14/07 - Jornada Científica ABNG - com Pedro Bastos
Olá, olá, sejam todos muito bem-vindos.
Estamos aqui para mais um encontro da
nossa jornada ABNG, uma jornada de
conscientização
para as desordens funcionais e
intestinais, com foco em síndrome de
ativação mastocitária e intolerância à
estamina. No dia de hoje tenho o
privilégio de receber aqui comigo direto
de Portugal meu grande amigo Dr. Pedro
Bastos. E antes de mais nada gostaria
que vocês que estão aqui ao vivo agora,
se vocês pudessem colocar aqui de onde
vocês estão, eu tenho uma interação aqui
no estúdio que eu consigo ver vocês. Já
vi um olá, um boa tarde da Adriana aqui.
Obrigado, Adriana. Ah, obrigado a todos
que estão aqui. Obrigado. Eh, vocês
fazem toda a diferença. Valquíria tá
aqui. Eh, se vocês me colocarem assim
nome cidade, né? Porque às vezes o
arroba de vocês, ó, de Sorocaba,
Cíntnia, muito obrigado, gente. Betim,
Minas Gerais. Que legal. Olha que legal
que nós temos aqui. Maringá no Paraná,
Palmas no Tocantins, Rio de Janeiro.
Olha aí, Pedrão, estamos com o Brasil
quase inteiro representado aqui hoje. Eu
sei que é um horário distinto da
normalidade, mas claro, depois que eu
tive que ministrar uma aula no horário
do Brasil lá de Portugal, eu nunca mais
vou pedir ao Pedro que ele ministre uma
aula no nosso horário do Brasil, porque
é extremamente ruim, é é contra o nosso
ambiente de trabalho no cérebro. Então,
quando eu o convidei, eu pedi que ele
mesmo escolhesse um horário e pra gente
aqui o horário do almoço é um horário
legal. E pro Pedro, então lá 4 horas da
tarde agora ele tá se dedicando para
estar conosco. Como sempre ele é um um
lord, né? E ele acabou preparando slides
inéditos para essa jornada aqui
gratuita, eh garantindo assim o
compromisso dele com a qualidade, com ah
a personalização dos conteúdos que ele
se propõe a falar. O Pedro, eh, eu vou
apresentá-lo aqui. Eu até preparei um
slide para apresentá-lo. Esse é um slide
que, eh, tem aqui um pouco da jornada
dele de publicações. Deixa eu dar um
zoom aqui para ficar mais fácil. Deixa
eu ver se eu consigo fazer isso. Pera
aí, deixa eu voltar aqui. Ah, pronto,
que eu fiz um errinho. Deixa eu ver aqui
como é que eu faço de novo. Pronto.
Adicionar o palco. Ã, compartilhar tela.
Compartilhar.
Uma janela. Esse
compartilhar.
Pronto. Agora eu adiciono o palco.
Pronto. Aqui. Pronto. Agora já tô
pequenininho aqui. Deixa eu deixar um
pouco maior o Pedrão aqui que vai ficar
melhor. Deixa eu ver se eu consigo fazer
isso
aqui. Assim. Pronto. Aqui está meu
grande amigo Pedro Bastos. Ele é sim,
sem nenhuma dúvida, uma das grandes
referências paraa gente no mundo da
ciência, da nutrição. O Pedro tem
artigos publicados nos últimos anos
assim de uma magnitude absurda, né?
