Formação PIBID - 2ª Formação - 28/02/2025
Aí,
então agora sim, boa noite a todos.
Espero que estejam bem.
A gente vai iniciar então a apresentação
do
a formação sobre
o texto que vocês leram,
que foi proposto pela
eh direção, pela coordenação
institucional lá da reitoria
como um
texto para estudo, né? Então, a gente
vai intercalar alguns estudos
organizados lá na reitoria com alguns
estudos próprios aqui do grupo
e as atividades que vocês já estão
realizando com os professores.
Então, essa atividade especificamente
vai tratar
do texto. Eu tentei trazer algumas
explicações a mais para, né, para
esclarecer um pouco para quem não tem
conhecimento,
mas eu não fugi muito do texto. Então,
se vocês tiverem questões
que não ficar eh que não ficaram claras,
vocês podem me avisar que,
né, que a gente vai tentando
esclarecer,
OK? Uma coisa que seria importante é
vocês anotarem o que a gente for falando
aqui para vocês
terem mais apropriação,
estudos sobre a pedagogia
histórico-crítica, como a gente já
comentou nas apresentações de vocês, né?
É a pedagogia que o IF adota e,
portanto, o projeto do PIBID está dentro
dessa pedagogia. Por isso que nós vamos,
como participantes,
nos debruçar no estudo dessa pedagogia
para compreender
como ela pode ser eh
integrada ao ensino de ciências.
OK?
Então, se tiverem perguntas, vocês podem
eh me interromper, tá? Eu tentei seguir
a ordem das perguntas,
então vocês podem acompanhar também pelo
que vocês fizeram, né? Se vocês tem a
lembrança da atividade que vocês
entregaram.
Eh,
então, a primeira pergunta falava, né,
uma pergunta muito simples que dizia o
que é
a educação?
Então, como uma teoria pedagógica, a
pedagogia histórico-crítica vai tentar
explicar esse processo do que é a
educação e o que está vinculado ao
processo de educação
eh do ser humano, tá?
Então, a primeira coisa que
essas as teorias que são vinculadas
à psicologia histórico-cultural,
elas vão trazer esse entendimento, né,
de que a educação é um fenômeno próprio
dos seres humanos.
O que que vocês entendem que isso
significa? O que significa dizer que a
educação é um fenômeno
próprio dos seres humanos? O que que
vocês entenderam dessa
quase a primeira frase ali que aparece
no texto?
Pode falar.
Bom, pelo que eu entendi, só por essa
frase aí que
que a educação se se dá somente para os
seres humanos, que, por exemplo, os
animais irracionais, eles têm ali,
digamos, o aprendizado dele através dos
instintos que já vem eh passando da,
digamos, da mãe, do pai ali, mas é mais
do extinto e o seres humanos é
mais a parte da dessa educação.
Eu o que eu entendo através dessa dessa
dessa frase, né?
>> Uhum. que somente os seres humanos eh
eles podem fazer a educação e aprender
com a educação. É o único único
exclusivamento do ser humano, não de
outros animais irracionais como
cachorro, como como leão e entre outros.
>> Certo?
Que mais levantado a mão?
Não estaria atrelado, principalmente a
nossa capacidade de comunicação.
>> Uhum. Mais alguém?
>> S Jefferson.
Aí, eh, o texto ele apresenta que o ser
humano ele precisa adquirir certos
conhecimentos com relação à cultura e
tudo mais para que possa ser humanizado,
para que ele possa agir de maneira
efetiva na sociedade. Isso uma coisa que
eu pude compreender ali, que tem essa
necessidade de compreender a cultura,
certos aspectos por meio da educação.
>> Uhum.
Então aqui a gente tem eh Joel, pode
falando,
>> tá? Eh, complementando o que o Jefferson
falou, eu assim entendi que a educação é
uma ferramenta de validação da
existência do ser humano. Não sei se eu
entendi certo ou entendi errado, mas
creio que foi isso que eu entendi com
essa questão do fenômeno próprio dos
seres humanos, que é uma forma deles
validar, dos seres humanos validarem a
sua própria existência. Seria isso?
>> Uhum.
Então aqui a gente tem várias respostas,
né? Várias respostas, não, né? Vários
comentários, né? Não é uma pergunta
necessariamente,
mas eh todas elas vão caminhar num
sentido de se complementarem.
Então, a frase em si, né, que é o
fenômeno próprio de seres humanos, dá a
entender ou ela quer dizer que
dos seres vivos que existem, né, das
categorias de seres vivos que existem,
somente os seres humanos
eh realizam esse fenômeno, esse
processo, que é o processo de educação,
certo? Então,
se todo mundo concordar com essa, a
gente já mata ela aí. Então, os outros
seres vivos, né, em especial os outros
animais, eles não eh se organizam por
meio da educação, eles não têm um
processo de educação,
tá?
Mas eh não nessa frase exatamente, mas
ela quer dizer nas entrelinhas que a
educação é um fenômeno
que nos torna
seres humanos. Eu
acho que foi isso que o J quis dizer,
né? Ele nos eh
confere uma existência como seres
humanos.
E aí a gente pode ter eh algumas
questões que podem ficar mais confusas.
Por exemplo,
o ser humano não é simplesmente o
ser biológico, né, que nasce,
né, depois ali da gestação, ele já não é
um ser humano
ou ele precisa passar pelo processo de
educação para se tornar ser humano.
Pode falar, Andreila.
é que se ele não for alfabetizado, não
for educado, ele vai ser vai agir por
instinto igual a todos os outros
animais. Então, realmente a educação
confere esse caráter de ser humano para
ele, na minha opinião, pelo que eu
interpretei, né?
>> Uhum. Ateus.
>> Eh, eu acho que se formos levar o pé da
letra, isso, eh, tem muitos adultos que
não tiveram acesso à educação. Então,
nós vamos dizer que esses adultos aí não
são seres humanos. Eu acho que essa
pergunta é meio complexa de de se
responder. Não tem uma resposta certa,
mas eu acho que a partir do momento que
você nasce um ser,
uma pessoa, ele já é um ser humano. Ah,
a educação só vem para lapidar ele
durante o seu processo de evolução.
Mas a partir do momento que ele nasce,
ele já é um ser humano.
>> Uhum. Joel.
Tá? Eh, partindo desse ponto que o
Mateus levantou, dessa questão, ele
falou que adultos eh não têm eh
educação, mas eles não digam assim, pelo
que eu entendi, não são não são humanos,
não. Eh, assim, eu acho que os seres
humanos eles são capazes de adquirir
conhecimento de várias formas, né? o que
valida essa questão de produzir, porque
de alguma maneira ele vai produzir
conhecimento, vai produzir eh vai
utilizar essa ferramenta da educação
porque aprende com a convivência com a
com a sociedade em que ele está
envolvida. Por mais que ele não tenha
uma educação tradicional, ele vai ter
uma educação popular, porque é uma é uma
é não deixa de ser um tipo de educação,
não é educação tradicional como existe,
né? Enfim, eu acho que pelo ponto que o
Mateus levantou, acho que eu pude chegar
nessa nessa hipótese.
>> Uhum. Andreila.
>> É tipo, é complementando o que o Joel
falou em relação ao que o Mateus disse,
a educação ela não é só o que a gente
aprende na escola, né? Não é só a
educação formal. A gente aprende coisas
diariamente com os nossos pais. A gente
aprende como se portar, como se
alimentar. Se eu preciso, tipo, eu vivo
no interior e eu não compro comida, eles
aprendem como caçar. Tipo, a educação
não é só o que você aprende na escola, é
todo o aprendizado de san comum que você
aprende diariamente, que é passado de um
de pai para filho, de pessoas entre
pessoas.
>> Uhum.
A Daisy tinha levantado a mão?
>> Sim. Eh, eu acho assim que o ser humano,
tipo, ele sempre vai desde quando ele
nasce e aprender e ensinar, porque tanto
que hoje em dia tem um estudo, né, do
desenvolvimento do bebê, que desde os
primeiros meses ali do do ser humano,
ele já tá aprendendo e ensinando também,
tipo, desde a parte de gatinhar, tipo
falar, tudo, o ser humano, ele já tá
aprendendo desde quando ele nasce, no
caso.
>> Uhum.
Mateus,
>> eh, eu concordo tanto com o Joel contra
a Andreila. Eu acho que eu eu coloquei
meio equivocado. É, mas
eu concordo plenamente com a a Daisy,
com o que ela falou, que
desde a partir do momento que uma
criança nasce,
eh,
hoje em dia, ainda que antigamente você
via, as crianças não nasciam com olho
aberto, hoje eles nascem olhando já e já
a partir dessas interações eles já
começam a aprender algo.
Aí, aí eu posso fazer uma pergunta aí já
é a educação em si.
Uhum.
>> Só através da observação.
Eh,
mas eu ainda continuo com a que com a
partir do momento que que a que a pessoa
nasce, ela é um ser humano
independentemente.
>> Andreira quer falar mais?
Acredito eu, em referência a essa
pergunta do Mateus, que sim, observação
é uma forma de aprendizagem, porque é
natural do ser humano ele reproduzir o
que ele aprende. Até se a gente for
fazer pesquisas a respeito disso, eh,
geralmente as famílias, eh, por exemplo,
a gente trabalhando na escola, uma
família que o pai bate na mãe,
geralmente a criança ela é uma criança
mais agressiva que bate nos colegas. E
isso vem desde muito cedo. Ela aprende
isso desde desde que ela nasceu
praticamente vendo o pai batendo a mãe.
A criança que cresceu sem essa
violência, ela vai achar a violência um
absurdo, porque não faz parte da
realidade dela. Ela aprende o que ela
observa ao redor dela.
>> Uhum. Então aqui a gente também tem
falas que se complementam, né? Eu
entendo. Então, a a questão que eu
coloquei, coloquei de propósito, né,
para provocar
eh se o ser humano quando nasce ele já é
ser humano ou se ele vai se tornando ser
humano na medida em que ele
aprende, né, a
interagir em sociedade, por exemplo, né?
Então essa teoria psicologia
histórico-cultural, ela vai compreender
que o processo de se tornar humano,
ele também ocorre enquanto a gente
existe, né? Então, a gente é o indivíduo
da espécie humana quando nasce, né?
Todos nós somos,
mas a gente tem um processo de
desenvolvimento que é social, que vai
nos tornando cada vez mais humanos.
Isso que se chama o processo de
humanização, já me adiantando um
pouquinho. Então, são questões que a
gente precisa, né, ter em mente para
compreender o que que o Vigotsky, né,
que é o autor principal da psicologia
histórico cultural, tava tentando dizer,
né, que obviamente somos todos seres
humanos, mas ainda existe um
desenvolvimento
pela educação, por esse processo que a
gente tá chamando de educação, que é
exclusivo de seres humanos. que acontece
ao longo do desenvolvimento
do ser humano na sociedade,
certo?
E eu coloco aí uma outra pergunta, né? O
que que nos caracteriza como indivíduos
da espécie, né, que não é o nome da
espécie, mas enfim, dos como indivíduos
que se entendem por ser humano? O que
que é a característica,
vou usar o termo mais difícil agora, a
característica ontológica
do ser humano, ou seja, aquela
característica
que diz que o indivíduo, que aquela
aquele espécime é um ser humano.
Lembrando que a gente tá seguindo uma
teoria, então quero saber o que essa
teoria diz,
né? Essa é a questão mais importante.
Pode falar, Mateus.
Eu essa parte eu não lembro de ter visto
na teoria ali, mas seria o ato de
de poder se comunicar, de interagir
entre
um meio?
>> É, a questão da comunicação é boa. O
Thaago, ah, te cortei. Pode terminar.
>> Não, pode, pode continuar. Eu agora
fugiu o meu raciocínio.
O Thiago tinha comentado, né? Mas os
outros seres vivos também se comunicam,
né, e interagem. Tanto é que tem a
sociedade, né, eh, comunidades, não sei,
né, alguns insetos lá tem os nomes
certos para isso, os biólogos sabem. Mas
não é só a comunicação.
É o Robert escreveu ali, né? Segundo
essa teoria que vai se basear lá no
marxismo, né? O que nos torna humanos é
a capacidade ou, né, a nossa,
eh, possibilidade de realizar o que se
chama de trabalho.
E aqui a gente não jamais vai conferir
trabalho como serviço, né, ou como
ocupação.
trabalho é um uma categoria que a gente
chama, uma explicação, um conceito que
vai tentar definir
Uhum. Gabriel, o essa atividade aqui tá
ainda resumido, nós vamos colocar mais,
né, coisa aqui, mas em princípio o
trabalho é atividade de transformação da
natureza.
Então, o ser humano é o é a espécie
que para reproduzir sua existência ela
transforma a natureza. E as outras
espécies não fazem isso.
