História da Educação - A educação na formação do Estado brasileiro (LIBRAS)
[música]
Olá, estudante. Estamos na aula de
história da educação e nessa primeira
aula estudaremos a educação na formação
do Estado brasileiro.
Entre os objetivos gerais de nossa
disciplina estão refletir e aplicar os
conhecimentos trabalhados na disciplina
e em situações reais do contexto
educacional.
também compreender quem são os alunos,
quem são os professores, estudando as
condições nas quais essas personagens se
constituíram historicamente.
Identificar iniciativas, identificar
momentos chaves de criação e também de
desenvolvimento da escola laica,
pública, gratuita e obrigatória, mantida
pelo estado e destinada a todos. e ainda
refletir e aplicar os conhecimentos
trabalhados na disciplina em situações
reais do contexto educacional.
O objetivo dessa aula, especificamente
sobre a educação na formação do Estado
brasileiro é reconhecer quais foram os
principais marcos educacionais no
período imperial.
A educação na formação do Estado
brasileiro
nos leva a identificar três pontos
principais. O primeiro deles é como a
primeira constituição lá de 1824
tratou a educação. A segunda, como a lei
de 1827
tentou regulamentar o ensino e o ato
constitucional
de 1834
que mudou o rumo da educação no império.
Você já se perguntou como o Brasil recém
independente em 1822,
com a proclamação da independência e com
a sua primeira Constituição de 1824,
pensava a educação, quem naquele período
tinha direito de estudar e por o
professor comemora,
curiosamente o dia 15 de outubro como
dia do professor
desde o nascedor, A educação escolar no
Brasil já distinguia uma educação para
as elites, pautada no cultivo do saber
erudito, distinta daquela educação para
o povo, limitada ao saber necessário
para a produção e para o ofício. Essa
dualidade se observa claramente nessa
divisão entre a educação para as elites
e a educação para o povo.
A Constituição de 1824,
e aqui vai o primeiro detalhe, ela foi
promulgada no dia, foi outorgada,
imposta no dia 25 de março, daí o nome
até de uma famosa rua em São Paulo. E em
homenagem a isso, vamos lembrar de
outras coisas importantes. Será que a a
educação foi realmente
homenageada nessa constituição imposta
ou outorgada? Quais foram as primeiras
determinações educacionais?
A promessa de instrução primária existia
ali, tem o artigo 179, o item 32, que
trata da instrução primária
como gratuita a todos os cidadãos.
Fizemos questão de deixar na grafia da
época e dizendo que a Constituição
garantia a instrução em colégios e
universidades, aonde eram serão
ensinados os elementos das ciências,
belas letras e artes e também garantia a
gratuidade na educação primária.
a constituição e a instituição primária
gratuita a todos os cidadãos. Veja que
deixamos entre aspas, por quem era o
cidadão naquele período? Na Constituição
de 1824,
essa instrução primária gratuita a todos
os cidadãos eram destinados aqueles que
tinham o status de cidadão, ou seja, era
uma limitação do conceito. E o acesso à
instrução primária não derivava de posse
de renda ou propriedade, porém a
qualidade e o acesso real dependia da
classe social. Vamos ver que que era
essa restrição de direitos. A instrução
pública no império brasileiro, desde a
sua gênese, desde o seu começo, foi
marcada por uma profunda dualidade,
atendendo as exigências da elite e
negligenciando as necessidades do povo.
Ainda essa constituição tratava do
ensino primário das elites como
amplamente concentrado em,
primeiro escolas primárias particulares,
que eram instituições pagas, mantidas
por indivíduos ou mantidas por grupos
que ofereciam um ensino de melhor
qualidade, mais completo do que aquele
oferecido nas raras e precárias escolas
públicas provinciais. nos colégios
particulares também renomados, muitas
vezes tinha o foco principal no ensino
secundário, como foi o caso do histórico
colégio Pedro II, e ofereciam em suas
dependências aulas de primeiras letras,
que era o ensino primário, com qualidade
superior e um currículo bem mais
abrangente, preparando-os para o nível
secundário.