artigos publicados na Nature Reviews de
Imunologia, na Nature Reviews de eh uma
revista de endocrinologia aqui de
revisão, artigos do seu próprio
doutorado, artigos eh de autoimunidade,
de doenças inflamatórias. Acho que essa
review dele de autoimunidade é realmente
uma das mais emblemáticas que a gente
tem. Eu acho que talvez até nem o Pedro
tenha noção do quanto a gente reconhece
esse trabalho dele integrado para que
nós possamos ter uma nutrição cada vez
mais reconhecida, né? Então, se a gente
for pegar aqui, pô, artigos de 2026 com
essa notoriedade, todos os artigos aqui
que a gente fez questão de de colocar
aqui, trazer para vocês, para que vocês
entendam que nós estamos falando de um
pesquisador que tá na vanguarda aí da
avaliação da saúde dos centenários. O
Pedrão sempre teve isso como uma das
linhas de pesquisa dele e é, sem nenhuma
dúvida, um dos maiores conhecedores de
autoimunidade, doenças inflamatórias
intestinais, de eh inflamação de baixo
grau e uma pessoa que dispensa
comentários. Então agora eu vou tirar
aqui esse meu compartilhamento, vou
adicionar meu amigo aqui ao palco, antes
de mais nada, agradecendo ele por estar
aqui, meu amigo Pedro, muito obrigado,
cara. não consigo lhe chamar sem ser de
meu grande amigo, porque é assim que eu
considero uma pessoa que todas as vezes
que eu precisei eh não mediu esforços
para poder atender aqui as demandas do
curso de modulação intestinal, da
pós-graduação de nutrição em
gastroenterologia. E muito além disso, o
Pedrão ele também faz uma conexão minha
dos alunos da pós com os grandes
pesquisadores mundial, [roncando] né? O
Pedrão é aquele cara que quando eu peço,
ele até organiza o e-mail para eu poder
enviar de convite para os palestrantes
internacionais que sempre eu consigo
trazer aqui ao Brasil. Então, meu amigo,
muito obrigado, obrigado pelo teu tempo,
obrigado por você estar aqui. Com
certeza nós somos aqui agora mais de 230
pessoas ao vivo no Brasil para poder
aqui acompanhar você a sua fala, a sua
abordagem sobrefatório intestinal. sobre
inflamação, sobre autoimunidade, sobre
qual a conexão disso com a síndrome de
ativação mastocitária, com a
intolerância estamina, que é a abordagem
da nossa jornada aqui de conscientização
para um curso, um curso de certificação,
um curso de 60 horas com profissionais
do mundo inteiro como você, como Dra.
Adriana Duelo, eh, direto de Barcelona,
uma expertolerância estamina e também,
eh, profissionais brasileiros, médicos.
Nós teremos sempre uma formação com um
médico e um nutricionista, mostrando
essa esse cuidado do paciente a quatro
mãos para que o diagnóstico médico possa
ser conduzido junto com acompanhamento
nutricional. Então, uma certificação que
tá aí eh rompendo paradigmas, né, para
que a gente possa fazê-la. Nós teremos
90% das aulas 100% ao vivo nessa
certificação, mas a sua será uma das
aulas que nós faremos gravada. Só que a
gente tem uma grande novidade aqui, é
que para a gravação da aula no dia eh
20, como nós já combinamos, a aula que
faz parte da certificação, aqueles que
já tiverem aderido à certificação
poderão, se assim desejar, participar da
gravação e depois da visualização na
certificação propriamente dita que
acontecerá a partir do mês de setembro.
Então, já no mês de julho nós temos
gravações, a sua é uma delas. no dia 20.
Depois no dia 27 nós temos gravação
também com a Dra. Juliana Carneiro e a
Dra. Karine Petri. E depois no dia 3
temos de novo uma outra aula gravada com
a Dra. Raíça, uma gastroenterologista.
Então, nós temos aí uma sequência de
gravações no mês de julho para que essas
aulas já fiquem prontas, robustas para a
certificação e aqueles que fizerem a
adesão aí nos próximos dias, ainda no
mês de julho, poderão fazer parte desta
gravação, desses bastidores, que é o
nosso grande diferencial de ter tanta
vida nessa certificação. Pedrão, muito
obrigado. Obrigado por estar aqui. Já
somos quase 300 pessoas e eu tenho
certeza que essa audiência inteira aqui
está para lhe ouvir. Muito obrigado.
>> Muito obrigado, amigo. É que agradeço
pela amizade, pelo carinho e pela
confiança e a oportunidade. E muito
obrigado a todos vocês que estão aí
desse lado para me ouvir. Hoje o que eu
vou tentar fazer é vos falar um pouco
sobre o que tem sido o meu trabalho nos
últimos anos e tentar fazer o link para
hh para o que seria
esta síndrome de ativação maiscitária.
Vou só aqui compartilhar a tela.
Deixa eu ver se eu consigo aqui.
E já
>> já está.
>> Já está.