Claro, a gente pode pensar: "Ah, mas
João de Barro constrói a casa, né? O o
cachorro lá, ele vai tentar fazer um um
local adequado para ele sobreviver. Mas
comparar isso, a como o ser humano
transformou o planeta é um pouco
desproporcional, né? Pensa que agora a
gente tá,
por exemplo, eu, né, tô num edifício, tô
bem acima do do bem, não, né, mas estô
acima do do solo, né? Então, a gente
conseguiu verticalizar pra gente
conseguir se apinhar ainda mais, né, no
planeta.
a gente consegue se locomover, né, de
uma maneira muito eficiente em termos de
velocidade, né,
do que comparado com com outros
animais, por exemplo, embora a gente não
tenha capacidade tanta de nosso corpo
fazer isso, mas a gente transformou a
natureza de de tal forma que a gente
pega minérios e transforma em outras
coisas.
Então, a espécie humana, ela se
caracteriza por essa capacidade de
transformar a natureza, mas
como representantes da ciência da
natureza, a gente tem que entender que
essa palavra natureza não significa só
eh
as os componentes bióticos e abióticos
da biosfera.
existe a natureza social também que nos
forma humanos e a gente também
transforma essa natureza. Então,
basicamente o que nos torna ser humano,
né, é a capacidade de fazer essas
atividades de transformação da natureza.
Só que para conseguir fazer essas
atividades,
a gente precisa passar por um processo
educativo.
E é por isso que o ser humano precisa da
educação
para se desenvolver enquanto ser humano,
tá?
Se não tiverem concordando, podem
colocar aqui. Então, os demais seres
vivos, eles atuam numa lógica de
adaptação. Eles conseguem fazer
transformações ali locais,
né? Mas no sentido de conseguir
sobreviver.
O ser humano, ele consegue projetar essa
atividade para o futuro
e um futuro às vezes bem longe, né? que
é o próprio caso da escolarização, né? A
gente entra lá com 6 anos para sair
com 17 anos, né?
A gente projeta essa atividade que vocês
vão, que um ser humano vai realizar por
11 anos. Os outros animais não têm nem
essa noção de tempo que nós temos, né?
Então, tudo isso envolve coisas que vão
nos caracterizar como humanos e vão
estar relacionados ali com aquela
palavra trabalho. Então, eu vou abrir
aqui um parênteses para que precisa
ficar bem claro para todo mundo o que
que significa esse isso aí do trabalho,
tá?
Então, abrindo um parênteses aqui, o que
nós entendemos por trabalho, o que se
entende por trabalho dentro dessa
perspectiva do materialismo histórico
dialético, que é que a que a gente tá
estudando agora.
Então, primeiro, trabalho é uma
atividade teleológica. Esse termo não
está no texto, mas ele vai aparecer em
alguns outros textos, provavelmente.
Alguém sabe o que que significa essa
palavra
ou teleológica, no caso?
Não.
Então, atividade, a atividade
teleológica é uma atividade que ela é
dirigida.
Diga, Andre,
>> pelo que eu lembro, eu vi poucas vezes,
mas pelo que eu lembrava era algo que
era um processo, que era longo prazo,
pensando já lá na frente, basicamente
que você tinha falado antes, que é uma
coisa que vai pensando a longo prazo.
>> Isso. Então, ela é sempre dirigida para
um fim específico. Vou, como indivíduo,
planejar,
né, a atividade
que vai ser realizada, porque eu quero
chegar num objetivo. Então, é um
processo, como André falou, é o
atividade é sempre um processo, é algo
que vai envolver o planejamento e a
execução dessa atividade, tá?
Eh, então ela sempre vai ser dirigida a
um fim essa atividade teleológica,
não teológica, teleológica
e ela vai ser antecipada e planejada
mentalmente.
Essa é outra característica,
eh, que a gente pode entender como
própria dos seres humanos também, embora
a gente perceba que os outros animais
conseguem ter uma certa antecipação, ela
é mais vinculada
a estímulos e respostas do que a um
planejamento intencional, né? Então aqui
o que que eh o trabalho significa? Então
que a gente a gente antecipa, planeja
alguma coisa, alguma ação ou várias
ações para chegar num fim.
O exemplo que o o Vigotsk traz para
tentar explicar isso é como os seres
humanos em tribos, né, antigas faziam
para saciar a necessidade de se
alimentar.
Então, se você pensa num, se eu falar
besteira, os biólogos me corrigem, mas
se você, quando você pensa num, no, em
uma espécie de outros animais, a
relação, né, das ações que eles fazem
para se alimentar, ela é muito mais
direta, então eles caçam, né, ou eles
coletam, é uma coisa mais simples.
Já o ser humano não, né? Mesmo pensando
muito, muito tempo atrás,
né? possível entender que seres humanos
criaram, por exemplo, ferramentas que
possibilitavam
no futuro que ele matasse um animal, por
exemplo, para ter caça.
ou ser humano foi a espécie que
conseguiu desenvolver
a forma de cultivar seu próprio
alimento,
inclusive, né, fora das estações
específicas do desenvolvimento daquelas
plantas em quantidades muito maiores,
enfim. Então, isso não foi feito ao
acaso assim, vamos aqui pegar esse
quadrado e plantar, provavelmente, né?
Isso foi tentado, mas refletido. Ó, se
fizer isso, pode dar um resultado, né?
Então, o atividade, essa capacidade que
a gente tem de planejar o que a gente
vai fazer, é o que nos permite realizar
esse trabalho
dirigido ao que eu quero fazer, né?
Então, o trabalho ele sempre é
intencional,
ele você tem que saber o que você tá
fazendo. Por isso que a gente pede muito
para vocês se planejarem, para vocês
terem noção do que vocês estão
realizando,
porque através dessa transformação
é possível a produção
do que a gente chama de mundo da
cultura, né, no texto.
Então, o o ser humano ele vive, né, na
dualidade entre o mundo natural e esse
mundo cultural que é próprio dos seres
humanos. Só que esse mundo cultural, ele
não existe naturalmente. Ele precisou
ser produzido
por seres humanos e é constantemente
reproduzido por seres humanos por meio
do trabalho. Trabalho é o termo geral.
Existem vários tipos de trabalho, tá?
Outra coisa importante,
o trabalho, né, o desenvolvimento do
trabalho, desenvolvimento humano, ele
depende
do mundo natural. A gente vai chamar
isso de dependência material do mundo
natural.
Então, a gente, como indivíduo que
sobrevive, né, como organismo, a gente
precisa de
eh componentes que sustentem a nossa
vida, né, água, sais minerais,
né, o solo que a gente precisa estar em
cima, a própria gravidade, tudo que
existe naturalmente sustenta a nossa
existência como indivíduos de uma
espécie.
E, né, a gente vai chamar isso de base
material.
Só que nós, especificamente, além de
utilizarmos desse mundo para sobreviver,
a gente tem a capacidade como ser humano
de produzir novos materiais,
né? Então, a gente usa esse esse mundo
natural para garantir a nossa existência
e produzir novas coisas,
tá? E essas coisas produzidas e naturais
e sustentam também o desenvolvimento
cultural do ser humano, tá?
E além disso, esse trabalho, essa
atividade, ela vai se basear
em modos humanos
de produção e reprodução da cultura.
E aí a gente começa a entender aquilo
que você estavam comentando lá no
início, né, do desenvolvimento da
criança. Você for pensar em trabalho
como o trabalho assalariado, por
exemplo, né? Criança não trabalha,
criança não não é ser humano, né?
Mas não é isso.
Enquanto a criança está se desenvolvendo
como ser humano, mesmo que não tão
intencionalmente
no início, ela aprende modos humanos de
produção da vida, no caso. Então, ela
copia
o o seu entorno, como vocês colocaram.
Isso é uma forma de trabalho também de
desenvolvimento.
Não é menos complexo do que o que a
gente tá fazendo agora, mas adequado
para aquele organismo naquele estágio,
tá? Então quando a gente fala modos
humanos, eh, são as coisas, né, que nós
fazemos, os processos que a gente faz.
Então, escrever mesmo, falar, se
locomover, se vestir,
eh
se comunicar, enfim, tudo isso é modos
humanos. a gente pode avançar
modos humanos de resolver equações de
segundo grau, de dar nome para as
moléculas, de compreender o processo de
de,
né, de de comunicação hormonal, tudo
isso são modos humanos, tá?
E isso a gente traduz, né, nessa relação
como conhecimento.
Então, a gente tem conhecimento
sobre esses modos
e isso vai nos tornando cada vez mais eh
pertencentes, né, ao gênero humano como
algo genérico, né, como algo que
representa todo mundo para além da
individualidade de cada um.
OK,
tudo bem até aqui com essa parte do que
estamos entendendo por trabalho,
tá? Então, quando a gente fala em
educação,
educação é uma forma de trabalho, então
ela vai ser sempre dirigida a um fim,
vai envolver modos específicos de
realizar esse processo
e vai estar baseado, né, vai ter como
referência a base material, né, guarda
essa informação.
Então, o processo de trabalho, né, de
reprodução da vida humana,
ele se torna cada vez mais complexo na
medida em que a sociedade
se desenvolve historicamente.
Então, a vida como a gente vive hoje,
nós indivíduos do século XX, não é a
mesma
dos nossos ancestrais,
né?
A forma de reproduzir a vida, de
continuar existindo, é diferente. Não tô
dizendo que é melhor nem pior, tá
dizendo que é diferente.
E essas diferenças eh vão trazer
questões importantes. por exemplo,
eh é innegável hoje
que uma pessoa, um ser humano, um
indivíduo que não é alfabetizado
tem dificuldades para ter acesso
a muita coisa necessária paraa
reprodução da vida.
embora, né, ele possa saber coisas que
nós não sabemos, o que é provável, isso
dificulta,
né, a existência dele
mais do que a minha dificuldade, por
exemplo, de não saber plantar um
alimento, né? Não saber, não sei porque
eu nunca plantei, mas na prática eu não
sei.
A mesma coisa o uso da tecnologia, né? O
modo de comunicação tecnológico,
ele
é vigente hoje, né? Mas a gente tem
pessoas que têm dificuldade de realizar
esse tipo de tarefa e isso pode
prejudicar a vida dessa pessoa de alguma
forma ou tornar mais difícil eh fazer
com que ela precise de assistência e
assim por diante. Então, quanto mais
complexo o nosso processo de vida se
tornou,
mas a gente precisa de uma etapa da
nossa vida, que é a educação
institucional,
que é um processo institucional de
dizer, olha, quando você chega lá, né,
no que a gente entende lá como adulto,
você precisa
saber de todos esses modos humanos de
reprodução da vida para poder participar
efetivamente da sociedade. E daí o
processo educativo ele começa a encher,
né, começa a ter muita coisa que precisa
ser eh
apropriada pelos indivíduos para que
todos cheguem nesse nível, né, genérico
do que é ser um ser humano. Claro que
isso é arbitrário, né? Isso é escolhido
por sociedades pelo tempo.
Mas eh o que eu tô querendo dizer é nós
eh quanto mais eh complexo esse
processo, quanto mais atual, mais
contemporâneo,
mais se espera que o indivíduo aprenda
coisas
antes dele ser um um sujeito
independente para atuar na sociedade.
Certo?
Compreenderam?
E a educação, então, também é um
trabalho, um processo de trabalho
que a gente vai chamar de trabalho
educativo.
Então, o trabalho educativo é uma
expressão do trabalho humano, ou seja, é
uma forma específica do trabalho em
geral
que tem como finalidade
esse
processo de humanizar as pessoas.
aqui. Cuidado, né? Não é necessariamente
que você vai paraa escola, né, o
processo automático, mas há intenção,
né, de fazer isso, tá? Então, de todas
as das várias formas de trabalho que
existem, o trabalho educativo é um deles
e tem essa característica
especial, tá?
Então, já adiantei, né? Existem formas
de trabalho diferentes. Existem
diferentes formas de trabalho,
sim ou não?
Sim ou não?
Diga, já
>> eh sim. Nós vamos ter algumas
categorias, como que estavam no texto,
por exemplo, o trabalho material, que
ele é, por exemplo, caracterizado na
produção de um objeto, que o o autor, o
produtor, ele vai criar aquilo e vai
transferir para outra pessoa. Já o
trabalho educacional, ele também pode
entrar na categoria na produção de um
material didático, onde o produto se
separa do autor ou no que seria no ato
de educar, onde a educação ela vai ser
um trabalho material a partir do momento
que o que o autor ele vai educar e o
destinatário já vai estar recebendo.
Seria, eu acho que essas principais duas
dois tipos de trabalho que é apresentado
no no texto.
>> Uhum.
Então isso é bom lembrar, né? Eh, o
texto apresenta alguns tipos de
trabalho, expressões do trabalho, mas
existem outras que a gente não vai
tratar aqui. Não sei que vocês tenham
dúvida e dá um tempo, a gente comenta,
mas em princípio, né,
eh, o trabalho ele é ele é um trabalho
produtivo.
