
esse botão e você perde acesso ao SUS".
ou você perde acesso a esse modelo de IA
que você precisa para gerenciar a
aviação comercial, por exemplo, ou ou,
né, aviação civil ou para pra sua
marinha. Então isso precisa estar
totalmente fragmentado.
Eh, o pior cenário seria uma vitória
decisiva no âmbito de ou dos Estados
Unidos ou da China. Porque se um país
domina globalmente, aí você tem nenhuma
margem de manobra para negociar com esse
país. Eu sou bastante otimista de que a
gente não vai entrar nesse mundo, porque
a China, inclusive, tem uma uma
estratégia um pouco diferente. Eh,
>> ela sabe disso também, né, que ela tem
que
>> tem que tá
>> sim
>> na frente, senão ela perde. É, a China
tem uma uma vantagem eh uma vantagem que
ela tá muito eh eh eh focada em modelos
de menor custo. Então, os Estados Unidos
investe muita grana nos modelos que eh
numa comparação direta são superiores,
>> mas necessitando de muita energia,
>> menos viáveis na e e na há um ver com
que a maioria dos países no sul global
tendem a ter uma preferência pelos
modelos chineses que são mais baratos.
Então tem tudo isso aí acontecendo eh
que vai chacoalhar demais o o o não só a
ordem global, mas também a situação
política interna. Por incrível que
pareça,
a mudança demográfica
vai empoderar países muito pobres,
porque eles terão algo que todo mundo
quer, que é é gente, são pessoas. Então
assim,
>> nós hoje estamos numa fase nacionalista,
meio que os países fechando fronteira.
Eh, mas todo mundo sabe, isso é muito
engraçado, até os assessores de Trump em
reuniões fechadas sabem e dizem que sem
imigração não dá.
>> É,
>> e lá em público falam que é fechar
porque é popular atualmente, assim, tem
um pouco um um momento eh vamos fechar a
fronteira, eh, não sei que e tal, porque
isso mobiliza as pessoas, né?
>> Mas mas sabe, né, que o que faz os
Estados Unidos são os imigrantes, né?
>> O americano não quer fazer certos
trabalhos. Não só isso, mas você precisa
de talentos de fora. Assim, por exemplo,
o o WhatsApp acaba de anunciar o novo
CEO do WhatsApp que faz parte da meta. É
um empreendedor indiano, né? A a a
Google liderado por um indiano. Ou seja,
isso não só no topo e todas as as
empresas precisam poder trazer gente
qualificada que tem sido sempre a grande
sacada dos Estados Unidos. Se você abre
mão disso, os Estados Unidos não
consegue competir nem contra a China. A
grande problema da China é sua
incapacidade de de atrair talento, né?
Então assim,
>> verdade,
>> com o passar do tempo você vai ter país
competindo por migrantes, que é o
contrário do que é hoje, porque a o o
colapso demográfico ainda não bateu para
valer. Mas então assim, a gente pode ter
essa postura mais rígida em relação a a
imigrantes por mais uma década por aí,
mas lá na frente, quando o país tem
problema real
suas instituições funcionando, suas
escolas, limpar as ruas, eh, enfim,
todos os serviços que são precisos, aí
quem pode, vamos dizer, que quem quem
tem uma vantagem na negociação é um país
como Mauritânia ou Nigéria, que tem
muitas pessoas à disposição. Então,
essas pessoas estão dispostas a emigrar
porque eles podem aumentar sua prodigade
quando e migrarem aos Estados Unidos. E
aí estamos numa situação em que talvez a
Bélgica,
a Coreia do Sul e os Estados Unidos
estão tentando atrair essas pessoas, né?
Atrair essas pessoas para que possam
trabalhar nos seus mercados por falta de
mão de obra. Então isso também é é
interessante. E aí você tem eh conversas
muito interessantes do mundo afora sobre
como incentivar as pessoas e isso
obviamente vai ter um monte de eh
iniciativas para convencer as pessoas,
convencer as pessoas a terem mais
filhos.
eh que
até hoje nenhum país conseguiu reverter
essa essa queda na taxa de de
natalidade. Existem algumas tentativas
até na América Latina. Agora o o governo
de Ross Antonio Cast no Chile está com
várias iniciativas de querer oferecer
mais grana.
>> Ah, é?
Mas eu, mas ninguém achou ainda o
a solução. Então isso eu acho que é uma
tendência irreversível a princípio que
dará esse poder aos países que ainda t
bônus demográfico e e podem de certa
forma.
>> Eu tinha pensado nisso, Oliver, você
falar que os imigrantes e essa grande
massa que se movimenta entre os países
vai ser um trunfo. Eu sempre pensei que
era um peso, né? Porque não é uma mão
uma mão de obra nem sempre qualificada.
chegam num sempre num estado muito
deplorável de grana, saem fugidos
normalmente da da região. Mas você tá
falando desse pessoal?
>> Eu tô é eu tô falando assim daqui numa
situação daqui a daqui a uma ou duas
décadas quando
>> há uma percepção mais explícita de que
>> sem uma migração, sem uma imigração,
muitos dos modelos que que se
consideraram eh o estado de bem-estar
social na Europa, na Ásia, etc., é
insustentável. e que o crescimento
econômico contínuo nos Estados Unidos
não é viável sem uma imigração contínua.
>> Pensa em incentivos, países vão dar
incentivos para Ah, tá.
>> Como o Canadá já fez, como alguns países
da
>> É, mas numa escala muito pequena assim,
você tem eh né, o Canadá fez de forma
bastante visível, Alemanhaicos. E aí,
atualmente, você ainda tem estratégias
de que países demandam uma certa
qualificação.
Eh, ou seja, você quer pessoas eh
especializadas em tal coisa.
>> Eh, isso, mas isso é
é uma forma é uma situação passageira.
lá na frente a pessoa eh, vamos dizer,
as os países se tornarão menos
criteriosos, porque eles precisam de de
uma pessoa jovem e ponto que possa
receber um treinamento eh por exemplo
para trabalhar num hospital. E aí o o
governo vai arcar com a formação inteira
dessa pessoa
e a pessoa depois pode residir no país,
etc. Mas ela vai ter que em depois de
ter recebido esse treinamento ter eh
trabalhar pelo menos, não sei, 10, 20
anos num hospital público daquele país,
né? Eh, isso eh soa um pouco
contrainttuitivo atualmente, porque a
gente tem o surgimento de partidos mais
nacionalistas,
com mais eh com discurso xenofóbico, né?
Eh,
mas se você fala com os demógrafos e com
os economistas que acompanham essa
situação e até, como eu disse, com os
alguns dos políticos que hoje pedem
fechar a fronteira, é é muito difícil.
Até o Brexit, por exemplo, o Brexit, o o
os defensores do Brexit disseram: "Vamos
votar pelo Brexit para reduzir a
imigração." Que que aconteceu? A
imigração aumentou. O único que mudou
foram que os migrantes hoje não vem mais
da Europa, mas vem de outros lugares de
fora da Europa. Eh, porque o setor
privado não tem, não é de esquerda ou de
direita, setor privado que é quer
dinheiro, quer contratar as pessoas, né?