>> Então, nos próximos 20, 30 minutos,
aquilo que eu gostaria de vos falar é
uma ideia que atravessa,
posso dizer assim, toda a minha linha de
pesquisa, que é o ambiente em que
vivemos, ou seja, o Expossoma. E isto
esculpe a nossa barreira intestinal, ao
que está relacionado não só com a saúde
gastrointestinal, obviamente, mas também
com a síndrome da ativação mastocitária
e o nosso sistema imune e esculpe ao
longo da vida. E uma das minhas de
pesquisa que eu tenho é sobre
centenários. E eu acho que os
centenários nos provam algo que eu
considero notável. Dá para chegar aos
100 anos sem pagar o preço da inflamação
crónica. Isto não é por sorte genética
apenas, mas por uma imunidade, diria eu,
mais bem regulada. Mas vamos começar
pela raiz do problema. Então, se eu
tivesse que resumir
o que são as grandes
causas de mortalidade e morbilidade
na maioria dos países industrializados,
incluindo o vosso, incluindo o meu,
seria esta árvore. E aqui vocês estão
vendo na raiz da árvore a inflamação
sistêmica crônica de baixo grau e dela
brotam daí ser uma árvore as grandes
doenças que nos matam, as doenças
cardiovasculares,
a diabetes,
aquela que a doença do fígado gordo
associada à disfunção metabólica, A S.
Metabolic dysfunction, Associated
Statotic liver disease. É assim o termo
em inglês, mas é esta sigla que vocês
vão encontrar na literatura e por isso
eu coloquei esta em inglês. Depois vocês
veem câncer, vem sarcopenia, vem
osteoporose,
doenças autoimunes e doenças
neurodegenerativas. E sabemos que mais
de metade das mortes no mundo hoje tem
então a inflamação sistêmica crônica de
baixo grau como denominador comum. Então
não estamos falando de doenças que
apesar de serem obviamente diferentes,
sejam isoladas, todas elas fazem parte
da mesma árvore, ou seja, compartilham a
mesma raiz. E se compartilham esta raiz,
esse processo inflamatório crónico de
baixo grau, precisamos entender o que é
que está alimentando essa árvore,
nomeadamente essa raiz. E aí é onde
entra então o expossoma que se relaciona
com as exposições ambientais, mas também
com os comportamentos, com o estilo de
vida. Então, estamos falando de
infecções persistentes, estamos falando
de inatividades físicas e dentarismo,
uma dieta inadequada, exposição a vários
poluentes ambientais, o stresse
psicológico crónico, a obesidade em
especial visceral, uma má qualidade do
sono que frequentemente anda associada à
disrupção circadiana. E tudo isto
contribui para duas condições que também
estão na base desse processo
inflamatório crônico, que é a desbiose
intestinal e a perda de integridade da
barreira intestinal. Então, nós estamos
falando aqui de fatores que são
maioritariamente modificáveis e eu penso
que isso muda a conversa clínica, ou
seja, deixamos de pensar que não se pode
fazer nada e passamos a ter
ferramentas
para atuarmos. E a seguir eu gostaria de
vos mostrar como estes fatores se
organizam no meu próprio trabalho de
pesquisa. Então, o fio que, vamos dizer
assim, costura os meus artigos é estes
que vocês vendem. Estamos vendo aqui
quatro nós conversando entre si. Lá em
cima vocês estão vendo os centenários.
Depois tudo isto converge para a
inflamação crónica. E vocês estão vendo
aqui embaixo o expossoma que falamos,
estão vendo em cima a barreira, em
especial a barreira intestinal.
E estão vendo aqui a autoimunidade
e tudo isto tem ali este nó central que
é a inflamação crônica sistêmica de
baixo grau, que não só pode ser afetado
por cada um destes, digamos assim,
fatores, como também pode afetar os
mesmos. Então, é como você falam no
Brasil, uma uma via de uma via de mão de
mão dupla, se não se não estou enganado,
é o termo que vocês utilizam, tanto vai
para lá como vem para cá. Então, nos
próximos slides, eu vou tentar percorrer
esse mapa, começando pelo mecanismo que,
para mim conecta o ambiente à perda de
tolerância imune. E isso pode levar
então à autoimunidade.