Isso vai mudar de época para época o que
é produtivo e o que não é produtivo.
Mas se a gente for pensar que o trabalho
é o que reproduz a vida,
na teoria, né, todo o trabalho produz
pelo menos a reprodução da vida. Então
ele é produtivo, ele tem uma produção.
Essas diferentes formas de trabalho,
elas vão tentar descrever o que acontece
com essa produção e o produtor, no caso.
Então, o texto traz dois principais
tipos de trabalho,
que é o trabalho material e o trabalho
não material,
tá? Que foi o Jefferson já adiantou.
Então, o trabalho material que vai nos
dar a dica de que algo é entendido como
trabalho material é a produção de novos
bens materiais.
Então, é a produção de alguma coisa,
tá?
De um novo produto.
Então, por exemplo, o trabalho no campo
é um trabalho material, um trabalho do
agricultor, ele produz um novo produto.
Trabalho numa fábrica é um trabalho
material. ele, né, o trabalhador produz
um novo produto,
tá? Então, se você a gente consegue
pensar que houve lá a matéria prima um
processo de transformação e um produto
final, esse processo de transformação é
um trabalho material, né, poucas linhas.
Então, vai haver a transformação da
matériapra. E aqui eu vou trazer mais um
termo que não está desse jeito no livro,
num texto, mas ele é importante para
nós.
Eh, por que que é tão importante isso,
né? Parece assim, tá? Eu peguei lá o a
madeira, né, a tóra lá e transformei
numa tábua, então trabalho material.
Por que que isso é importante, tão
importante assim, que é o que vai
caracterizar o ser humano?
Porque durante nesse processo de
transformação da matéria-prima,
a gente vai dizer que o trabalho
daquele ser humano foi objetivado
no produto final.
Então, houve a objetivação do trabalho
humano. Um objeto foi criado por meio do
trabalho humano
e ele traz nele
impressões do trabalho humano.
Por quê?
Porque para transformar a tora em
madeira foi necessário o conhecimento da
pessoa que tá fazendo isso. Então ela
sabe o que ela tá fazendo, ela planejou
o que ela tá fazendo, ela teve um
resultado esperado que é a a tó. Então,
a de certa forma já existia a previsão
da tor, né, da perdão, da tábua na
cabeça daquela daquele ser humano. Foi
necessário
materiais, né, eh, máquinas ou
ferramentas para realização desse
trabalho. Não é de pensar que isso
acontece, é preciso uma ação. Então,
quando a gente olha a tábua, se a gente
tiver a atenção, né, o, né, o o olhar
mais atento, a gente consegue entender
que aquele que a tábua produto natural.
Se não tivesse o trabalho humano, não
existiria a tábua.
Tão me acompanhando que eu quero dizer?
Então a gente consegue imaginar assim,
olha, para existir essa tábua, existir
um ser humano
que soube o que fazer com a Tóra, já
começo por aí. Já já isso já caracteriza
aquele produto como resultado do
trabalho humano que é material, tá?
Então vamos tentar explicar de novo, ó.
Nós temos no nosso redor, né, muitos
produtos que são de metais. Por exemplo,
aqui eu olho pra janela que tem uma que
é uma esquadrilha de alumínio. Pergunto
aos químicos, aos biólogos também.
Existe alumínio metálico na natureza?
E agora eu respiro.
É, não existe. Você não vai cavar e
achar uma uma, como chama isso aqui?
Barra. Uma barra de alumínio.
Então, como que eu tenho uma barra de
alumínio aqui na minha frente? Que que
precisou acontecer?
Ninguém sabe.
Diga, Jefferson
tá mudo. Não sei se tá falando.
Nós não vamos conseguir ter ele
naturalmente, como o senhor explicou.
Diferente de uma tora que a gente
consegue facilmente encontrar, é
necessário todo um trabalho, por
exemplo, de eletroquímica para poder
obter o alumínio e tudo mais. Então, é
um processo mais elaborado
do que simplesmente encontrar.
>> Uhum. É, é mais elaborado do que o que
eu comentei, mas do mesmo jeito eu quero
que vocês entendam o seguinte. Eu tenho
uma matériapra
que no caso do exemplo do alumínio vai
ser a bachita, o minério, que isso
existe na lá na natureza.
E o que que vai ser necessário para sair
da matéria-pra e chegar no produto?
Então, sair do minério da bachita para
chegar numa barra de alumínio.
Tem que o produto, vai ter que misturar
os dois, vai ter todo um processo
químico ali para não perder as
propriedades e não ficar mais duro, nem
mais mole do que pode ser. E vai ter que
moldar aquilo para ele ficar daquele
jeito.
>> Uhum. naquele formato, no caso.
>> Isso. Mas antes de tudo, que a gente
frequentemente esquece, precisa de um
ser humano.
A única coisa que consegue transformar o
máquina, né, para tirar seja uma
máquina,
foi o humano que fez a máquina e o
humano que opera a máquina. E a máquina
ela só surgiu porque humanos conseguiram
entender que é possível obter o alumínio
a partir da bachita.
Tão entendendo onde eu quero chegar?
Tudo que a gente faz como processo
tem eh é resultado de algum trabalho
humano anterior.
Então, quando a gente, quando a gente,
que eu digo ser humano, né, a produção
de alguma coisa, para essa produção
acontecer,
foi necessário o uso ali, né, usar
várias vários conhecimentos ou
tecnologias, como já descreveu, que
foram criados por seres humanos. Então,
nesse produto,
a gente diz que ele carrega na sua
constituição, no seu objeto,
o resultado do trabalho humano. E se eu
analisar o produto, eu consigo descobrir
o que que foi necessário para que ele
acontecesse.
A gente não faz isso no dia a dia, né,
no imediato da coisa, mas a gente pode
fazer isso e consegue fazer isso, porque
esse produto ele guarda isso na sua
constituição,
tá? Eu sei que é difícil, então vamos me
vamos me colocando lá.
E outra coisa, né, eh, que vai
caracterizar qualquer tipo de trabalho é
esse planejamento mental, né? Então, a
atividade, o trabalho material, ela ele
é algo que envolve lá as substâncias,
né, os materiais,
mas ele também eh estava planejado
anteriormente, né, na cabeça.
Então, ele é a realização
no mundo material de algo que a gente já
consegue planejar,
OK?
Pode interromper.
Oi. E o contrário do trabalho material é
o trabalho não material. Pus ali em
vermelho para ficar bem claro ali.
Então, o que que seria o trabalho não
material?
de uma maneira simples, ele seria a
antecipação mental de ações materiais,
tá? Mas o outro ali também tinha um
planejamento mental, certo?
Tudo que a gente faz tem um planejamento
mental, só que nós, como seres humanos,
conseguimos realizar na nossa cabeça
esse planejamento
a partir
dos conhecimentos que a gente tem.
E esse planejar já é uma expressão de
trabalho humano, né? Trabalho é sempre
humano, mas a expressão de do trabalho.
Vamos tentar dar mais exemplos, né?
Nós entendemos o mundo, cada indivíduo
entende o mundo, a realidade, por meio
de uma representação mental dela,
tá? Então essa teoria, a teoria marxista
vai entender que a realidade existe, não
só a marxista, né? todo o materialismo
vai entender que a realidade existe, ela
existe materialmente,
independente da gente
compreender e atuar nela,
a gente como ser humano. Então, o que
acontece? Existe a realidade, as coisas
existem. Mas pra gente entender isso que
é a realidade, a gente faz uma
representação mental dessa realidade,
que é a gente pensando sobre a realidade
mesmo, né? Esse processo de
representação, de criar essa
representação, de torná-la cada vez mais
complexa, também é uma forma de
trabalho,
tá? Por isso que o ser humano tá sempre
trabalhando, porque ele tá sempre
tentando explicar a realidade de alguma
forma, né? E essa e e esse processo
também é uma expressão do trabalho.
Aqui para criar essa representação de
mundo, representação mental do mundo, a
gente recorre a várias coisas. Uma
delas,
que a gente pode chamar genericamente de
ciência, é o conhecimento sobre as
características do mundo real. Então, o
mundo real ele existe, como eu comentei,
né? As coisas existem e elas têm
características, propriedades, né? A
gente estuda muitas propriedades em
química, em biologia.
Então, o conhecimento sobre essas
propriedades, que é o conhecimento da
ciência,
é o que uma das coisas, né, que nos
permitem construir essa representação de
mundo, tá? Que mais nos permite
construir uma representação de mundo? Um
processo que a gente vai chamar aqui de
valorização.
Vocês vão encontrar valoração também,
mas acho que valorização é o melhor,
que é você,
né, literalmente é atribuir valor, mas
valor pode ser correto, incorreto, bem,
mal, bom, ruim, né? Esses são valores
que se a gente for dar um um uma
categoria para isso, seria a categoria
da ética.
Então a nossa visão, a nossa
representação mental da realidade, ela
não é uma representação, entre aspas,
pura da realidade. Ela é resultado de um
processo interno nosso, que depende
também de questões éticas.
Lembrando, né, a diferença entre ética e
moral, né, tem a questão do
comportamento, a questão das condutas
sociais, tudo isso tá voltado aqui.
Nós também
para construir a representação mental do
mundo,
a gente usa símbolos,
que aqui a gente pode colocar como a
arte, né, em geral,
né, mas não no sentido de educação
artística, mas no sentido de que nós eh
operamos por meio de símbolos, de
simbolizações. E e não precisa ser um
símbolo escrito. Existem coisas
simbólicas que são místicas, né, são
verbais, enfim, né?
Então, essas três, esses três aspectos,
eles é o é o que permite que a gente
construa a nossa representação de mundo,
mesmo que a gente não saiba, tá?
Mas sim,
e além disso, o VGTK principalmente vai
trazer que o a linguagem humana, né, é o
que possibilita que esse processo
ocorra. ele medeia esse processo. Então,
a gente se comunica pela linguagem, mas
existe uma linguagem interna que a gente
não sabe, né, como é, que permite essa
representação mental da realidade.
Isso quer dizer o quê? que para
construir uma representação mental mais
objetiva, mais próxima da realidade, né,
a gente precisa se apropriar dos
conhecimentos científicos, de aspectos
éticos, artísticos, linguísticos.
E tudo isso vai transformando a nossa
representação da realidade.
Então, uma criança, ela tem uma
representação do mundo muito diferente
da nossa.
Tem aqueles exemplos clássicos, né, da
gente se esconde aqui, né, com a mão e e
a criança, né,
entende que a gente não está mais lá,
né? E tem gente que ainda vai ter
coragem de dizer que a criança é burra.
Não é que a criança é burra, né? Que a
representação de que ela tem das pessoas
é pelo rosto. Se não há o rosto ou a
voz, né, ou algo que diga que aquela
pessoa, aquela pessoa não está,
né?
essa interpretação de mundo dela,
porque ela ainda tá desenvolvendo essa
essa representação.
Eh, as crianças, né, não vão entender
que existe conflitos nacionais, essas
coisas, né, porque elas, o mundo delas é
menor.
A representação mental da realidade
delas abarca um contexto menor. Só que
essa própria representação
da realidade também é resultado do
trabalho, só que não é não tem uma
transformação
de uma matéria, de um material em outro
material.
Por isso que a gente vai chamar esse
trabalho de não material,
que não tem, é tudo na esfera do
pensamento que tá rolando aqui,
certo?
Mas os dois são trabalho produtivo. Um
vai produzir novos materiais e o outro
vai produzir representações mentais da
realidade,
tá?
Desses dois, a educação estaria onde? No
trabalho material ou não material?
>> Não material.
>> Não material.
Então, ao dizer que nós queremos
desenvolver o trabalho produtivo, a
gente tem que entender que o que a gente
quer desenvolver no final, né, se a
gente fosse resumir,
desenvolver a representação mental da
realidade que os estudantes têm, que os
estudantes produzem. É simples, não, né?
Pode falar, Mateus.
>> Mas não poderia dizer que se enquadra
tanto num quanto no outro? já que numa
discussão aí passada nessa no início ali
teve que a educação está
tanto no no institucional na instituição
quanto fora dela.
>> Uhum.
>> Então não podemos dizer que é que a
educação tá tanto num quanto no outro,
>> não? Porque
mesmo que seja fora da escola, o
processo de aprender envolve um trabalho
mental e não a transformação de um
material em outro material.
>> Ah, sim, entendi.
>> Obrigado.
Então, o que que vai acontecer aqui?
esqueci dessa linha ali.
Lá no trabalho material, eu destaquei o
processo de objetivação,
que era, né, a impressão do trabalho
humano nos objetos.
Não é o único processo que ocorre, eu só
dei destaque para ele, tá?