Eh, o que eu acho que uma concepção
popular equivocada é que aquilo só
atinge países ricos hoje, ocidentais e
alguns na Ásia. O grande problema no
futuro serão países que ficaram velhos
antes de ficarem ricos. Porque a a gente
associa a crise demográfica hoje a a
Coreia do Sul, a Alemanha, Itália,
Grécia, que são países relativamente eh
bem-sucedidos assim do ponto de vista
econômico. O que a gente ainda não viu e
que vai ser muito complicado é um país
pobre
ficar velho.
>> Putz,
>> e porque daí a capacidade fiscal de você
sustentar as pessoas muito baixa. Então
você tem eh países no Oriente Médio, já
com taxa de de natalidade em queda
livre, com uma uma parcela relevante à
população, ainda a baixa linha de
pobreza.
Isso também eu acho que é importante
lembrar, porque muitas pessoas acham,
ah, é, não sei, é a culpa é eh
geralmente as pessoas falam assim, é, a
culpa é do empoderamento às mulheres ou
sei lá o que aquilo está acontecendo
mundo afora em ou é a culpa do
capitalismo ou sei lá o quê. Isso tá
acontecendo em sociedades capitalistas,
socialistas, ricas, pobres, muçulmanas,
cristãs.
É, é uma tendência global. A Índia tá
bem, já tá abaixo do de 2,1, tá tá em
queda e um grande uma grande preocupação
>> eh para o governo indiano, porque a
Índia cresce a taxas elevadíssimas, 4 5
6%.
é é a grande economia que mais cresce
hoje no mundo, mas aquilo requer um
processo contínuo de mão de obra, de
baixa produtividade, se formando nas
regiões,
>> baixa produtividade
>> produtividade, eh elevando sua
produtividade por meio da formação e
migrando paraas cidades, né? A Índia
ainda é uma cidade bastante rural. Então
o crescimento se dá como você pegar
milhões e milhões de pessoas que migram
de um lugar onde a única profissão que
eles poderiam exercer seria a
agricultura de de de baixa
produtividade.
>> Sim.
>> Em parcelas muito fragmentadas. Então, a
agricultura indiana tem um grande
problema de de produtividade.
Fazem um curso, se formam em engenharia,
o que for, migram paraas cidades e tem
uma produtividade brutal, muito maior.
Eh, e assim se dá o crescimento
veloz ao longo dos últimos anos da
economia indiana. Se você começa a ter
um um declínio populacional,
é muito difícil. você ainda por muitos
anos consegue trazer gente das áreas
rurais, mas sem crescimento é
populacional nenhum ou até uma redução
da população.
Eh, você pode, a gente vai est numa
situação em que talvez o crescimento
zero é a grande meta. Você não quer mais
crescer, você quer reter o tamanho da
sua economia diante da redução da
população.
>> Sim. Eh, e não é só, como você mesmo
disse, não é só menos trabalhador e
menos aposentado, é muito menos
trabalhador e e cada vez mais
aposentado. Então, acho que eh se eu
fosse hoje um empreendedor, eu acho que
essa é a área assim mais vibrante, é
como você atende demandas de pessoas de
75 anos. Eh, como você consegue
desenvolver modelos de treinar pessoas
que tem 65,
se aposentarem agora percebem que
precisam trabalhar, vem aí um novo ciclo
de trabalhar por mais 10 anos. Como você
adequa a infraestrutura digital para
pessoas mais? Meu pai, meu pai há há uns
5 se anos atrás, mesmo aposentado e não
precisando, ele queria trabalhar.
>> Ele trabalharia
mesmo tendo uma aposentadoria, ele ele
ele pessoas da cidade à vezes quer
ativa. Exatamente. E aí todas as
evidências de que a a eh de continuar
trabalhando também eh eh adia, né,
processos de de de investimento mental,
etc. Ah,
>> que também assim, eu eu
todas as transformações não abalam o meu
otimismo. Eu devo dizer,
>> é,
>> eh, eu também eu acho que assim, esse
envelhecimento, paradoxalmente pode
levar as sociedades a valorizar
>> sabedoria, experiência. Isso. Ou seja,
valizar essas pessoas que muitas vezes
você teve uma, você vai daqui a 10 anos
ter uma vaga e os seus candidatos todos
estão,
>> é,
>> então mais. E ao mesmo tempo também
valoriza o jovem porque eles se tornaram
mais raros. A minha irmã morou um tempo
na Coreia do Sul, né? Ela tem duas
filhas e ela ela falou assim e e em CU,
onde a a taxa de natalidade é 0,7%
por mulher, ou seja, você tem um
>> menos do que um
>> um colapso populacional eh na cidade,
as crianças, assim, você tá com duas
crianças no metrô, assim, todo mundo
>> é uma atração, é isso
>> claro, as pessoas assim, né, quer
>> fazer aquele filme lá,
>> quer tirar foto e e assim você tá muito
bem tratado.
restaurantes, todo mundo assim. Por quê?
Porque você, as pessoas enxergam que
você tá fazendo uma grande contribuição
à sociedade, né? Então, assim, a a forma
como não só como políticas públicas
mudam,
>> Filho da Esperança chama,
>> é um filme sobre o quê?
>> Que há um há um tipo de problema
genético, alguma doença, alguma coisa
que não nascem mais crianças, né? E aí
aquela seria a última geração. Então
quando tem uma esperança de uma criança
nasceu, todo mundo voltado para aquilo,
né? Para pô, é a nova esperança, né? Tem
que ser protegida essa criança, porque o
que tá acontecendo, né?
>> É, é, é um pouco assim, né? E e assim
aí, eu eu sou muito cético, tem gente
que fala: "Ah, que bom que tem menos eh
seres humanos, é bom pro meio ambiente e
não sei quê". e a vai resolver tudo. Eu
acho muito eh isso é isso realmente é
acho que equivocado. Acho que o desafio
econômico é brutal.
>> É.
>> E a gente não tá acostumado a viver
em sociedades totalmente estagnadas.
Isso quer dizer que o a a nossa
expectativa
eh ao longo das últimas décadas sempre
foi de inclusive de o que a gente espera
dos nossos governos e ter uma vida
melhor do que tínhamos antes. Ou seja,
vai ser difícil. Se você tem um um um
crescimento muito baixo por causa de uma
crise demográfica, é difícil político
dizer: "Olha, se vocês me elegerem, vou
garantir que tudo que a gente vai manter
a a nossa situação atual, isso é a meta
que eh em vez de que hoje em dia a
campanha dizer é se vocês me elegerem
tudo vai ficar melhor, vocês vão ter
mais grana ou tá um passado
>> glorioso, claro. de certa forma você
quer prometer algo melhor. Enquanto no
em sociedades com um crescimento
negativo populacional, é muito difícil
você manter o tamanho da economia. Você
tem que gerenciar, de certa forma um
declínio e e é difícil, né, o o os
relatos. Eh, eu eu fiz questão assim ao
longo dos últimos anos de de ler muitos
muitas análises sobre isso da Coreia do
Sul, né? um país muito, por um lado,
vibrante, culturalmente vibrante, um
país que é muito inovador, né, que,
enfim, vale muito a pena acompanhar, a
gente pode aprender muito, mas aqui ao
mesmo tempo lida com uma situação assim
de se anualmente ter reportagens longas
sobre fechamento de escola, fechamento
de unidade de maternidade, hospital, tem
mais eh tem mais demanda. Isso muda
também a o clima político, né? é um
pouco assim, tem um lado meio deprimente
disso, porque afinal os nascimentos
>> também representam a esperança, a
inovação.