Havia também escolas religiosas mantidas
por ordens religiosas ou por mestres
renomados, que eram a escola
preferencial das famílias abastadas. E
as aulas ainda em casa com ensino de
primeiras letras, muitas vezes feitas
por mestres particulares ou às vezes por
preceptores contratados para dar aulas
nas casas das famílias ricas e
garantindo uma educação individualizada
e voltada para moral, para os valores da
elite.
O contraste que você via de qualidade
entre as escolas primárias está nesse
gráfico que colocamos para você. Vejam,
na coluna central está o ensino público
primário e na da sua direita está o
ensino primário particular. E quais são
as características? Vamos por partes. O
acesso legal nas escolas primárias de
ensino primário público era gratuito aos
cidadãos. Nesse conceito restrito do que
sejam cidadãos, que nós trabalhamos
bastante na sua apostila e nos materiais
que nós disponibilizamos para você.
E o ensino primário
[limpando a garganta]
particular era pago, mais acessível aos
mais abastados, ou seja, a elite. A
infraestrutura da do ensino primário
público era precária, funcionava em
casas alugadas,
com falta de material, já no ensino
primário particular instalações,
materiais didáticos de melhor qualidade.
o corpo docente na escola pública,
muitas vezes leigo ou com pouca
formação. Já no ensino primário
particular tinha mestres mais preparados
e em muitos casos eram religiosos. A
função social do ensino primário público
era preparar para um trabalho manual e
de boa ordem social ou para a boa ordem
social e da do ensino primário
particular. era preparar para o ensino
secundário e para a entrada nas
academias, direito, medicina,
a lei geral de 15 de outubro, daí a data
que nós falamos, né, da data que ficou
para a educação como dia do professor de
1827, foi quando nós tivemos a primeira
grande lei educacional. O aprofundamento
que nós temos é que essa lei foi uma
tentativa de regulamentação após 3 anos
de estagnação. Quais são os detalhes?
Criação de escolas de primeiras letras e
também da ambição do projeto. Ele visava
atender todo o território nacional
do continente chamado Brasil. Por isso
que ao invés de chamar de reino, puseram
o nome de império, dada a sua extensão.
Então o projeto era extremamente
ambicioso e era um grande desafio para a
infraestrutura da época.
A Lei Geral, então de 15 de outubro de
1827
tem como ponto crucial o contraste que
existia entre currículos de meninos e
currículo de meninas.
Isso ilustra a mentalidade da época, o
ensino de prendas domésticas, então,
para preparar meninas para a vida do
lar. E o currículo dos meninos os
preparava para a vida pública e
profissional.
Uma frase: haverá escolas e meninas nas
cidades, vilas e lugares populosos em
que houver escolas de meninos.
Elas aprenderão a ler, escrever, contar,
costurar, bordar e as prendas
domésticas.
O ato de 1834
trouxe algumas limitações
constitucionais. E a nossa pergunta é se
ele se propunha a descentralização,
se essa descentralização houve de fato.
O ato adicional foi já uma resposta
oficial à instabilidade política do
período regencial,
transferir o ensino primário e o
secundário para as províncias.
tirar do Distrito Federal, que na
ocasião era o Rio de Janeiro. Seria uma
forma de o governo central se livrar da
responsabilidade e do custo dessa
educação? Se as províncias, por sua vez,
tinham orçamento e prioridades muito
diferentes, isso gerou uma grande
desigualdade educacional entre elas.
A ênfase que havia no ensino superior
para a elite com esse ato adicional de
1834
é que o governo federal manteve o
controle e o financiamento de cursos de
ensino superior como direito, como
medicina, que eram as profissões do
poder naquela época.
E o caráter elitista é naquilo que tange
o ensino superior, especificamente, a
prioridade era formar a elite dirigente,
a elite intelectual e não educar a
população em geral.
Nessa nossa primeira videoaula, você
analisou que a primeira constituição de
1824
tratou sim da educação de forma
limitada, mas tratou e que a lei de 1827
tentou regulamentar o ensino e também
viu que a o ato adicional de 1834 mudou
o rumo da educação no império. Aí,
considerando esses pontos, você reforçou
a ideia de que a educação na formação do
Estado brasileiro se construiu sobre as
bases de contradição, de elitismo e de
dualidade.
Nos vemos na próxima aula, quando
daremos continuidade aos nossos estudos
de história da educação.
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