Só que no trabalho não material, como
não vai ter essa produção do objeto
propriamente dito, né, como a gente
espera ali,
a gente vai fazer o processo inverso. A
gente vai pegar os objetos
e
como indivíduo a gente vai se apropriar
desses desse trabalho humano que estava
dentro do do objeto.
a gente vai se apropriar e tomar para
nós mesmo.
Vou reexplicar aqui.
Vamos supor aqui que o que a gente tá
tentando aprender, né, que que a gente
tá aqui num processo de aprendizagem,
é fazer um protocolo lá que todos vocês
já devem ter feito, algum protocolo de
separação de misturas, por exemplo. Daí
a gente vai lá e usa um quitassato, uma
bomba vácuo, um funil de business, papel
filtro, tudo isso são objetos do
trabalho humano.
Quando a gente aprende a técnica de
filtração,
se a gente aprender desse jeito que tá
escrito aqui, né, a gente vai conseguir
se apropriar de todo o trabalho
envolvido na produção daqueles
materiais.
Ou seja, a gente vai conseguir
só eh só não, né? Utilizando esses
materiais, compreender o que o ser
humano, né, os seres humanos que
produziram essa técnica pensaram para
produzir. Então, por que que o funil tem
eh os buraquinhos? Por que que o
quitassato tem aquele eh bocal do lado
para tirar o ar?
Então eu não preciso eu, como ser
humano,
descobrir a técnica de filtração por
minha conta. Alguém já fez isso para
mim? Não para mim, né? Alguém já fez
isso na história. O meu papel agora como
ser humano desse tempo é me apropriar
desse conhecimento
para poder fazer coisas novas. Porque se
a gente tivesse que toda vez reinventar
tudo, a gente nunca teria saído do
lugar.
Entendem? O que que esse termo
apropriação quer dizer? E por que que eu
disse apropriação correta?
Porque se a gente não, isso não fica
claro, né? Quando a gente aprende as
coisas, a gente não consegue entender
esse trabalho humano embutido ali,
a gente ainda precisa se dedicar mais à
apropriação,
né, desses objetos. E agora eu me
atentei para uma coisa que pode causar
confusão.
Quando eu falo objetos,
eu também posso me referir a objetos
culturais.
Por exemplo,
a escrita, o alfabeto é um objeto, tá?
Por mais que ele não tenha, né, forma,
embora ele possa ter, né, a gente pode
esculpir as letras aqui, ele também é
um, ele é um objeto humano, ele tem, né,
o trabalho
colocado ali pra gente se apropriar, tá?
Então, se a gente pensar na palavra
objeto,
no modo geral, é tudo aquilo que foi
produzido por meio do trabalho humano,
tá? Então, uma pedra não é um objeto.
O objeto ele tem que, ele foi produzido,
tá bom?
Só que dentro do não material, que é
onde a educação está, a gente tem mais
duas divisões aqui,
que é um processo de trabalho não
material, onde o produto desse trabalho
se separa do produtor.
E aqui a gente pode ter como exemplos
livros, artigos, obras artísticas. Então
o que acontece? Não há uma transformação
da matéria-prima. Não é o caso de eu ir
lá tirar o eucalipto e produzir o papel
que vai dar os livros, né, ou os
artigos. Não é eu produzir a tela,
produzir a tinta, não é isso. É o
trabalho de a partir, né, desses
materiais que já existem
produzir algo que é não material. Então,
a obra artística, ela não é simplesmente
o material que está lá, ela transmite
outras coisas. E essas outras coisas
elas são não materiais, ela vai envolver
a valoração, a simbolização,
certo? No caso dos livros científicos
ecientíficos, o que ele vai trazer ali
são os conhecimentos científicos.
Não me importa, entre aspas, o material,
o produto que me interessa, é o
conhecimento que tá sistematizado ali,
certo? Por isso que são produtos do
trabalho não material,
só que ele se separou do produtor. Quem
produz o livro
faz o livro e o livro vai embora para
ser usado para outras pessoas. Quem
produz o artigo, deposita ele e ele,
entre aspas, né, vai embora para outras
pessoas. A obra artística, né, ela é
independente do pintor, né, por exemplo,
se for um quadro, né, o pintor morre, a
obra continua. Então, há uma separação
disso,
OK?
Então, e além disso, né, há o produtor
que faz o produto, estão separados, né,
e em outro processo, um outros seres
humanos vão se apropriar desse produto,
vão usar esse produto para construir ou,
né, melhorar a sua representação mental
da realidade. Então a gente não tem
contato, né, de quem tá usando o objeto
com quem produziu necessariamente.
Beleza?
E nós temos um eh o trabalho não
material onde não há essa separação.
O produto do trabalho, ele não se separa
do produtor, ele não gera algo
eh físico. Eu não quero dizer físico,
que possa ser digital, mas não gera algo
que possa ser transportado, né? Que
possa ser difundido para outras pessoas.
é algo próprio interno desse produtor,
como por exemplo, o próprio trabalho
educativo
ou outras formas de apropriação
cultural.
Então, quando os indivíduos realizam o
trabalho educativo,
o produto desse trabalho
é a representação mental da realidade.
E eu não posso
pegar essa representação mental da
realidade de outra pessoa.
Ela é minha representação mental. E
outras formas também de apropriação
cultural, né? ou seja, aprender formas,
outras eh linguagens ou línguas,
né, enfim, outras técnicas, por exemplo,
um esporte, né, também pode envolver o
trabalho educativo, né? Então,
aprender um um uma técnica é algo que eu
aprendo para mim. Eu me aproprio e
consigo desenvolver essa técnica. O
produto disso é eu conseguir desenvolver
a técnica. O produto do trabalho
educativo é a minha representação
mental,
entende? Ele não se separa de mim.
Consegue entender?
Mas ah, você tá falando, né? Você tá
mostrando o produto
do trabalho educativo seu. Sim. Só que
quando a gente fala já não é mais o
produto, já é outra coisa,
tá?
É como falar da garrafa e usar a
garrafa. São coisas diferentes.
OK?
Vocês estão a entendendo?
Tá. Então tá.
Então, a gente define o trabalho
educativo
como um trabalho não material
que não se separa do produtor,
certo?
Então, tá?
E daí a gente tem a natureza do processo
educativo enquanto trabalho humano, que
também tá lá nas perguntas, eu acho, né?
Uma dessas.
Então vamos lá. O trabalho educativo
é o trabalho não é uma expressão, é um
tipo de trabalho não material
no qual durante o qual não há separação
entre o produtor e o produto.
OK?
E o que que é esse produto de certa
forma, né? Como que se produz esse
produto interno?
É pela apropriação do que a gente chama
de cultura sistematizada.
Fiz uma pausa para ver se alguém querer
comentar alguma coisa. Cultura
sistematizada,
que é aquela cultura que está
sistematizada,
que a gente tem acesso a ela de forma eh
processual. a gente consegue obter essa
cultura. Não é algo espontâneo, não é
algo vivencial, é algo sistematizado,
tá?
E essa cultura sistematizada, ela está
sistematizada em produtos do trabalho
material, como tinha comentado,
mas também em produtos do trabalho não
material que se separam do produtor, tá?
que aí eu não coloquei. Então eu vou
voltar aqui nesse produtos de trabalho
material.
Então quando a gente usa isso aqui,
a gente está ou deveria estar, né, se
apropriando
de modos humanos
de se comunicar.
Por exemplo, tudo que tá aqui tá escrito
em português, no meu caso, né? Acho no
caso de todo mundo aqui. Então, para eu
conseguir usar isso aqui, eu preciso
falar português.
Se eu entrego esse celular para uma
pessoa que não fala português, qual é a
primeira coisa que ela vai tentar fazer?
configurar o dispositivo para pra
linguagem dela.
>> É, pra língua dela. Ela vai tentar mudar
o idioma, ela vai precisar ter acesso ao
que está aqui sistematizadamente.
Então aqui a gente pode reforçar o papel
da linguagem, né, no caso da língua.
Então a gente se apropria dessa cultura
que está nos produtos materiais.
E essa cultura vai fundamental, fomentar
o nosso desenvolvimento individual,
porque eu consigo melhorar minha
representação de mundo
e atuar diferente na sociedade.
OK? Essa frase é extremamente
ampla e genérica. Você vou tentar dar
exemplos.
Quando a gente estuda química e
biologia, o que a gente tá tentando no
fim das contas é se apropriar
dessa cultura sistematizada, do
conhecimento químico, conhecimento
biológico,
para conseguir explicar o mundo e atuar
nele, como químicos, como biólogos, como
jovens, como velhos, não sei como estão.
vão se classificando, né, como
brasileiros. Enfim, nós atuamos na
sociedade, na vida, com base naquilo que
a gente já apropriou de cultura,
tá?
E isso nos permite desenvolver,
desenvolver no sentido de melhorar essa
representação, tá? Isso que é
desenvolvimento nesse caso.
Então, quando vocês estão lá aprendendo
a mexer no microscópio,
agora que eu tô dando esses essas essa
explicação, imagine o microscópio. Isso
é mais pros biólogos, né?
Mas vou vou continuar no microscópio.
Vocês conseguem imaginar agora do que eu
falei? O que de trabalho humano está
presente naquele microscópio?
Quando você usa uma bureta para fazer
uma titulação,
você consegue entender que aquilo não é
só um
recipiente de vidro. Existe um monte de
trabalho humano colocado ali.
Consegue ou não consegue? Alguns
levantaram os dedos.
É isso que eu quero que vocês comecem,
né, a a entender. Então, quando eu
aprendo a usar a bureta para fazer uma
titulação,
eu não aprendi só a abrir e fechar uma
torneirinha. Eu aprendi ou me apropriei
o conhecimento necessário para entender
o que é uma titulação,
para que serve indicador, para que, né,
o a medida que tem ali no na bureta, a
graduação da bureta, para que que eu
faço aquilo, onde eu posso usar lá no
microscópio,
né, eu aprendo sobre, eu deveria
entender, né, sobre a ampliação das
lentes, o que as lentes fazem, por que
que tem a luz que vem de baixo? Por que
que eu abro ou fecho mais ou menos o
diafragma?
O que que significa focar, né, ou
focalizar, que eu tenho lá as as
graduações para fazer isso.
>> Por que que tem diferentes tipos de
microscópios com diferentes materiais
para conseguir observar melhor ou pior?
>> É sim, diferente. Ali falando do ótico,
né, que normalmente o que a gente usa,
mas existem outros equipamentos.
Tá? Então quero que vocês comecem a
tentar pensar um pouco nisso também, tá?
Não, não de imediato.
Então o produto que é, né, essa essa
melhora na representação mental,
a gente pode usar um termo mais
específico que são transformações
psíquicas,
transformações na estrutura psíquica do
indivíduo.
E essas transformações
elas permitem a formação de uma segunda
natureza. Eu não gosto muito desse
termo, mas ele aparece segunda natureza,
que é a natureza humana,
OK? Então a gente vai se tornando ser
humano durante o desenvolvimento
nosso, né, por meio das transformações
psíquicas que a gente
provoca por meio do trabalho.
E essas transformações, elas criam uma
segunda natureza. O que seria essa
segunda natureza? a gente acaba
naturalizando
processos culturais.
Por exemplo,
a leitura e a fala.
A gente não lembra muito bem, não sei se
tem gente que lembra ou não, mas
aprender a ler, principalmente a ler,
falar é mais fácil, mas aprender a ler é
um processo difícil pro indivíduo, né?
Coitado das pedagogas que precisam
ensinar a gente a ler.
Só que agora que a gente já sabe ler, a
gente não pensa mais sobre isso. A gente
lê. É natural ler para nós. Só que não é
uma natureza biológica. Não tava lá no
gene nosso, no gen g gen gen ler,
né? Como poderíamos interpretar, né? De
Pagê, por exemplo. Não tá lá. Código
genético não tem lá o coddons para cada
letrinha que você vai aprendendo, não
tem.
O que tem é a nossa base material. A
leitura é uma natureza cultural que fica
automática até certo ponto, né, na nossa
estrutura.
É ler em português, no caso, né? Se a
gente for pegar o denominador comum.
Aqui
o outro exemplo que os autores trazem,
que eu uso também, mas
mas a leitura é o exemplo mais marcante
ainda, eu acho, é aprender a dirigir ou
aprender a andar de bicicleta.
Também não é natural dirigir.
Natural é respirar, não dirigir.
Mas a gente aprende a dirigir. E
aprender a dirigir, eu acredito que para
todos não é um processo simples, fácil.
Você tá lá na autoescola tentando
aprender a dirigir, você precisa ficar
pensando em cada micromovimento que você
vai fazer
pro negócio sair do lugar e não morrer e
não atropelar ninguém.
Só que chega um momento em que você
torna isso automático, natural. a gente
usaria esse termo. Só que é uma natureza
cultural dirigir, não é algo biológico
dirigir.