>> Eh, isso você de repente não tem mais
isso. Eh,
e assim, quando eu falo isso, sempre tem
gente falando, cara, você não é assim,
os números, se você entra nos números,
é, é assustador mesmo. Eh, é uma coisa
fria, não é? Exatamente. E, e, e outra,
eh, a questão de, vamos dizer, ah,
transição energética, pode haver
mudanças ainda acontecendo, né? Você
pode ter eh revir voltas, uma descoberta
de uma nova tecnologia, eh
um descobrimento de de mais petróleo, o
que ali. Então, essas previsões são um
pouco mais incertas também. a previsão
sobre a volta à multipolaridade e há tem
bastante eh incerteza envolvida na casa
demográfica na parte demográfica.
>> É
>> eh
>> não tem como. Aí a minha preocupação é
que esse período pelo qual a gente tá
passando agora,
>> que assim todo político quer dificultar
a imigração. Entendo, se eu fosse
político, provavelmente também.
>> Por quê? Eh, é porque existe uma
percepção, eh, não é na Europa,
sobretudo na Europa, nos Estados Unidos,
existe uma percepção
>> eh de que eh imigrante ou rouba emprego
ou traz o crime ou perde a identidade.
Apesar de que
>> já ouvi esse esse cálculo, né? Daqui a
não sei quanto tempo terão menos
pessoas. É, apesar de que quando você
olha os números, tanto na na na no
âmbito do crime assim, é muito difícil
fazer um argumento consolidara,
>> não de toda a Europa, você na tem uns
pontos que tão gente tá indo pra rua,
né, fazer manifestação,
>> não sempre assim, tem manifestação, etc.
Mas assim, eh,
por exemplo, é é é muito difícil e esse
essa essa argumentação de que aumenta o
crime por causa dos migrantes é mais
narrativa do que não não se sustenta na
na realidade, assim. Eh, da mesma forma,
eh, a Alemanha vai ficar um será um país
muçulmano, assim, eh, o, o, o, o Islã
representa assim 2% da população. A
gente não tá nem perto
>> de uma transformação hoje eh sugerida
por eh vozes mais nacionalistas.
Mesmo assim, até a esquerda hoje na
Dinamarca, por exemplo, defende uma
política mais rígida,
eh, mais criteriosa de controle de
fronteiras. Por quê? Porque você hoje,
se você não adota esse discurso, você
perde ele
então tem que também a a opinião pública
dominante hoje é que é preciso proteger
as fronteiras, né? Eh, e aí eu acho que
o grande desafio político daqui a, sei
lá, uma década, quando realmente a crise
demográfica bater para lá ler, é achar
uma solução para esse dilema, né? Eh, eu
acho que impreensível, as pessoas se
preocupa com a migração, etc., faz
parte. Ou seja, não não não é não dá
para minimizar essa preocupação.
Eh, mas também não dá para negar que sem
essas pessoas
a sociedade não funciona. Eh, e como
você mesmo diz, você não vai achar um
americano disposto a cortar grama eh até
mesmo na casa do Donald Trump, onde quem
cuida da da casa não são americanos.
>> Esse amigo meu trabalha com isso. Ele
trabalha com reforma, com decoração, com
construção e é só imigrante. Só
imigrante.
>> É. E tem uma coisa assim, eu devo dizer
eh, que imigrante tem que, eh, a
população local de repente não tem, é
essa,
>> eu vejo isso, essa essa vontade de
trabalhar loucamente, de ter que se
estabelecer.
>> Eu vi isso muito na comunidade
brasileira, assim, em Boston também, em
Washington. É uma coisa muito bacana de
você ver assim, explica brasileiro. O
>> o dinamismo é é que o cara não não tem
paz para bancar. Ele
>> chegou lá sozinho,
>> não tem distração, porque às vezes tá
sozinho, tá focado,
>> tá sozinho, precisa mandar grana pr pra
família que tá no exterior. Então assim,
uma pessoa muito disciplinada, muitas
vezes é é muito focada e e muitas vezes
é empreendedora, porque não tem
geralmente não tem eh possibilidade de
trabalhar no setor público, né? Você não
pode, você não pode chegar no país e
virar, sei lá, eh, juiz. Não tem jeito.
Você você precisa da da cidadania, às
vezes você tem que ter nascido no país.
>> Então você não pode entrar nas Forças
Armadas, apesar de ser um grande eh
empregador nos Estados Unidos. Então o
cara faz o quê? Monta uma empresa, né?
Eh, cria uma rede e tal. E se quer um,
eu contei isso aqui antes, né? Se
qualquer concerto da sua casa em Boston,
quem vai fazer é um brasileiro.
>> É,
>> né? Então, eh, eu acho que o a grande
dificuldade tanto pra direita quanto pra
esquerda, será desenvolver uma
estratégia
de conseguir ter acesso a esses a esses
a esses eh essa mão de obra, evitando
essa reação nacionalista que a gente tá
vendo em vários países hoje. E aí, eh,
o que tentaram até agora fracassou. A
própria Alemanha fez uma coisa em
retrospectiva meio engraçada, mas assim,
totalmente realista. Nos anos 60 tava
crescendo muito e precisava mão de obra
nas fábricas. Fez o quê? Negociou
acordos com a Turquia, com a Itália, com
a Espanha, mas sobretudo com com a
Turquia e a Itália para trazer mão de
obra para Alemanha. e chamaram isso de
trabalhador temporário, guest worker, ou
eh como se essas pessoas iam ficar só 5
dias, 5 anos ou 10 anos e depois voltar
aos seus países de origem. O que
desconsidera por completo que um ser
humano se traz o ser humano, ele não só
trabalha numa fábrica, ele se casa e tem
filho. E o governo da Alemanha nunca
pensou o que que a gente vai fazer com
essas pessoas, esses filhos que nascem
na Alemanha e crescem falando alemão, a
gente manda eles de volta? Não, não tem
jeito.
>> É,
>> então se cria e e
então tem até agora alguns governos
propondo coisas parecidas de que você
traz alguém para trabalhar, só que
milagrosamente essa pessoa não vai
querer ficar. É óbvio que essa pessoa
vai fazer amigos, ela vai comprar uma
casa, você não pode impedir isso. Eh,
eh, entendeu?