Então vocês estão vendo aqui o
expossoma, entre aspas, agredindo a
barreira epitelial e ao mesmo tempo
causando alterações da microbiota. A
dieta aqui tem obviamente o papel muito
importante, mas também tem o stresse,
tem os poluentes, tem a inatividade
física, tem a própria obesidade
e também as alterações do sono, os
ritmos circadianos e ainda o estresse
psicológico. tendo uma barreira
comprometida juntamente com dibiose,
pode levar a uma ativação da chamada
imunidade treinada, que é uma
reprogramação epigenética das células
imunes inatas, o que pode perpetuar a
inflamação, pode ser algo útil em
determinadas infecções. Quando estamos
falando de uma imunidade treinada que
foi treinada pelo por uma exposição,
entre aspas, adequada a fatores, como,
por exemplo, microorganismos, mas que
quando é uma imunidade estreinada que
pode se converter em crónica, pode
perpetuar o processo inflamatório. E o
desfeixo final desta cascata é a perda
de tolerância imunológica. Ou seja, o
sistema imune deixa de reconhecer aquilo
que é seu daquilo que não é. Então passa
a olhar para estruturas que deveria
estar protegendo, estruturas do seu
próprio organismo, como se fossem, vamos
dizer assim, um alvo a abater. E isso
pode levar a uma reação autoimune.
Então aqui este comprometimento da
barreira intestinal tem um papel muito
importante. Então guardem essa palavra
que é a tolerância.
E vamos falar aqui no primeiro elo, que
é então a barreira. Como vocês sabem, a
barreira é a fronteira com o mundo.
Estamos falando da barreira epitelial
que está na nossa pele, está no pulmão,
está no intestino. E é por estas
superfícies que os vários fatores aos
quais nós estamos expostos, é onde entra
o expossoma, podem entrar. Falamos de
poluentes, falamos de irritantes
químicos, falamos de determinados
componentes de alimentos. que podem
causar alterações
nas tight junctions, nas junções firmes
entre as celas, aumentando a
permeabilidade e deixando passar aquilo
que deveria ficar de fora. Isto de uma
forma muito simplificada, obviamente.
Então, quando esta fronteira falha,
podemos ter a passagem de vários
antígenos que podem ativar respostas
inflamatórias, que podem ser não apenas
locais, mas também sistêmicas. E esta
interface, ou seja, esta barreira faz
então papel de ligação entre o que é o
ambiente e o que seria o desenvolvimento
de uma doença. Felizmente é uma
interface, como vocês aprendem nas
várias aulas dos cursos coordenados pelo
meu amigo Muril, algo onde podemos
intervir clinicamente e onde a nutrição,
para quem é nutricionista, como eu, tem
um papel muito importante. Então agora
vem a questão, OK? E daí a nível
clínico, sempre que fala que eu menciono
estes aspectos que são mais teóricos,
vem uma pergunta que eu entendo
perfeitamente, eu próprio também a
coloco. E daí? Porque é que isso me
importa? Então, se o Expossum é
modificável e se esses fatores
ambientais podem levar a uma alteração
da barreira e podem alguns entrar
através da barreira, então a a anamnésia
ambiental vira uma ferramenta
importante. Por isso eu penso que mesmo
quem é nutricionista e não é médico,
deveria perguntar rotineiramente aos
seus pacientes sobre poluição, sobre
exposições ocupacionais. qualidades do
sono, stresse psicológico,
etc. e não apenas, obviamente, sobre a
dieta, sobre a alimentação. E nós
estamos falando de curiosidade
acadêmica, estamos falando de
identificação de fatores que podem de
facto estar contribuindo para a condição
fisiopatológica que levou o paciente à
sua consulta e onde você pode então
intervir, não só na prevenção, mas
também na modulação.