Só que a gente deixa isso automático, a
gente automatiza. Então, a ideia do
processo educativo é que a gente consiga
pegar o conhecimento científico
e torne ele natural para nós, a gente
consiga pensar o mundo de forma
científica,
que a gente tenha, né, se aproprie
dessa, a gente crie essa segunda
natureza nossa de pensar cientificamente
e agir cientificamente no mundo.
conseguiram entender?
Tá? Quero ver, hein?
Então aqui a gente tem
a possibilidade de estabelecer a relação
entre a educação e o ensino, que é algo
que a gente já falou, né, há algum
tempo.
Então, a educação é esse processo geral,
bem geral, né,
que tem como função eh que os as pessoas
que estão envolvidas nesse processo
educativo
se apropriem da cultura sistematizada.
Tá? O que que vamos dar? Outros exemplos
de cultura sistematizada
que às vezes, né, a gente acha que a
cultura sistematizada é é a ciência lá,
né, que a gente tira da biblioteca, mas
não, né?
Por exemplo,
eh, existem formas de sistematização
que seriam, de certa forma populares, se
a gente pudesse usar esse termo. Por
exemplo, livros de receita,
que eu acho que é uma coisa que não
existe mais,
né? Então, a gente procura tudo na
internet, né? a gente não precisava, não
precisa mais ir lá nos livros que os
nossos avós, nossas mães talvez tinham
para produzir, né, o alimento daquela
forma. Aquilo também é cultura
sistematizada porque ela tá escrita ali,
tá? Então, a diferença entre cultura
sistematizada e não sistematizada não é
ser algo científico do no nessa questão
de ser da universidade, ser da escola.
Ser sistematizada é estar sistematizada,
estar escrito, organizado e que uma
pessoa pode aprender usando aquilo, né?
pode ser transmitida a cultura por meio
daquilo. Rituais, por exemplo, pode ser
considerado uma forma de cultura
sistematizada,
popular, né, normalmente.
Mas voltando aqui ao ensino, né, a
relação, a educação é esse processo
genérico e o ensino
é a parte, né, o de vai descrever o que
o indivíduo mais desenvolvido
culturalmente
vai possibilitar pro menos desenvolvido
se apropriar dessa cultura.
Então, a gente não se apropria da
cultura sozinho
e não se apropria da cultura de uma
maneira arbitrária, empírica.
Empírico significa de experimentação
ingênua, sem querer.
É preciso um processo intencional para
que isso ocorra.
E para fazer isso acontecer, existem
técnicas, existem conhecimentos
específicos para isso. Isso é o ensino,
é organizar o processo
para que alguém aprenda. E a educação é
o processo genérico
de apropriação da cultura. Então, o
ensino ele vai est muito mais eh
presente na educação formal, na educação
institucionalizada, na escola,
mas nem sempre, né, quando
não há tanto tempo atrás, em algum em
alguns lugares, né, o pai ensina a
profissão pro filho, ele tá ensinando,
né, ele ele tem seus métodos ali de
ensino que podem ser discutidos, mas ele
tem, né, uma organização de ações. Isso
é o ensino de maneira geral.
Eh, mas obviamente como a gente atua na
escola é o ensino escolar, então ele é
um ensino característico, tem suas
técnicas e teorias.
Ah, já coloquei aqui, né? Então, lendo
aqui, educação é o processo geral de
formação humana por meio do trabalho
educativo
e o ensino é a organização desse
processo educativo. Aqui eu coloquei
pelo professor, mas a gente poderia usar
pelo indivíduo mais desenvolvido
com objetivo de promover a a
aprendizagem
dos indivíduos menos desenvolvidos.
E daí quando a gente usa mais
desenvolvido e menos desenvolvido,
as pessoas se sentem muito
desconfortáveis com esse termo.
Não sei se alguém aqui se sentiu assim,
mas é isso mesmo, gente. Tá?
Existem pessoas, né, que historicamente
já tiveram acesso à cultura.
Então, em termos culturais, daquele
escopo cultural, ela é mais desenvolvida
do que as pessoas que ela tá ensinando.
É impossível você ensinar,
você fazer esse processo se não tiver
essa diferença de desenvolvimento
em relação à cultura que está sendo
discutida no processo educativo.
Então precisa dessa diferença aqui, n o
indivíduos mais desenvolvidos
organizando o processo, né, de ensino e
aprendizagem dos menos desenvolvidos,
tá? Não precisa ficar desconfortável,
não é demeritório, nada do tipo, é assim
mesmo.
OK?
E a gente entra então num tema que é
muito mal compreendido às vezes, que é o
trabalho como princípio educativo.
Também tem uma pergunta sobre isso ali,
né? Tinha. Então o trabalho é tudo
aquilo que a gente já discutiu, né? Ação
intencional planejada do ser humano, que
pode ser material e não material.
Ao dizer eh que a gente entende o
trabalho como princípio educativo, a
gente tá querendo dizer que a educação
é um tipo de trabalho humano.
E para aprender,
para ensinar e aprender, a gente precisa
realizar trabalho, né? O trabalho
educativo vai envolver atividade de
ensino, né? E atividades de
aprendizagem.
dentro desse trabalho.
Outra coisa que a gente tá dizendo, tá
colocado nessa frase e a gente pode não
entender que o trabalho educativo
existe, a educação existe, porque os
seres humanos de hoje, da nossa
sociedade,
necessitam de um processo intencional de
apropriação cultural para se
desenvolver.
Então essa apropriação da cultura é uma
necessidade humana que foi criada pelos
seres humanos, mas ela é uma
necessidade,
ela tá colocada hoje para você, para um
qualquer indivíduo do planeta entender o
que tá acontecendo no planeta, ele
precisa se apropriar da cultura
sistematizada, senão ele não vai
entender. Ele precisa
saber ler, escrever, pelo menos a sua
língua materna. Você vai entender as
expressões matemáticas, né, do do mundo,
conhecimento científico em geral,
sobre ética, né, e moral, sobre
simbolismos. Ele precisa disso porque
senão não consegue compreender e atuar
livremente no mundo. É isso que tá
dizendo essa frase aqui.
E a gente também tá reforçando que a
objetivação da cultura
e a apropriação também da cultura,
poderia colocar aqui,
não são processos naturais, são
processos
sociais no ser humano, tá?
Então, não existe um processo natural de
transformação de matériapra num produto
e a apropriação da cultura não é um
processo natural,
tá?
Não é, é um processo social.
Então, a apropriação, aqui eu pus
apropriação, né? Eu vou corrigir. A
apropriação
não é espontânea, ou seja, ela não
ocorre ao acaso.
Ela precisa ser sistemática.
Então ela vai envolver a ação
intencional
das pessoas que estão no processo
sobre os produtos culturais, que são
produtos humanos, né,
com o objetivo de promover o
desenvolvimento de uma segunda natureza,
que é a natureza cultural.
Certo?
De novo,
então, a apropriação da cultura não é
espontânea.
A apropriação da cultura, ela é feita em
um processo sistemático
e intencional
que atua sobre os produtos humanos da
cultura, materiais e não materiais.
E o objetivo dessa apropriação é
desenvolver naquele indivíduo uma
segunda natureza que recebe esse nome,
porque não é a natureza biológica que
todos já têm, é a natureza cultural
que precisa ser apropriada pelos
indivíduos.
OK?
E aqui a gente responde a pergunta lá no
início. Então, a natureza humana ela não
é dada e inata. a gente não nasce com
ela, com essa segunda natureza humana.
Aí
ela é produzida pelos indivíduos,
pelos seres humanos, com base no na
natureza natural. natureza natural, vale
o a cacofonia, né, que eu coloquei na
base biofísica,
mas ela eh não é
não está presente no DNA, por assim
dizer, colocando em outros termos, né?
Ela não é
não é que o indivíduo humano ele vai
desenvolver, se desenvolver
biologicamente, vai se apropriar dessa
cultura como um uma expressão, né, do
código genético, não é assim. que
funciona. OK, pode falar, Joel.
>> Eh, só uma pergunta sobre a apropriação
ali para ver se eu entendi mesmo. Eh,
então o ser humano para ele eh ele para
ele ser, digamos, produzir a sua
cultura, né, ele tem que se apropriar da
cultura pré-existente para produzir a
sua própria. Seria isso?
>> É, a cultura é social, tá?
É melhor pensar a cultura como uma
expressão da sociedade,
mas é isso.
Pra gente produzir a nossa representação
mental da realidade
e as formas de atuar nessa realidade, a
gente se apropria de conhecimentos
sistematizados, de culturas
sistematizadas
anteriores.
E daí a partir dessa a gente pode atuar
e produzir a cultura do nosso tempo,
se for o caso, né?
OK.
Tá bom.
Então,
oi, que eu fiz? O que é o trabalho
educativo? Reparem que a gente saiu da
página um paraa página dois do texto,
né? Em 1 hora e meia.
Vai tudo bem?
Essa frase o Saviana escreveu, todo
mundo repete, tatua e etc. Mas tá aí. O
trabalho educativo
é o ato de produzir direta e
intencionalmente em cada indivíduo
singular a humanidade que é produzida
histórica e coletivamente pelo conjunto
dos homens.
Entenderam essa frase?
Sim ou não?
Sim. Joel não.
O do sí. Sim. O outro Joel também não.
Então vamos lá. Vamos. Essa frase é o
resumo de tudo que eu falei. Vamos lá.
Vamos lá, Gabriel. Vamos lá.
O que que significa, né? eh
esse pedacinho, né, final. A humanidade
que é produzida histórica e
coletivamente pelo conjunto dos dos
homens. Significa que
para a gente se desenvolver como
indivíduo,
a gente se apropria da cultura
produzida anteriormente.
Tudo bem?
OK? É isso que quer dizer.
E o trabalho educativo
é o ato, ou seja, as ações
para que o indivíduo consiga se
apropriar dessa cultura.
Isso é o trabalho educativo. Então
precisa de pessoas pensando esse
processo, dirigindo esse processo com a
intenção de que cada indivíduo se
aproprie da cultura humana produzida.
E daí o que que ele tá jogando aí de
palavras é aquela questão de que essa
produção é interna. Então, quando o
indivíduo se apropria da cultura e
produz internamente
lá pelo trabalho não material, sua
representação de mundo, ele tá
produzindo aqui na cabeça dele
tudo que a humanidade produziu histórico
e coletivamente. Tudo é exagero, né? Mas
o que a humanidade produziu histórico e
coletivamente, ou seja, ele vai se
desenvolvendo e se tornando cada vez
mais genérico, cada vez mais humano, né,
entre entre aspas aqui, né, no sentido
cultural. Então, qual que seria o
objetivo final, assim, se a gente fosse
pensar no processo educativo perfeito,
que todas as pessoas do planeta, como
indivíduos singulares,
se apropriassem de toda a cultura humana
já produzida.
Esse seria o ideal, o esperado.
Só que, gente, a gente mal consegue se
apropriar de uma parte, né? Quanto mais
de tudo. Então, o que que a gente
precisa fazer?
primeiro ou, né, junto com a com
processo de ensino, é identificar
quais objetos culturais,
qual parte da cultura sistematizada
precisa efetivamente ser apropriada
pelos indivíduos para que eles se tornem
humanos, né, para que eles
consigam participar efetivamente da
sociedade na qual vivem.
Certo?
Vou dar um exemplo que me veio agora. Se
ficar ruim, vocês me digam. Todas as
línguas que existem no planeta são
objetos culturais, correto? Português,
espanhol, russo, mandarim, tupiguarani,
línguas que eu não sei nem o nome. Ou
seja, são produtos humanos. a humanidade
produziu.
Só que para eu conseguir viver
de maneira adequada, né, na sociedade,
eu não preciso conhecer todas essas
línguas,
porque se precisasse também já era, né?
Impossível.
Então, na hora de pensar
qual eh quais objetos culturais são
necessários para os indivíduos
brasileiros se desenvolverem, a gente
pensa automaticamente na língua
portuguesa ou na língua brasileira de
sinais, né?
A gente não se preocupa com outros
objetos da língua.
Ah, não. Mas daí a gente pode pensar,
não, no mundo de hoje, como a gente mora
perto da fronteira, é necessário que nós
saibamos falar espanhol.
Então, esses objetos culturais, esse
objeto cultural vai ser necessário para
aqueles indivíduos. Não precisamos
compreender, né, os os povos
tradicionais da da região. Então vamos
falar Tupi Guarani. Precisamos falar no
mundo inteiro, então precisamos aprender
inglês por enquanto, né? Antes era o
francês, por exemplo. Então a
identificação desses objetos vai
depender de qual sociedade, de qual
tempo, né, de como aquela sociedade
vive. Se a gente for pensar nos artesãos
da Idade Média, os objetos culturais
importantes eram a profissão. Tanto é
que a maioria das pessoas da Idade Média
eram analfabetas.