Eh, então o o o no sul dos Estados
Unidos, o governo americano incentiva um
pouco essa coisa do do mexicano eh que
mora no México passar o dia nos Estados
Unidos trabalhando lá e à noite ele
volta para pra sua casa. Mas isso
funciona numa região muito pequena da da
fronteira, né? Mas a eu ainda acho que
ao médio prazo, a pressão do setor
privado nos Estados Unidos será o
suficiente para achar algum modelo com
cotas muito específicas
que cada setor privado manda anualmente
o que precisa
e qual é a divergência entre o que está
no mercado. Nos Estados Unidos tem um
desemprego muito baixo. Eh, e, ou seja,
cada setor privado manda para o governo
americano eh a sua demanda não atendida
de mão de obra e aí a política de
migração se organiza a partir dessa
divergência para que a população veja
claramente, olha, pessoa tá tá tá
chegando, ela tá chegando devido a essa
demanda por mão de obra
>> que existe no nosso país e a gente
precisa ter de de certa forma atender.
Eh, o Brasil também vai ter que pensar
como atrair e gente e
>> pois é,
>> porque também tem essa questão e
populacional de declínio demográfico.
>> Cara, Brasil é estranho acontecer isso,
né?
>> Não, e assim, a queda é é é sem
precedentes, né? Você tinha e e
você tinha eh a taxa assim de depis.
Então essa é uma questão pouco eh
difícil, que evoca muitas paixões, né?
Sim, o principal
fator,
a principal mudança estrutural é que as
mulheres hoje eh t acesso à educação e,
portanto, também eh o o potencial de eh
entrar no mercado de trabalho. Isso é
algo maravilhoso, super importante.
>> E quando eu eu falo disso, tem alguém,
ah, então você é culpa das mulheres.
Não, não é, é fundamental
>> porque muitas vezes, obviamente, você
tem uma situação em que
>> o o os pais, os homens eh não tem uma
visão, talvez um pouco anacrônica de que
eles não precisam assumir tantas tarefas
assim em casa. Só que o mundo mudou e as
mulheres, em vez de ficarem em casa, t
suas próprias profissões e não tão com
razão dispostas a carregar o piano em
casa. Não é só a ajuda aqui, faz um
pouquinho aqui, é o o os pais terem que
eh compartilhar mais eh as funções em
casa e muitas não estão dispostas.
Então, a gente hoje entra numa situação
em que eh muitos eh casais, né, mãe e
pai trabalham
eh com o bom desempenho das mulheres nas
escolas e nas nas universidades. Às
vezes é a mulher que tem um trabalho
mais importante que o o pai, né, o o
homem.
Só que aí você tem uma guinada eh mais
conservadora entre muitos homens que
querem eh voltar a um mundo que não
existe mais, em que o homem traz
dinheiro e não precisa fazer tanta coisa
em casa. Então assim, essa renegociação
Homer, ouviu, Romer? Estão falando de
você, cara.
>> Pois é, cara.
>> Você ajuda em casa?
>> Ah, rapaz, se eu não ajudasse já viu,
né?
>> É,
>> mas na verdade deixou de ser ajudar, né?
Porque muitas vezes eu quero falar, mas
eu ajudo, eu eu fiz isso, aquilo. Não é
realmente assim, eh,
>> né, carregar o piano mesmo e se
coordenar, você também liderar,
obviamente, porque eu sei que você faz
isso, né?
>> Provavelmente, provavelmente,
>> provavelmente,
>> provavelmente.
>> Eu acho que sim. Então, assim, conta
assim,
>> eu acho que isso requer uma um
renegociação que é muito difícil, né?
Eh, eh, e na, na Coreia do Sul, né, o
país que mais acompanho nesse quesito,
você tem muitas mulheres que me
disseram: "Cara, eu não quero ter filho
porque eu quero uma carreira e os homens
com os quais eu me relacionei não estão
dispostas a abrir mão desses privilégios
históricos que tinham de não ter que se
preocupar com a a a criação dos filhos,
etc. Não não pô mão na massa em casa." E
imagino também que na China também agora
que tem grana rolando de os caras e as
mulheres quererem viver mais tempo
solteiro e aproveitando o dinheiro que
tá recebendo.
>> É. E agora o discurso do governo chinês
é muito interessante, né? Que o
>> você viu que que agora eles estão
incentivando, desculpa, não perde a
linha de raciocínio, tá, Oliver? Mas só
uma coisa que a gente fez um programa
sobre a China de pessoas que moraram lá
e tal, incentivando
eh tanto eh o homem ser mais masculino,
né, por causa do exército, tal, e tinha
aquela coisa mais andrógena do do K-pop,
daquela coisa de ser.
>> E outra coisa também é é derrubando
perfis de pessoas que eh exibiam luxo na
internet.
>> Sim. Muito interessante. Muito
interessante. Por quê? Porque essas
pessoas estavam eh criando uma falsa
realidade e e as pessoas
>> é muito interessante ver isso é um super
tema à parte assim eh quais como por
meio da censura a China eh tenta moldar
eh o discurso público, né? E
>> é não ter ostentação, por exemplo.
>> É, então ostentação virou um problema.
Ou seja, de outra forma, quando a
economia cresce a 10%, ostentação não é
um problema tão grande assim, porque
todo mundo tá ficando mais rico,
>> tem mais acesso.
>> Então assim, você vê outra pessoa com
muita grana é mais aceitável enquanto
você a sua o seu solar também tá tá
melhorando também,
>> né? E e a gente já falou disso aqui. Eu
eh até ficava impressionado sempre que
meus meus amigos chineses que são
professores de faculdade trocavam de
carro toda hora, tavam começando a
viajar mais.
>> Então tendo uma vida boa. E aí
obviamente numa num ambiente desse,
>> você eh o o cara que exibe sua riqueza e
e abraça uma comunicação, é uma
estratégia de ostentação nas redes, ele
não representa um problema. Agora, hoje
o crescimento chinês caiu muito e em
parte, aliás, já lidando com a questão
eh demográfica, né? Eh, mas também
porque essa grande vantagem que a China
tinha de mão de obra barata, hoje já não
é mais assim. O trabalhador chinês ganha
bem mais do que, sei lá, no Banglade.
Então, eh, essa equação de fazer fazer
investimentos na China já não é mais a
mesma de anos atrás.
Eh, então a ostentação hoje ela carrega
um traz um risco maior, porque esses
colegas meus que antigamente até 2015
por aí eh tavam com a vida cada vez
melhor e um apartamento cada vez maior e
férias cada vez mais bacanas, etc. hoje
estão já numa situação de maior
estagnação. Então, o governo tá reagindo
inclusive para proibir que em eventos
públicos seja consumido eh sejam
consumidos bebidas alcoólicas do
exterior. Eh, porque isso pode causar um
uma raiva na população e dizer: "Olha, o
por que o burocrata chinês tá tomando
champanhe da França enquanto a economia
não cresce,
>> né?" Tá? Então tem isso.
Em relação à baixa taxa de natalidade, a
China adotou uma estratégia ao MV
equivocado de reafirmar, incentivar o
papel tradicional da mulher.