Graças a isso, nós temos as várias
línguas. Se todo mundo soubesse falar
latim e falasse latim o tempo todo,
provavelmente a gente estava falando
latim até hoje.
Então, naquela época saber a gramática,
né, que era como eles chamavam, não era
importante pros indivíduos.
ou paraa massa, né, trabalhadora em
geral, né, particular. Então, a
identificação desses objetos faz parte
do trabalho educativo,
tá? vocês precisam conseguir responder
ou conseguir pelo menos ter uma
explicação para vocês do por vocês, como
futuros ou não, né, mas em formação com
professores de química e biologia
vão ensinar aquelas coisas, aquelas
coisas que estão ensinando são
essenciais para indivíduo viver em
sociedade?
A resposta tem que ser sim e a gente tem
que conseguir explicar como,
tá?
OK. Então essa é um papel importante do
trabalho educativo.
E a segunda parte que não vai vir da
cultura sistematizada, então veja que os
objetos culturais que a gente ensina,
boa noite,
a eles já tão sistematizados na cultura.
A gente vai identificar quais são os
essenciais,
né?
Ah, aqui eu não mudei, só que aqui nesse
quadradinho azul que eu vou mudar
daqui a pouco, é, a gente precisa também
agora, como pessoas, professores, né,
docentes que vão ensinar alguém,
identificar
quais as melhores formas
de provocar essa apropriação nas
pessoas,
certo? Então, objeto cultural ele existe
para ele ser apropriado, eu preciso de
um processo intencional que dirija
o aluno para essa apropriação.
Como que eu faço isso?
Essa é a segunda dimensão do trabalho
educativo.
Então, a primeira é identificar os
objetos e a segunda identificar
qual a melhor forma de provocar
apropriação por parte dos estudantes.
OK? Vamos falar um pouquinho mais disso.
Então, a identificação dos objetos
culturais vai envolver o quê?
Distinguir. A gente precisa conseguir
distinguir entre o que é essencial,
ou seja, o que é imprescindível pro que
uma pessoa saiba,
o que é fundamental, o que é principal,
né?
E aquilo que é secundário,
aquilo que é acidental, aquilo que eu
posso aprender
de outras formas,
seria o acidental, que é secundário, ou
seja, é um detalhe, é algo que se eu
souber,
tudo bem, eu vou, né, estar mais
enculturado, mas ele não é fundamental.
Mesma coisa, algo que é acessório, né?
Algo que não é aquilo que é o principal.
E a gente precisa conseguir fazer essa
distinção, tá? Não vai ter um manual,
bom, pode considerar o livro didático,
mas enfim, não tem um isso escrito em
pedra, né? A a sociedade tem que
determinar isso. E dentro da pedagogia
histórico-crítica,
o Saviane vai usar o termo de clássico
para dizer o que é essencial. que é
essencial é aquilo que é clássico,
certo? Então, um o conhecimento
clássico, a cultura clássica aqui nesse
contexto é o que
se consolidou na história como essencial
em dado tempo histórico. Então, o que é
essencial hoje para uma para um
estudante?
Língua, né, matemática, ciências, tã.
Então isso se tornou se firmou
essencial.
O que que a gente eh tem que
compreender, né, que o que a gente vai
ensinar lá no trabalho, no no processo
educativo é o saber sistematizado.
Mas nem tudo que está sistematizado é
clássico,
certo? Como eu falei, o latim, por
exemplo,
embora a gente chama isso de língua
clássica, ele não é clássico pra gente
sobreviver na sociedade. A gente não
precisa saber falar latim. Saber falar
latim é secundário,
acessório,
né? No geral tô falando, né? Claro que
vai ter profissões, por exemplo, que
isso é essencial. Então, tá vendo como o
que é essencial? Ele vai mudar, né, de
acordo com o que que eu quero fazer. Por
isso que o processo tem que ser
intencional.
Então, esse saber sistematizado,
saber clássico, diga Jeferson,
professor, com relação ao que é
essencial e o que é não essencial,
digamos assim, eu gostaria de fazer dois
questionamentos
com relação a algumas coisas que eu
observei. Eh, por exemplo, no primeiro,
no livro ele mencionava de atividades
que estariam tomando o lugar do que é
essencial,
como
eh, por exemplo, a semana, eh, no texto,
ele menciona, por exemplo, a semana da
bandeira e coisas assim que eram
atividades que deveriam ter um cunho de
apoio a o que é essencial, a história,
por exemplo, mas estavam tomando lugar.
Daí eu tenho um questionamento sobre,
por exemplo, no PIBID, nós vimos muitos
alunos da formação docente trabalhando
em um cartaz sobre o carnaval.
Era um cartaz que tinha informações
históricas de origem, objetivos e tudo
mais. E com complemento a isso, por
exemplo, na na numa escola fundamental
aqui da cidade, as crianças foram
fantasiadas, sabe?
Primeiro seria esse questionamento.
Eu queria saber por a que ponto eh uma
atividade como aquela do estudo do da
formação de docentes de estudar sobre o
tema, desenvolver um trabalho sobre o
tema,
se tornaria algo essencial ou estaria
tomando o tempo, digamos assim?
>> Tá,
não vai ter uma resposta clara para
isso, né? Vai depender também do que
cada pessoa acha essencial.
Mas a pergunta que a gente teria que
responder é para um brasileiro,
nós
é essencial que a gente compreenda
essa expressão cultural que é o carnaval
pra gente se entender a cultura
brasileira e essas, né, e a nossa vida
enquanto brasileiros.
Essa é a pergunta.
Eu responderia que sim.
>> Sim, concordo. Eh, porque
>> e daí o que que acontece? Só
para não perder, daí você faz a segunda
pergunta. Esse é o quadradinho vermelho.
Carnaval, como expressão cultural é
essencial que a gente entenda. Agora eu
preciso pensar no quadradinho azul. Como
que eu faço isso?
Da a gente pode entender assim, ir de
fantasia ou fazer um dia do carnaval é
suficiente
para que o estudante entenda a expressão
cultural do carnaval, sua importância
histórica, sua importância na
constituição da identidade brasileira.
E daí a gente começa a ter essa questão,
né,
de como que eu faço para aquele objeto
ter esse significado que a gente precisa
que ele tenha.
Então essa é a crítica, as datas
comemorativas, não é o conteúdo que tá
lá, né? Mas a forma, por exemplo,
Halloween. Adoro Halloween, né? Mas de
que forma compreender o Halloween nos
torna, né, é essencial paraa nossa
atuação na sociedade?
E como que no processo de ensino
aprendizagem que quais as melhores
formas da gente fazer com que os
estudantes se apropriem dessa expressão
cultural que é o Halloween, por exemplo?
Tá? Não sei se ficou claro, mas pode
comentar perguntas.
>> Pode comentar, Jefferson.
Eh, professor, eh, desculpa, eu queria
saber com também seguindo nessa linha
que eu queria perguntar, é, por exemplo,
a inclusão de empreendedorismo no
currículo do ensino médio aqui, pelo que
eu abri no currículo do Paraná.
>> Uhum. Tipo, é, cai aquele ponto de que é
essencial ou tá sendo
é importante para o aluno brasileiro
aprender, ter esse isso daí em, por
exemplo, detrimento de diminuição de
carga horário de outros conteúdos, por
exemplo, química não tem. e biologia. Eu
acho que também não tem mais no terceiro
ano, mas empreendedorismo está incluído
ali.
Isso daí já faz um tempo que eu tô
pensando.
Então, a gente precisa primeiro pensar e
e entender se empreendedorismo
é uma expressão do saber sistematizado
no sentido de conhecimento científico
ou
é uma tecnologia, são formas de fazer
alguma coisa.
Porque o que a gente ensina ou deveria
ensinar na escola é o conhecimento
científico
e não formas específicas de fazer
determinadas coisas.
Por exemplo, a gente não vai ensinar na
escola e não deve ensinar na escola
declarar o imposto de renda.
>> Porque se você sabe ler, você lê o guia
lá da Receita Federal e você faz o teu
imposto de renda.
ou você paga um profissional para fazer
isso. Tem profissões que fazem isso. Não
é essencial e não é um conhecimento
científico perc
ou a declaração de imposto de renda. Que
que eu poderia fazer por meio de tentar,
né, de mostrar a declaração do imposto
de renda, aprender alguma coisa,
matemática, né, tributária, alguma coisa
assim?
Tá vendo que o que a gente não pode
colocar o exemplo e o como fazer, o que
fazer antes do conteúdo científico.
O conteúdo científico é clássico.
Então, lá na disciplina de
empreendedorismo, na no componente
curricular de empreendedorismo, eu
estou, né, o professor, né, que, né,
professor, eh, ensina conhecimentos
científicos,
porque se sim,
não é um problema imediato isso. Agora,
se não, tá ocupando o lugar de alguma
coisa que é mais essencial que isso.
Certo?
Consegui responder?
>> Sim. Eh, professor, só por exemplo aqui,
eu tô com o documento aberto e ele
apresenta aqui objetivo: reconhecer e
avaliar conhecimentos e recursos
relacionados à matemática como meio para
alcançar os objetivos pessoais e
profissionais, buscando atingir a
buscando agir de forma proativo.
Acho que meio fora assim, só para
complementar do que eu tô li do
documento agora.
É, faz, compara com isso aqui, né?
Isso, o objetivo que ele colocou aí tem
a ver com isso aqui? se apropriar dos
objetos culturais produzidos pela
humanidade,
né, para atuar em sociedade.
Se sim e isso não tá ocorrendo, o
problema pode estar na forma
de ensinar e não no conteúdo, no objeto
propriamente dito,
né? Agora, perceba que do mesmo jeito,
minha interpretação, embora não tenha,
né, aprofundado no texto, parece raso,
porque o próprio empreendedorismo não
vai depender só de conhecimentos
matemáticos, né?
Então, o que que que o que que
precisaria inverter, no caso, né, na
minha na visão dessa pedagogia, o que é
importante nessa ementa toda aí são os
conhecimentos matemáticos,
certo? Se a gente quer usar práticas que
a gente entende como empreendedorismo
para trazer significado pro conhecimento
matemático, é uma coisa, você tá
trabalhando na forma.
E a gente não pode colocar forma em
primeiro lugar,
me repetindo, né? A gente tem que pensar
no conteúdo. Em primeiro lugar, a gente
tem que pensar o que,
que é o objeto, né? Qual o objeto
cultural? Eu
quero que os alunos se apropriem. Esse é
o primeiro.
E ligado a ele, mas de certa forma
secundário é a melhor forma de
socializar esse objeto.
Então, quando a gente muda essa ordem, a
gente esvazia a escola
dos seus objetos.
Nós vamos discutir isso também em algum
momento,
mas é, né, a questão de de
empreendedorismo, por exemplo, é isso. O
nome pelo nome não vai resolver muita
coisa. a gente tem que ver o conteúdo e
a forma, mas como provavelmente, né,
nessa construção curricular já não houve
a preocupação em pensar no conteúdo e na
forma,
é provável, né, que esse tipo de
organização curricular não atingja esses
objetivos,
né? A gente tem essa expectativa.
OK?
Mas vamos tentar eh com esse slide ver
se eu consigo esclarecer ainda um pouco
mais. Então, lembrando, na escola o
objeto é o saber sistematizado. São eh,
recortes do saber sistematizado que são
essenciais. Mas o que que é esse saber
sistematizado?
Ele é uma expressão do conhecimento
elaborado,
que a gente pode chamar de conhecimento
teórico,
que é o contrário do saber espontâneo,
que é o conhecimento empírico.
Então, o saber espontâneo é aquilo que a
gente consegue aprender pela nossa
vivência na sociedade já humana. a gente
vive e aprende coisas espontâneas,
coisas empíricas da experiência.
Esse tipo de coisa não deve ser foco da
escola, porque ele já vai ser aprendido
em outros espaços
e a escola precisa resguardar o seu
espaço, porque se o conhecimento teórico
não for ensinado na escola, ele não vai
ser ensinado em outro lugar.
Já o conhecimento empírico, ele vai ser
ensinado em outro lugar. Então não é que
a gente tá tirando um para pôr o outro.
A gente tá resguardando um espaço
exclusivo do saber teórico, porque ele
não tem como aparecer em outras esferas
que não seja a escola desse pensando ela
desse jeito, né?
Então ele é sistematizado, ele não é
algo fragmentado, né? Ele tem uma
sequência lógica
de construção, né? Lógica histórica de
construção.
Aqui vem outro termo, né, que é que é
complexo aqui, mas ele é um conhecimento
que é erudito e não popular, mas ao
mesmo tempo a gente defende educação
popular. Então temos que entender o que
que é o que que isso quer dizer.
O conhecimento erudito é a mesma coisa
que o conhecimento teórico.
Tem um paralelo aqui essas essas
classificações.
E ele é teórico, ele é erudito porque,
primeiro ele depende de uma linguagem
específica e segundo porque ele é um
sistema conceitual.
Já o saber popular,
né, a cultura popular, ela não é eh ela
não se constrói assim, ela se constrói
da experiência, das explicações de um
grupo, né, de algo mais particular, não
universal, como o conhecimento teórico.
Então, o conhecimento popular, o saber
popular, ele é popular, significa que
ele permeia a vida do povo, das pessoas.
Agora, o que que a gente precisa que
todas as pessoas tenham também esse
conhecimento erudito que não pode ficar
restrito
a determinados grupos de pessoas,
tá? Então, o conhecimento científico
metódico, eh, conhecimento
sistematizado, metódico, teórico e
erudito, a gente tá chamando de
conhecimento científico.
Então, não é química, física, biologia,
né? é o conhecimento sistematizado de
matemática, da música, da língua,
das técnicas, da tecnologia. Tudo isso
vai est nesse nesse
eh nessa categoria de conhecimento
científico, tá? Então, esse tipo de
conhecimento, ele não é aprendido de
maneira espontânea. Então, eu preciso de
um lugar e de um processo
intencional para isso, tá?
E aqui quem já teve aula de
epistemologia deve lembrar, né,
desses três tipos de saber, de
conhecimento que já é definido, né,
desde a antiguidade.
Então aqui a gente tem a episteme, que é
o saber epistêmico, a doxa que é o saber
dogmático de senso comum e a Sófia, que
é o saber da experiência.
Tudo isso faz parte da nossa
constituição de ser humano, tá? como ser
cultural.
Só que a Sófia é o saber da nossa
experiência de vida. Então, a gente
aprende vivendo ele.
E a doxa é o senso comum e o
conhecimento dogmático, religioso,
místico, enfim, que é aprendido em
outros lugares.
Onde que
sobra, né? O que que tá faltando desses
dois que você já vai ter
obrigatoriamente é a episteme, que é o
conhecimento científico,
que se você não tiver um espaço adequado
para ele, que é a escola, ele vai
faltar.
E a gente defende que a gente precisa de
tudo isso
no processo de humanização. Então,
quando a gente ouve, por exemplo,
eh que eh mais vale, né, a experiência
do que ir pra escola, né, do que o
aprender, é uma visão parcial
do que é realmente essencial, tá?
Então, as pessoas que são experientes,
elas têm saber, elas são sábias, mas é
esse tipo de saber.
A gente precisa completar isso com essas
outras expressões do saber. Do mesmo
jeito, não dá para pensar a escola como
um lugar de senso comum. um senso comum.
A escola faz parte, né, da sociedade,
vai interagir com esse senso comum, só
que ele tem que eh ser confrontado, né,
ou
articulado com o saber científico,
porque senão não faz sentido ter escola.
Então, quando a gente começa a tirar o
saber científico da escola, a escola
perde sua razão de ser,
que é o que nós estamos vendo hoje,
inclusive vendo o o retorno já, né, ao
que ao que era antes, porque perceberam
que não é bem assim, né?
OK.
E aqui, né, que é o quadradinho azul que
eu acabei não corrigindo ali,
além dos objetos culturais essenciais, a
gente precisa identificar os meios
adequados para isso, tá?
Então, esse esse meios, esses esses eh
meios educativos vão envolver os
conteúdos escolares, os espaços
escolares, os tempos escolares, os
procedimentos didáticos, os recursos
didáticos, todos esses termos que a
maioria de vocês já teve algum tipo de
contato.
Então, todos esses eh componentes do
trabalho educativo, eles têm que ser
organizados de maneira intencional, tê
que ser planejados
para possibilitar a apropriação cultural
dos estudantes.
OK?
Então aqui, né, tem uma o final, né,
naquela mesma frase. Então, a gente
organiza isso para esse fim aqui, que
cada indivíduo singular
realize com uma segunda natureza a
humanidade produzida historicamente. Ou
seja, que cada indivíduo
torne natural
essa a cultura humana
na sua forma de representar o mundo e de
agir no mundo,
certo?
E daí a gente já definiu, mas vamos
reforçar a função social da escola. Para
que que tem escola?
Primeiro,
a escola é a parte da educação
que a gente vai considerar em termos
pedagógicos.
Ou seja, a prática social, a nossa vida,
né, que é a prática social global, ela
tem, né, a gente se educa o tempo todo,
como se já colocaram,
mas eh instituição, escola, vai ter uma
dimensão específica que a dimensão
pedagógica,
que é intencional, né, para a
apropriação dessa cultura.
Então essa a escola, né, tem como
objetivo, como função propiciar
apropriação de instrumentos culturais
que possibilitam o acesso ao saber
elaborado e aos fundamentos do saber
elaborado.
Que que dá acesso ao saber elaborado?
principalmente as linguagens, a
linguagem, a língua materna
e as simbolizações, a química e biologia
são cheias de símbolos, de formas de
escrever. Se a gente não tem a, se a
gente não se apropria desses
instrumentos, a gente não consegue nem
ter acesso ao que diz a química e a
biologia, quanto mais usar isso para
explicar o mundo, né? Então, a gente tem
que cuidar desses dois.
E daí surge o termo que muitas vezes as
pessoas não entendem, né, que a o
processo que ocorre na escola é o
processo de transmissão, apropriação
desses saberes,
tá? Então, a apropriação a gente tá
falando desde o início, o indivíduo que
tá aprendendo se apropria dos
instrumentos culturais. Acho que isso já
tá OK.
Só que aquele termo transmissão que
muita gente, né, compara o ensino
tradicional, eles ele quer deixar muito
claro que para ocorrer a apropriação
é necessário um processo intencional
de socialização desses objetos.
Ou seja, o estudante ele não constrói
conhecimento,
ele se apropria de um conhecimento que
já existe.
Só que esse conhecimento ele existe lá
sistematizado
e a gente precisa fazer um processo para
que o estudante se aproprie. Esse
processo é a transmissão.
Resolveram chamar de transmissão,
tá? Então, só que é impossível pensar um
sem o outro. Não há apropriação sem a
transmissão e nem a transmissão. Se ela
não envolve a apropriação, ela não serve
de nada, tá?
Então aqui, né, o acesso se dá pela
leitura, pela escrita da língua materna,
pelas linguagens, né, pela linguagem eh
científica, matemática, enfim.
e os fundamentos dos saberes, então, de
ciências humanas, ciências da natureza,
sociais, tecnologias, enfim. Então,
isso, né, que a gente define como
essencial pro estudante. Então, o quanto
de ciências humanas, o quanto, né, ou o
que de ciências da natureza é essencial.
Essa discussão não tá pronta, ela
precisa existir e ela também não é
imutável,
tá?
E depois ele vem paraa concepção do
currículo. Por quê?
Bom, vocês já sabem o que é currículo,
né? O o a documentação escolar, né?
Principalmente a expressão maior do
currículo.
Então o currículo é aquilo que vai guiar
o trabalho educativo, né? Em resumo, se
ele vai guiar o trabalho educativo, a
gente já definiu que o trabalho
educativo tem que propiciar a
apropriação do saber sistematizado,
o currículo
tem que se orientar para isso. Todas as
ações curriculares da escola devem ser
orientadas para a apropriação de saber
sistematizado pelos estudantes,
todas.
inclusive a organização administrativa
da escola,
a organização didática, tudo tem que ser
orientado para isso.
E o currículo Saviane vai dizer que é o
conjunto das atividades nucleares da
escola. Quais são as atividades
nucleares? as que permitem a apropriação
do saber sistematizado.
Então, a gente vai ter a necessidade de
promover essa apropriação
e a gente tem tempos definidos e espaços
definidos para isso. Então, a partir
dessas questões materiais, a gente pensa
em quais atividades e como elas vão
acontecer para possibilitar essa
apropriação.
E daí ele coloca a diferença entre
curricular e extracurricular, né? Então,
o curricular é o essencial,
só que o extracurricular ele não pode tá
lá, né, só ocupando espaço, ele tem que
estar vinculado
e contribuir para os os processos
curriculares.
No IF, o que que seria os principais
processos
extracurriculares, né, que a gente pode
pensar os os projetos de pesquisa e
extensão que não são do currículo de
vocês, né? TCC num extensão curricular,
eles não podem existir propriamente sem
estar vinculados ao trabalho que é
desenvolvido na formação de vocês, né?
Se a gente for seguir essa teoria
pedagógica.
Então essa
necessidade de do Saviane de falar o que
é curricular e extracurricular
veio dessa concepção ampliada de
currículo que se tem hoje muito
derivada, né, do construtivismo e tal,
que é o excesso de estímulos, né? Quanto
mais estímulos, melhor, mas você não
pensa muito bem na organização desses
estímulos, né?
E também isso acaba colocando a escola
eh ou atribuindo à escola funções de
outros espaços sociais, que é aquela
famosa expressão, né, que o professor
virou médico, psicólogo, assistente
social, porque se joga na escola todas
essas funções que não são atribuição da
escola.
Isso, né, vai de uma visão
na qual o saber sistematizado não é
importante. Essas outras coisas são mais
importantes
e com isso a gente perde a
especificidade da escola.
Se o saber sistematizado já não é mais
eh o objetivo da escola, a gente não
precisa formar professores
que saibam muito bem dos objetos
culturais que a gente acha que precisa
ensinar. E da gente precariza a formação
de professores, por exemplo,
né? A gente não precisa mais de
professores que saibam muito bem
química, a gente precisa de professores
que saibam mediar conflitos. A gente
cria essas outras formações que colocam
no professor funções que ele não deveria
ter, que existem outros profissionais
mais qualificados para fazer isso.
Tragam esses profissionais pra escola.
Não joguem isso na responsabilidade
daquele que deveria socializar o
conhecimento sistematizado.
OK?
Daí vem a ideia de saber escolar.
Então,
a mera existência do saber sistematizado
não é suficiente para que ocorra
apropriação. Isso eu já comentei, né?
Então, o fato de existir lá as teorias
da química não é suficiente para que
todo mundo saiba química. E a gente
observa isso empiricamente.
É preciso um processo intencional que é
o processo educativo.
E esse processo ele vai principalmente
dosar e sequenciar esse saber.
até que nível de especificidade eu vou
discutir esses saberes? Quais deles
em que sequência?
Então, nem sempre a gente ensina,
logicamente na escola, por exemplo, a
sequência histórica de desenvolvimento
da química da biologia, porque faz mais
sentido sequenciar de outra forma hoje,
que a gente já sabe de tudo,
tudo entre aspas, né, que a gente já tá
no nível mais avançado dessas ciências,
mas historicamente as pessoas foram
descobrindo essas coisas. Nós não
descobrimos mais. a gente se apropria do
que já está sistematizado, né? E por que
que eu tenho que dosar e sequenciar de
novo? Porque eu tenho tempos e espaços
definidos, né? 200 dias letivos, tantas
aulas dessa disciplina, tantas aulas, é,
tantos minutos, tudo isso tá
estabelecido. Eu não tenho todo o tempo
do mundo para falar das coisas, então
preciso organizar.
Tem também as condições concretas dos
sujeitos e da escola,
né? Questões estruturais da escola que
vão impactar em quais atividades podem
ser feitas. o nível de desenvolvimento
dos sujeitos vão impactar nas atividades
que podem ser feitas, possíveis
necessidades específicas vão impactar
nas atividades que podem ser feitas e
assim por diante. Por isso que não tem
uma receita de bolo. Cada grupo é um
grupo, né?
E a gente tem que pensar, né, na ordem e
nessa dosagem que permita a transmissão
e apropriação da cultura. Não adianta a
gente só pincelar as coisas, por
exemplo,
porque assim a gente não se apropria
adequadamente. Então é muito difícil
organizar esse saber escolar. Você já
devem sentir isso, quem vai no estágio,
né, e tá mais pro fim do curso. E além
disso, né, de dosar o conteúdo
científico, saber científico, a gente
tem que estabelecer os melhores métodos
de ensino, dentre as possibilidades que
a gente conhece, qual o melhor ou quais
os melhores para aquele grupo, naquelas
condições, naqueles tempos e para aquele
conteúdo,
certo?
Eh, e uma coisa importante, né? Às vezes
a gente pensa, não, que é, a gente tá,
né, no século XX, nó vamos fazer
exercício de repetição, não vamos fazer
prova, né? Não vamos fazer prova, eh,
eles decorarem a tabuada e etc. Mas isso
é completamente equivocado, tá?
Porque acabei de falar que a gente
naturaliza o ato de dirigir que a gente
repete até automatizar.
a gente aprende, naturaliza a ler,
porque a gente repete até automatizar.
Então, em geral, esses processos de
automatização, eles são necessários,
tá? Mas eles não podem ser o fim do
processo.