Eh, então é, então tem muito muita coisa
que o governo de de de pronunciamento
dizendo, olha, eh, aqui é a família
tradicional e tal, que assim, eh, para
muitas mulheres ambiciosas, com razão,
não aquilo não é atraente entrar numa
situação inevitavelmente de dependência
eh com o o marido. Então, tem muita
mulher diz: "Olha, isso aqui isso eu não
não é não é para mim. Eh, eu quero uma
carreira.
Se surgir um homem que tá disposto a ter
um filho ou filhos, criar conjuntamente,
dividir as tarefas, o cara também tem
emprego, tem um emprego, a gente se
apoia, beleza, mas eu tem a maioria das
minhas amigas da minha idade na China
não tem filho e diz: "Queria muito ter
tido filho, mas também não quero viver
uma vida de de mãe que ficar em casa só
cuidando de de filho,
>> né?" É, então e eu acho que a solução aí
passa para um, não tem solução fácil,
mas eh certamente não passa para um
processo de tentar trazer de volta a
família tradicional. Uma situação em que
os em muitas faculdades eh cada vez mais
você tem as as mulheres eh obtendo
resultados melhores. Inclusive você tem
hoje mais mulheres se formando nas
universidades do que homens.
Isso onde? No mundo inteiro ou na mundo
inteiro? Quase mundo inteiro. Assim, nos
Estados Unidos e na eh China também. Na
China você já tem um desempenho
acadêmico em algumas áreas superior. Eu
não sei hoje, eu não tenho esse dado se
você tem mais mulheres se formando,
>> tá?
>> Mas nos Estados Unidos definitivamente é
assim.
>> Eh, então também para pensar em
crescimento da economia como um todo,
seria uma loucura você
>> não contar com
>> não contar com esse potencial. você tem
que botar essas pessoas para para
contribuir. E é ótimo que que aos poucos
a as mulheres tenham as mesmas eh
oportunidades. Por pesquisas, a a as
mulheres estão são menos propensas a
entrar em guerras, né?
>> Essa não tem isso.
>> Isso é uma grande discussão acadêmica, é
que inclusive eu tenho em casa há muito
já, já. Mas,
>> então não é uma verdade.
>> Não, não, não. Assim, eu não tô dizendo
que não seja verdade. Tô dizendo que
existem eh teorias eh eh as as teorias
dominantes na na área de relações
internacionais, como o realismo, por
exemplo, eh não considera fator o fator
de gênero como decisivo, porque eh
enxerga o o diz que a causa de eh de de
conflitos é é por causa de fricção de
interesses, choque de interesses entre
nações. e não importa se
>> é uma primeira ministra ou um primeiro
ministro,
mas existem outras teorias que eh
mostram exemplos em que, por exemplo, a
participação de mulheres em e mediações
de paz em guerras civis pode ter um
impacto positivo. Então, eh eu acho que
não há um consenso a respeito.
Certamente,
eh, espero que a o número de mulheres em
processos internacionais de mediação
sobre guerra e paz e aumentará ao longo
eh dos próximos anos, porque apesar do
grande avanço de mulheres nas
universidades, na geopolítica,
o número de mulheres as mulheres estão
totalmente superrepresentados,
>> né? No gabinete de Xinping, por exemplo,
é mais de 90% homem.
Eh, encontro de assessores de segurança
nacional do Brick. É uma loucura.
Geralmente você tem uma mesa gigante
e quem tá sentado são os homens e quem
traz as bebidas e tal são as mulheres,
né? Então isso a gente precisa aguardar
para uma situação em que essa
transformação ocorra para testar essa
teoria. Entendi.
>> Eh,
infelizmente esse avança bem bem
devagar, porque sobretudo agora,
eh, eu diria que nos Estados Unidos você
tem uma um ganho de influência do
Pentágono e uma perda do Departamento de
Estado, que é o equivalente ao itemati,
né? Lá você já tem muitas mulheres. No
Pentágono
ainda eh tem poucas mulheres em posições
de destaque. Então, justamente quando no
Departamento de Estado você tinha o
surgimento de mais mulheres, esse
departamento tá sendo eh escanteado com
o surgimento do Pentágono como real
centro de decisões de da política
externa americana, né? Mas vamos ver,
vamos ver. Eu acho que é sobretudo na na
Ásia ainda tá a gente tá muito longe. É
muito raro
ter uma interação com atores chave na
geopolítica na Ásia que que sejam
mulheres. Mas a primeira ministra do
Japão, Takacait,
>> é acabado de se de se eleger. Então isso
é um caso que merece atenção para verza.
Eh, mas ela tem uma bstura bastante eh
firme em relação à Alemanha também.
>> Tacait é um caso muito interessante eh
para para acompanhar. Ela tá uma postura
>> tentando equilibrar e a tensão entre
China e Estados Unidos. Então, depende
pra sua próxima viagem. Já teve no
Japão?
>> Não, minha é minha próxima viagem. Eu
sonho. É,
>> não tenho nada programado, mas eu quero
muito ir para lá. Depois de China é
Japão, com certeza.
>> Legal, legal. Vamos vamos conversar,
porque eh eu também eu eu quero muito
agora levar meu filho pra Ásia ali, não
não conheço ainda.
>> E eu acho que Japão é um um país ideal
também por por eh inclusive para viajar
com com família.
>> Também acho.
>> Ô Romer, comigo
>> dúvidas dúvidas. Olha, tem a pergunta
aqui do oposto de si mesmo.
Isso é criativo.
>> Muito bom. Assim mesmo,
>> ó. Ó, Oliveira, pouco tempo atrás teve
um ataque hack no Brasil que atingiu a
Defesa Civil em diversos estados. Você
acha que o Brasil está mais vulnerável a
ataques que podem causar pânicos e
desestabilizar o Brasil financeiramente?
>> Sim, acho que sim. Eu acho que inclusive
é uma ótima pergunta
e
América Latina sendo uma região de baixo
risco geopolítico,
eu acho que nós faz às vezes um pouco
cria um um risco de negligenciar
eh qualquer tipo de ameaça à segurança
nacional. Eh, enquanto se você lê um
jornal hoje na França ou na Polônia,
fala de guerra, fala de da necessidade
de de aumentar eh resiliência de de como
a população deve reagir, se se houver um
ciberataque, é muito presente na
discussão pública, né? Eh, e é preciso
gerenciar isso sem cair numa paranoia,
né? Porque as pessoas hum eu, por
exemplo, se eu acho que a Polônia vai
entrar em guerra nos próximos 5 anos. Eu
eu acho que é um risco baixo, mas é um
risco
>> e é preciso
>> aos poucos trazer isso para a discussão
pública. Aqui no Brasil essa discussão
dessa forma ainda não existe. E eu
concordo que é preciso
priorizar isso, seja qual for o próximo
governo do Brasil, precisa ter uma maior
ênfase em eh resiliência digital
eh e conversas mais frequentes sobre
como proteger eh o sistema público eh de
ataques, seja do crime organizado,
ataques cibernéticos do crime
organizado, seja de potências
eh estrangeiras.
H,
então isso isso é um assunto importante,
sobretudo porque
isso é algo positivo. O Brasil é muito,
a sociedade brasileira é muito disposta
a adotar novas tecnologias. É
maravilhoso isso. Na Alemanha é o
contrário. Você tem uma resistência
enorme, enorme, assim, as pessoas eh no
outro dia eu conversei com alemão que
mora em São Paulo, ele ficou chocado,
falou: "Eles querem tirar minha foto eu
para para eu ir no dentista lá no na
entrada do prédio, eles queriam tirar
minha foto." Ele falou: "Cara, que isso?
Tem que tirar foto". Ele: "Não, não,
não, não quero, não quero que ninguém
te". É porque por questões de
privacidade.
>> Então assim, achei muito interessante
esse choque assim de
>> é, eu já tipo nunca pensei que isso
poderia incomodar alguém, mas assim,
aqui tem uma postura mais tolerante em
relação a possíveis riscos à
privacidade, etc.
>> Sim.
Então, enquanto os alemães são
excessivamente
eh receosos, eu acho que em relação a
isso, o Brasil às vezes tá um pouco eh
do outro lado, essa essa disposição,
ela não pode fazer com que o Brasil
deixe de priorizar também eh a defesa
contra possíveis riscos associados a
essas novas tecnologias.
Eu, por exemplo, não tenho dinheiro na
eh não tenho não uso dinheiro em espécie
há muitos anos. Eu também
>> deixei de usar, na verdade, com o o
início da da pandemia. Acho que
>> só uso mesmo quando vier pro exterior.
Olha que louco.
>> É, mas eu mesmo eu digo, olha, seria um
erro o Brasil acabar com o dinheiro
>> em espécie. Porque por quê? porque
precisa eh ter um plano B em caso de um
grande ataque cibernético.
>> Então, acho que existe aí uma grande
vulnerabilidade que precisa ser
endereçada tanto por parte de empresas
quanto por parte de
eh
dos estados, municípios e do governo
federal.
Tem uma pergunta da Juliana Perseguim.
Ela mandou o seguinte: "Vejo que o
Brasil está sempre de fora de situações
importantes no mundo, catando migalhas
do que vem ou dos Estados Unidos ou da
China. Na sua visão, o Brasil poderá ter
uma chance de se impor no tabuleiro da
geopolítica?
>> Sem dúvida. Olha, em primeiro lugar,
comparado com muitos outros países, o
Brasil tá muito presente, né? Se você
olha para qualquer outro país da América
Latina,
o Brasil, na verdade, tá bastante bem
representado, né? O o presidente do
Brasil acaba de participar do G7, eh,
que é um um grupo bastante exclusivo.
Eh, o o o caso brasileiro
é muito estudado, seja na questão da
governança da internet, onde o Brasil
tem voz, né? O Brasil acaba de firmar
uma parceria, eh, aliás, super
interessante sobre IA. Eh, o Brasil
acaba de, eh, firmar uma parceria com a
União Europeia sobre o uso ético da IA.
>> É mesmo,
>> eh, que envolve discussões anuais sobre
como
desenvolver uma uma regulação sem
abafar, sem impedir a inovação, que é o
grande drama agora, né? O o Milei, por
exemplo, eh tá propondo liberar geral,
inclusive permitir a criação de empresas
lideradas por algoritmo, sem
participação humana, empresas de
responsabilidade limitada,
o que obviamente causa uma grande
pergunta sobre quem paga conta se essas
empresas eh erram, né?
Eh, então o Brasil é visto como parceiro
fundamental nessas grandes discussões
sobre o futuro.
E na minha visão, cada vez mais quando
há uma discussão sobre o futuro da o
futuro da guerra, o futuro da como lidar
com mudanças climáticas em qualquer
lugar do mundo, há uma demanda por uma
participação do Brasil. É muito mais do
que qualquer outro país da da região.
Isso não quer dizer que o Brasil possa
fazer mais. E eu
acho que existe um potencial aí,
sobretudo nos seguintes, eh, nas
seguintes áreas. Primeiro,
eh,
a revolução da IA causará uma demanda e
exclusiva por energia, né? Eh, e o
Brasil tem um é um grande fornecedor de
energia, eh, inclusive energia
renovável, eh, eletricidade. Então, isso
e acho que torna o Brasil um grande
player para receber datas centers, por
exemplo.
Eh, o Brasil também tem muitos dados,
eh, grandes modelos de IA precisam de
dados. Brasil tendo o maior sistema de
saúde pública do mundo, maior sistema eh
livre, né, de livre acesso do mundo, tem
informações que podem ajudar muito
eh eh na na pesquisa sobre saúde global,
né? Eh, agora sempre é preciso pensar
assim, o que que o Brasil pode ganhar
com isso, não é só fornecer essas
informações. Eh, então, nessa área, eu
vejo o Brasil como um um um ator chave e
eu nunca me canso de dizer
a América Latina eh receberá cada vez
mais investimentos e atenção por ser uma
região livre de tensões geopolíticas.
O Brasil é o único grande país do mundo
que não está aumentando radicalmente,
que não tem que aumentar radicalmente
seus gastos em defesa, porque a porque
conseguiu ao longo dos séculos
estabelecer uma relação respeitosa com
seus vizinhos. Poucos países conseguem
fazer isso, ou fizeram isso da mesma
forma. Então isso dá ao Brasil uma
oportunidade de engajar como ator neutro
de uma forma que poucos outros países
conseguem. Então, vejo na diplomacia um
potencial eh bastante grande também. E
por fim, na transição energética
eh não tem como discutir isso em o
Brasil. Eh, aí não é só o Brasil
participar, é o Brasil sediar reunião,
pautar agenda. Então, eu sou bastante
otimista em relação ao à participação
brasileira
eh em negociações diplomáticas,
mas isso não quer dizer que em toda a
negociação o Brasil pode deve estar
sentado à mesa, né? na na guerra no
Oriente Médio ou na Ucrânia, eu não vejo
o potencial, é mais eh nos bastidores,
em em negociações técnicas onde a
participação brasileira é fundamental.
>> Tem a pergunta do Felipe Augusto, ele
quer saber o seguinte: o Brasil possui
uma quantidade significativa de terras
raras. Isso pode fazer com que o nosso
país dê um salto tecnológico e fique
mais independente de produtos chineses
ou americanos?
Me parece que
as terras raras, sim, representam uma
oportunidade enorme para o Brasil, dá
poder ao Brasil. Inclusive, isso foi um
dos motivos pelos quais os Estados
Unidos recuaram no ano passado na na
campanha de pressão contra
>> o
>> ou talvez fizeram a pressão para
conseguir alguma coisa, né? Eh, eu acho,
na verdade, eu acho que foi mais o acho
que o início da campanha de pressão foi
realmente uma questão mais ideológica
para para
>> para
obter ganhos específicos na política
interna eh brasileira, mas eu recuo em
parte ocorreu,
porque os Estados Unidos entenderam que
está tem uma má relação com os dois
principais fornecedores de terras raras,
China e Brasil, seria eh um problema.