Eu preciso usar aquilo que eu
automatizei para alguma coisa, senão
também não resolve nada, né?
E a gente não pode pensar a partir do
método, que é o caso das metodologias
ativas, por exemplo. A gente tem que
usar o melhor método para ensinar o
conteúdo.
Não usar o método que eu quero
para ensinar tudo ou usar o método que
eu quero porque sequer aquele método.
Eu já falei isso hoje, né? A gente não
pode colocar o método acima do conteúdo.
O método ele é adequado ao conteúdo, tá?
OK.
E existia uma, tinha uma questão, uma
acho que é última, penúltima, que
falava, né, de que que isso tudo que a
gente tá falando da escola tem a ver com
a questão da liberdade,
não da libertação. Eu não nem lembro se
tá libertação no texto ou não, mas
liberdade, tá?
Verdade. Então aqui vai aparecer um
outro termo que eu vou tentar explicar,
mas ele é mais complexo. Então a
liberdade significa, em termos gerais,
superar a alienação do trabalho. O que
que é a alienação do trabalho? é quando
o produto do trabalho ele é expropriado
do produtor,
não necessariamente o objeto,
mas o resultado daquele processo.
Então, a gente entende que só vai ser
livre quando o produto do nosso trabalho
ser garantia nossa, né? Ser nosso por
garantia,
né? Ah, tava aqui, né? Então, a
alienação do trabalho é privar o
sujeito, né, dos produtos da sua
atividade, que podem ser materiais ou
não materiais. No caso,
no caso da educação, que é o nosso foco,
essa ideia da liberdade vai
significar o quê?
Que a que o indivíduo ele vai se
apropriar dos instrumentos culturais
necessários
e ele vai atuar em sociedade de maneira
autônoma.
sem a necessidade de recorrer a outras
pessoas.
Isso não significa que não vai, né, usar
eh recorrer a outras pessoas para
determinadas tarefas, né, no caso ao
médico, né, ao professor, enfim. Mas
para reproduzir a sua vida, para viver,
né, de forma, inclusive para poder
escolher o médico, escolher o professor,
né, ele precisa
entender da da realidade e para isso ele
precisa de determinados instrumentos,
né? volto sempre na questão da leitura,
né, no caso da comunicação, né,
e também a automatização de determinados
processos culturais, que volta também na
questão da leitura, o exemplo mais
prático, né, de entender.
Então, essa, quando a gente se
alfabetiza, quando a gente é
alfabetizado, né, ou se alfabetiza, a
gente cria esse hábito da leitura que é
segunda a natureza. E a ideia é que a
gente faça isso com todos os
instrumentos culturais essenciais
paraa vida, né?
E quando a gente cria essa segunda
natureza, né, esse processo é
irreversível
eh culturalmente, tá? Obviamente, se
você perde uma parte do cérebro, você
pode ter funções cerebrais prejudicadas,
mas se você tá lá se desenvolvendo em
condições normais de temperatura
impressão, você não vai desaprender
a falar e a escrever na língua que você
já aprendeu.
Só que para fazer esse processo
irreversível é necessário muita
persistência,
constância e paciência,
né? Tipo ir paraa academia, né? Tem que
ter persistência, constância e
paciência.
Então você tem que fazer, fazer fazer,
persistir, porque não é algo natural,
biologicamente falando, é um processo de
trabalho, ele demanda planejamento,
execução,
compreender o produto, usar aquele
produto, não é fácil, tá?
Ah, e aqui eu não vou ficar tanto nesse
ponto porque a gente até já falou um
pouquinho,
mas essa dicotomia, né, entre a cultura
popular e a cultura erudita,
que não deveria ser um o contrário do
outro, são formas diferentes da
expressão cultural. Então, a cultura
popular é aquilo que vem da nossa
vivência. Resumindo,
e é com base nisso, com base nessa
vivência que a gente vai conseguir
entender o saber científico,
tá? Por isso que é necessário que na no
processo educativo haja relação entre
esses dois.
Só que a gente precisa entender que o
conhecimento científico ele permite
outras formas de compreensão
que são essenciais
e eles vão enriquecer essas expressões
populares. Então não é que a gente vai
substituir uma coisa pela outra, é que a
gente como ser humano tem direito a
todas
para se desenvolver, né? Então o que
acontece? A cultura popular todo mundo
tem, todo mundo desenvolve nos seus
grupos populares, né? grupos sociais. O
que não pode acontecer é a privatização
do excesso essa cultura erudita, porque
senão alguns têm e alguns não têm. Isso
gera uma desigualdade.
Só que não é só uma desigualdade, né?
Todos somos desiguais em certos
momentos. Mas o domínio da cultura
erudita
permite que a gente interprete a
realidade de outra forma e faça coisas
que quem não sabe não consegue fazer. E
isso gera um processo de dominação, uma
relação de poder que existe, que
documentado, a gente sabe que existe, e
que nessa pedagogia, nessa filosofia, a
gente combate. Então, de novo, é direito
de todo indivíduo se apropriar de toda a
cultura que ele precisa, tá? Da melhor
forma.
Então, terminando, né, concluindo,
eh, a natureza da educação. Aí vocês
comparem com as respostas que vocês
deram lá já, né? Então, entender a a
educação como trabalho não material
e que o produto não se separa do
produtor, né, no ato de produção,
é o que vai nos permitir entender a
especificidade da educação.
Então, como ela é um trabalho não
material que não vai se separar, ela
significa
que ela vai atuar na representação
mental da realidade.
E para construir essa representação, a
gente precisa de conhecimentos
científicos, né, de ideias, né, de
pensamentos coletivos, de conceitos,
de valores, de atitudes, hábitos e
símbolos. Então, tudo isso vai compor o
conteúdo do trabalho educativo,
tá?
Só que não são todos os conhecimentos,
né? todos os símbolos, todos os
conceitos, porque não dá pra gente se
apropriar de tudo isso já mais, né?
A gente precisa identificar quais são
necessários
a formação daquele indivíduo singular
como pessoa, né, pertencente da sua
sociedade,
tá?
E esses elementos eles têm que ser
apropriados por esses indivíduos de
forma a produzir uma segunda natureza,
que é
se apropriar dessa cultura e tornar ela
automática, né? Se quiserem usar esse
termo,
para que a pessoa vive em sociedade,
para que ela não dependa de outras
pessoas que já se apropriaram dessa
cultura,
tá?
Então, a natureza para a a educação para
conseguir fazer tudo isso,
ela
ela ocorre, né, de forma deliberada,
intencional, ou seja, planejada,
organizada, intencional,
por meio de relações pedagógicas entre
os indivíduos.
Só que essas relações estão
historicamente determinadas. Significa o
quê? que elas dependem das condições
reais daquelas pessoas,
tá? Então, compreender a educação por
essa pedagogia
torna a educação um processo muito
complexo
e a gente precisa entender essa
complexidade,
né? Por isso que a gente vai ter outros
estudos, porque esse texto ele é o texto
inicial, mas ele traz muita coisa que
ainda fica
necessitando de mais explicações. Por
isso a gente precisa continuar.
Mas verifiquem se vocês conseguiram
compreender a ideia central aqui, que é
entender que
o ser humano, né, se caracteriza por
realizar trabalho,
que existe o trabalho material e não
material e que esse trabalho não
material envolve representação mental de
cada indivíduo.
Então, a função da educação,
principalmente
eh institucional,
é que cada indivíduo se aproprie dos
instrumentos culturais necessários para
produzir essa representação de mundo, de
modo que no seu desenvolvimento como
indivíduo, ele se torne cada vez mais
autônomo, independente,
né, para realizar
as suas ações, né, a sua, a reprodução
da sua vida em sociedade.
OK?
Então, os estudos pedagógicos ali
daquelas relações pedagógicas,
eles vão identificar os elementos
necessários paraa constituição da
humanidade
e as melhores estratégias para esse fim.
Então, a gente tem as ciências da
natureza que vão criar produtos
culturais sobre as propriedades do mundo
natural. A gente tem as ciências humanas
e sociais que vão criar objetos
culturais sobre as propriedades do mundo
cultural.
E a gente tem as ciências pedagógicas
que vão desenvolver objetos culturais
que vão possibilitar
as melhores estratégias para que os
indivíduos se apropriem desses objetos
que as outras ciências criaram.
OK? Estão vivos ainda?
Querem comentar alguma coisa? Precisam
digerir um pouquinho?
Gel não tá vivo. É isso.
Faz a mãozinha para baixo.
Gabriel Michele
também. Talvez gerir um pouco. Isso vai
ficar gravado lá. A gente vai voltar a
discutir.
Qualquer coisa, voltem no texto, vejam
se vocês entenderam isso que eu quis
falar,
né? Não é uma coisa fácil, tá gente?
Entender? Pedagogia histórico-crítica e
psicologia histórico-cultural não é
tarefa fácil, tá? Mas vocês conseguem,
se a gente fizer o método certo, vocês
conseguem.
Não, o quê, Mateus?
>> Eu já participei de
palestra, já li livro
da minha ex-namorada,
eh, tudo referente à pedagogia história
crítica. Acompanhei ela fazendo o TCC
dela referente também à pedagogia
história crítica e não consegui entender
nada referente a pedagogia história
crítica.
Tipo, é algo que f é um é um são textos
bem, digamos, maçante, maçante de se lê
e com com alguns termos assim, se você
não está no meio há algum tempo, você
tem uma certa dificuldade para entender.
Eh,
agora com esse com essa leitura, esse
trabalho com o PIBG, tô conseguindo
compreender alguma coisa do que que é a
pedagogia história crítica, mas mesmo
assim
é meio complexo algumas coisas referente
a essa teoria.
>> Uhum. É bem complexo. A gente tenta.
Mariana quer comentar alguma coisa. Acho
que eu posso tirar a tela aqui.
>> Ã, eu quero falar que eu fiquei feliz
com a participação de alguns dos
estudantes que mantiveram inclusive o
contato, ou seja, até falando que não
sobreviveram muito bem até o final da
formação.
Eh,
eu concordo que é um tema difícil. a
gente tem que pensar que a gente tem
estudantes nos diferentes períodos,
então alguns de vocês estão com mais ou
menos contato já com as disciplinas
pedagógicas,
mas, né, eh, é um tema importante de se
discutir dentro do IF e é um tema
importante pra gente também se
apropriar.
Eu eh não sei se a gente teria essa
chance de fazer isso, João, para fingir
eh a gente vai ter a lista de frequência
com os nomes de vocês, né? Quem
participou, sai um relatório depois, mas
para frente de registro também, será que
existiria alguma chance da gente
conseguir tirar uma foto com todo mundo
de câmera ligada assim bonitinho para
comemorar os sobreviventes do carnaval?
se vocês ainda estão aqui.
Profe, vai me desculpar, mas eu não vou
poder ligar não.
Nem, eu já para falar a verdade, eu tô
com not em cima da cama escutando a aula
e assim que terminar já vou desligar e
dormir.
>> Saber
>> eu não vou poder ligar, não é nem por
opção, é porque eu tô pelo computador e
o computador não tem webcam. Uhum.
>> Tá certo. Tudo bem. Então vamos,
vamos deixar para lá essa abertura para
vocês.
>> Tira o print da tela com nossas carinha
ali, profe. Todo mundo quase tem foto de
perfil bem bonitinho. A foto, a foto já,
já tá ótimo. Já, já dá, já dá um bom um
bom registro, né? Tem uma foto ali, né?
Então, já dá.
>> A gente tem que ficar feliz, né? E João,
que eles ainda estão acordadinhos,
vivinhos, né? Falando com a gente.
>> Uhum. Bom,
>> fiz que o nosso nome do e-mail é o nosso
nome mesmo. Podia ser Flavinho do Pneu.
>> É,
>> é, pensando por esse lado, Andrila,
concordo. Bom, então quem eh puder
ligar, quem não puder, eu vou te fazer
um print, então, com a imagem de todos
vocês.
>> Vou fazer um esforço.
Ah.
Pronto, consegui registrado esse lindo
momento. Muito obrigada, João.
>> Agradeço também, pessoal, depois que
vocês conseguirem digerir o texto,
se quiserem perguntar alguma coisa,
podem ali perguntar e a gente vai
continuar estudando esse tema, tá bom?
Então, boas férias da do IF.
Boas atividades nas escolas e a gente se
vê depois do carnaval.
>> Eh, aproveito para reforçar para vocês
não sumirem durante as férias nas
escolas.
>> Mesmo os alunos que estão com
supervisores do IF, eu sei que vocês têm
atividades para realizar. Então,
descansem das atividades acadêmicas do
IFR. mais eh se mantenham nas atividades
do PIBIT. Então é isso, pessoal. Bom
carnaval, boas férias temporárias
e até breve.
Tchau.
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