Agora, não, a, eu queria muito que o
Brasil pudesse controlar toda a cadeia,
eh,
desde a extração e, e, e, e o
processamento e o desenvolvimento de
tecnologias de ponta na área de imãs ou
ou defesa ou tecnologia renovável, que
que são que tem esses essas terras raras
como componentes chave. Mas isso é algo
que hoje não me parece ser viável. Eh,
então isso, ou seja, o Brasil sozinho
contrato da cadeia não é viável.
É preciso que o Brasil se torne um ator
chave e talvez até dominante em certos
nichos, em certos trechos, em certas
partes da cadeia. Eh,
alguns chamam isso de super potência de
nicho. Se você controla um certo nicho,
todo mundo precisa de você.
Eh, você também precisa de outros atores
para eh conseguir para que esse produto
seja desenvolvido, obviamente. Então,
acho que é é por meio de grandes
investimentos, sim, mas também
preservando as parcerias necessárias,
inclusive para atrair o capital
necessário. Mas é uma área de de grande
eh de grande promessa. existe uma certa
pressa e urgência, porque
países ao redor do mundo que se
incomodam com a concentração de poder
que detentores das terras raras têm,
estão investindo muito na eh no
desenvolvimento de tecnologias que não
dependem dessas terras raras, né? Eh, os
Estados Unidos, por exemplo, emprega IAR
para tentar desenvolver tecnologias que
não dependem de terras raras vindo da
China ou do Brasil. Então tudo isso só
para dizer, as terras raras
geram oportunidades,
mas isso pode ter uma janela de
oportunidade mais curta, mais rápida do
que deter petróleo, por exemplo, porque
apesar de toda a inovação tecnológica, o
mundo ainda precisa de petróleo. Agora,
eh, e no que diz em relação às terras
raras, eu acho que, eh, alguns alguns
dessas terras raras precisam ser
extraídos ao longo da próxima década,
porque pode ser que daqui a uma década
essa terra rara perderá seu seu valor.
>> Pergunta do Ramon da Silva. Mesmo com o
desligamento da IA da Antropic, você
acha que poderá surgir novas IAs que
podem invadir sistemas com facilidade e
colocar em risco as defesas militares
globais?
>> Sem dúvida. Eu acho que isso é não é uma
hipótese, isso é um cenário eh não não
deus
>> se, mas quando. E por isso que
o setor de defesa do Brasil precisa
passar por uma transformação focado eh
em como se defender de ataques desse
tipo. tem uma diversificação brutal,
eh,
de uma, eu até diria que
o país precisa, por exemplo, se tiver
uma grande parceria em um setor, não,
eh, com um determinado país, precisa
escolher um outro país para o restante
da da sua segurança nacional. Ou seja,
não pode haver uma situação de
dependência. Então, tem uma grande
cooperação com a Suécia, eh, no âmbito
do de caças, com os Estados Unidos no
âmbito da inteligência, precisa então
trabalhar com os britânicos para as
fregatas e e os franceses para
submarinos e eh o a Coreia do Sul e a
Ucrânia para m e drones e mísseis. Ou
seja, eh, aquilo é é é crucial e me
parece sim esse esse um risco real que
não é suficientemente apreciado pela
opinião pública.
>> O Diego Alencara, ele quer saber o
seguinte, tem muita gente e tem muita
gente normal ficando viciada e
acompanhar guerra como entretenimento na
internet. Isso muda como a forma eh como
a sociedade enxerga morte e violência e
sofrimento.
>> Eu percebi essa mudança, Oliver, quando
a CNN
>> começou a cobrir a guerra do Golfo,
lembra que você começava a ver aquilo 24
horas, updates e aí a guerra se tornou
quase um reality show, né? que a gente
não tinha acesso antigamente, na época
dos nossos pais, era aquela coisa no
cinema antes do filme ou pelo jornal,
por declaração. Hoje em dia você tem o e
e depois da Guerra do Golfo, agora a
rede social que você tá vendo e imagens
dos próprios soldados às vezes, né?
>> É, é, eu eu
faço questão de beijar muito nos Estados
Unidos para porque é um país com muitas
diferenças eh regionais. Eu eu eu jantei
na casa de um de um conhecido, na
verdade, de um familiar de um conhecido
que E aí a gente tava jantando e durante
todo o jantar tinha uma um um desses TVs
gigantes.
>> Sim.
>> E tinha assim um interno de vídeos
>> gravados.
Eh, eu eu ele depois me explicou. vídeos
gravados por soldados eh eh ucranianos
ou drones ucranianos mostrando cenas de
combate. Eu falei: "Por que você tá
assistindo?" Isso
>> é uma coisa meio esquisita, mas assim,
foi exatamente isso. O cara, por
entretenimento durante o jantar, quis
assistir drones assim caindo em alvos,
prédios explodindo assim, fiquei assim,
>> mas são cenas reais de guerra assim que
uma coisa é exatamente, mas tratou como
se fosse, né? E e e isso eh,
bom, certamente
é preciso de uma certa conscientização
que aquilo pode ser interessante para
fins de análise ou notícias, mas não
deve ser
entretenimento, né? Eh, mas isso
certamente vai o o o material disponível
vai aumentar brutalmente, porque cada
vez mais eh com com a chegada da
internet eh omnipresente, né, de
satélite,
eh nós teremos eh acesso total
basicamente, né, com com todo o ambiente
sendo firmado. Isso em alguns casos eh
pode ser positivo, né, para, por
exemplo, e poder identificar massacres,
violações de do direito internacional,
>> eh mas ao mesmo tempo eh traz essa e
produz esse avalanche de material
acessível para todos, né? Eu acho que
nesse contexto eh é é fundamental também
pensar sobre algumas barreiras para
evitar que pessoas muito jovens sejam
expostas a a esse tipo de de material,
inclusive para para evitar o
>> uma criação de algum tipo de glamor, né?
Inclusive tem ocasionalmente eh
brasileiros que morrem no conflito na na
Ucrânia. Eh alguns deles, alguns
latino-americanos são eh induzidos a a
participarem por questões financeiras,
né? um caso colombiano, que tem uma uma
um grupo um grupo grande de policiais e
militares com experiência de combate que
são contratados, isso também é um
problema, mas tem também gente que
assiste aquilo e quer participar.
>> É,
>> eh, então já tem um número considerável
de de brasileiros que que
>> viram mercenários e eu acho que a a a o
controle desse desse material é
fundamental, inclusive, para combater
esse esse fenômeno.
>> Com certeza. Com certeza.
>> E a pergunta de Ricardo Maxuda. Quando
os governos e empresas falam em combater
a desinformação usando IA e vigilância
digital, existe o risco de a desculpa da
segurança virar uma ferramenta de
controle social?
>> Sem dúvida. E também há um risco de que
você entrega a uma empresa um poder
indevido, né, de controlar eh quais
informações podem circular, quais não.
Esse é um problema muito grande.
Inclusive,
alguns falam de uma ordem tecnopolar,
em que você tem uma ordem multipolar,
não só de várias potências, mas em que
empresas de tecnologia se tornam tão
poderosos que eles representam polos
independentes de poder.
Isso ficou muito evidente no caso do
Starlink, né? O Elon Musk tem um poder
enorme sobre eh a guerra na Ucrânia,
porque agora a Rússia tá em desvantagem
clara, em parte porque não tem acesso à
internet via satélite e a Ucrânia tem
uma uma vantagem por ter um melhor
acesso além, obviamente, a sua inovação
tecnológica que vem avançando. Então,
eh, o o um governo eh
contratando uma empresa para lidar com,
vamos dizer, o o combate contra a as
fake news é, por um lado, necessária,
mas também eh requer que o governo
continue eh controlando o que essa
empresa faz nesse âmbito que é de
interesse público, né? Eh, então
eu acho que ao longo dos próximos anos
haverá em algum momento tentativas de
quebrar eh ou de reduzir o papel eh o
poder eh de algumas grandes bigtecs eh
nos Estados Unidos. E o caso brasileiro
ou francês ou alemão é é ainda mais
complexo porque são empresas
estrangeiras, né? Eh, um problema é você
ter uma empresa americana acumulando
poder excessivo nos Estados Unidos. Aí
tem legislação que você pode adotar, no
caso, eh, por exemplo, brasileiro, isso
envolve também uma uma relação bilateral
que o país precisa eh gerir. E a Europa
tá em meio a essa essa batalha agora eh
tentando controlar mais empresas
tecnológicas, sobretudo americanas. E
isso tem um real potencial de causar uma
crise bilateral. Então isso eh é uma
prioridade estratégica, sem dúvida, de
país ao redor do mundo.
>> Aqui foi,
>> Oliver, acho que a gente,
cara, foi bem completo nesse assunto.
Gostei bastante. A gente conseguiu
esmçar bastante coisa e eu acho que nos
comentários o pessoal vai elogiar
bastante a a sua capacidade realmente de
colocar esses cenários na mesa. Então,
obrigado demais mais uma vez. Obrigado
pelo convite. E agora vamos voltar a
acompanhar a Copa, né?
>> É, torcer, né? Obrigado demais, Oliver.
É, recados aí, redes sociais e site, o
que livros, o que você quiser.
>> Então, o livro te falei, né? Ainda eu tô
>> Como que tá?
>> Ah, eu tenho eh eu tenho bastante
material acumulado, mas de novo eu tô
com uma dúvida genuína sobre eh
>> envelhecer como um leite, né?
>> Não era é porque tá mudando muito
rápido, né? Ah, é, é basicamente a
principal preocupação é como a e a e a
concentração de poder eh
nos Estados Unidos e na China, nesse
âmbito, impacta eh o poder de outras
potências que eh que eu tô descrevendo
no livro, né? Então, preciso aguardar um
pouco, mas eu eu quero muito terminar
esse livro até o fim do ano. Eh, quanto
mais crise geopolítica, menos eh eh
menos tempo você tem aí para escrever
durante uma tarde, tranquilamente, tomar
no seu café, teixam em paz,
>> porque quando surge a instabilidade, aí
vem eh atores da política, empresas. por
exemplo, eh, boa parte da última semana
eu atendi empresas que estão pensando em
investir na Venezuela.
>> Ah, é?
>> É empresas, muitas empresas agora
americanas estão dão de olho e tal. Eu,
na verdade, eu tinha um plano de viajar
agora no, no na semana e que vem para
pra Venezuela, mas eu eu decidi adiar a
viagem eh por causa dos terremotos, né?
>> Quando você vai em loco, por exemplo,
você vai falar com que tipo de pessoa lá
para entender o cenário? com com
representantes do governo e agora o
governo Delsy Rodrigu tá super aberto,
inclusive quer se projetar como
>> um governo que estável, que quer atrair
investimentos.
>> Se quiser fazer um trabalho pra gente,
sempre abra abra abra um contato da
gente entrevistar pessoas importantes lá
e o a gente vai até lá.
>> É legal, legal. Super interessante
atualmente. Infelizmente agora é
situação terrível, né? um alto custo
humano.
>> Aí você fala com a oposição, uma parte
considerável da oposição tá em
Washington. É fácil, mas mesmo assim
você não consegue realmente sentir o que
vai acontecer sem estar no país.
>> Imagina
>> tudo isso para dizer que essa é esse é o
projeto de livro. Agora e eu tento
postar diariamente no Instagram. Esses
vídeos também vão para o LinkedIn, para
o TikTok, pro Tele, Telegram e o
Substack. Eh, mas é o o mesmo conteúdo,
então pode escolher livremente Oliver
Stunkel.
>> Eh, igual no Então, eh, o primeiro lugar
onde eu posto geralmente é o Instagram,
>> tá bom? E aí vai para todo lugar. Então,
obrigado demais, Oliver. Obrigado vocês
que tiveram aqui com a gente e obrigado
você também. Ô, Romer, você tá com um
olho meio estranho aí, tá com alguma
sensibilidade aí?
>> É que hoje eu tô usando a lente, né?
Então, meio ressecado. Parece que tá
incomodando, né?
>> É, incomodaí, cara. Você enxerga bem com
a lente
>> agora com bem melhor.
>> Ah, é?
>> É bem melhor que o óculos.
>> Gostava me acostumar também com
>> é que para acostumar é complicadinho,
mas é is tá bem,
>> tô bem, tô bem.
>> Então tá certo. O que que você tem que
falar agora?
>> Bom, agradecer demais para você que
chegou no final desse papo. Se você não
deixou seu like, tá panguando, cara.
Deixa aí o like que foi maravilhoso, né?
Compartilha essa live com todo mundo. E
>> para provar que você chegou até o final,
>> fa um suspense. Vamos lá. Vamos lá.
>> O que que o pessoal coloca nos
comentários para provar que chegou até o
final desse papo maravilhoso,
>> ó. Para provar que você chegou até o
final.
>> Não faço ideia agora. Eu não faço ideia.
>> Taça de Lego.
>> Taça de Lego. Taça da Copa do Mundo.
>> Taça de Lego. Só que, cara, o pessoal
não vai entender nada ler taça de Lego
do nada. Então é isso. Escrevam taça de
Lego. Provem que vocês chegaram até o
final. Fiquem com Deus. Beijo no
cotovelo. Tchau. Que bom que vocês
vieram. Valeu.
As opiniões e declarações feitas pelos
entrevistados do Inteligência Limitada
são de exclusiva responsabilidade deles
e não refletem necessariamente a posição
do apresentador, da produção ou do
canal. O conteúdo aqui exibido tem
caráter informativo e opinativo, não
sendo vinculado a qualquer compromisso
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ofendido ou tenha qualquer
questionamento sobre as declarações
feitas neste vídeo, por favor, entre em
contato conosco para esclarecimentos.
Estamos abertos a avaliar e, se
necessário, editar o conteúdo para
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