E agora vamos a aquilo que seria,
digamos assim, o lado luminoso desta
história, porque ag até agora só estou
falando daquilo que é mais escuro, ou
seja, dos problemas, mas vamos ver o que
seria o lado luminoso da história, que
são os centenários, ou seja, as pessoas
que conseguiram chegar até muito tarde
na vida, com obv obviamente com uma
saúde que é melhor do que outras pessoas
que não chegaram lá. E porque é que me
interessa tanto esta temática dos
centenários? Em primeiro lugar, porque o
meu avô foi um, morreu com 101 anos,
dormindo sem tomar um único fármaco e
com a o as faculdades cognitivas
totalmente preservadas, conseguia fazer
contas de multiplicar ainda com com a
com essa idade de 101 anos. Eu lembro do
meu avô fazer contas eh de multiplicar,
por exemplo, e mesmo a nível físico, ele
também estava bastante bem. Já não
estava, como é óbvio, como estava quando
tinha 90 anos, onde ele parecia que
tinha 70, mas estava ainda bastante bem
e não precisava de ninguém, por exemplo,
para ir no banheiro, para ir comer, para
ir tomar banho, etc. Então, os
centenários sempre foram algo pelo meu
avô que me interessou e isso despertou
um grande interesse que levou a estudar
um pouco mais. E há um paradoxo nos
centenários que me fascina, porque se
ouve frequentemente dizer que os
centenários não têm inflamação, mas isso
não é exatamente assim, porque se vocês
medirem marcadores inflamatórios no
sangue de um centenário, você vai eh ver
que provavelmente estão elevados. Temos
vários estudos mostrando que centenários
apresentam marcadores inflamatórios
elevados. Então, pela lógica que eu
acabei de descrever até agora, essas
pessoas deveriam estar doentes e nem
sequer deveriam talvez atingir essa
idade tão longeva. Mas a verdade é que
não estão parecem resistir justamente às
doenças que a inflamação deveria causar.
e uma publicação recente nossa sobre o
sistema imund centenários de 2026. t
baixa referência, é só colocar esse
número no pubmed e vão encontrar, mas eu
depois vou passar ao Murilo, todos no as
pessoas que vão ao curso, todas vão ter
acesso a estas publicações que eu vou
vou vou eh facultar todas estas
publicações com parte da bibliografia
e eh aí nessa revisão de eh 2026
a aquilo que fica claro de acordo com a
avaliação das várias linhas de
evidência, é que apesar dos centenários,
vários deles terem de facto inflamação,
a inflamação dos centenários é
qualitativamente distinta. Então não é
apenas uma questão de quanto, mas de
como. E é aí que eu acho que muda todo.
Muda tudo. Então a hum mensagem é que
nos centenários eles não têm menos
inflamação, mas têm talvez inflamação
melhor regulada. Então, a razão entre
linfócitos CD4, CD8 está preservada,
está acima de um, tem menor expressão do
inflamaçoma NL RP3. Inflamaçoma é um
complexo proteico
que está em células imunitárias, que
pode ser ativado por vários fatores como
ácido úrico e vários outros e que pode
ativar uma resposta inflamatória. E
vários centenais parecem ter menor
expressão deste inflamatoma. Por outro
lado, tem uma autofagia
preservada. Isso também é muito
importante para evitar consequências
adversas de um estado inflamatório
crónico. E tem uma razão, TH17
Treguladoras, ou seja, células TH17,
linfócitos TH17 são proinflamatórios,
estão envolvidos na autoimunidade.
Linfócitos Treguladores são
anti-inflamatórios e estão envolvidos na
tolerância imunológica. Então, em várias
doenças autoimunes, você vê uma razão
TH17 T reguladoras mais alta. Nos
centenários você vê essa razão mais
baixa. Então tem um fenotipo secretor
anti-inflamatório que se sobrepõe ao
inflamatório. Então o nosso organismo,
aliás, o organismo dos centenários,
mantém a capacidade de responder, mas
parece evitar o dano colateral. E a
pergunta que eu coloco é como é que se
chega então a isso? E a resposta tem um
nome que é a imunobiografia.
Então, a vida grava a regulação imune.
Estamos falando de um conceito que
inclui a soma das exposições de uma vida
inteira. Estamos falando de infecções,
da dieta, de stresses metabólicos que
vão gravando aos poucos o modo como o
sistema imune se regula e isso fecha o
círculo. Então isto fecha o circo com o
expossoma do início. Então no
centenário, essa biografia
imunológica, essa imunobiografia
não termina em disfunção, termina em
calibração adaptativa. Então, a
inflamação que eles carregam
de facto tem, vários têm, mas não parece
levar à patologia porque talvez por essa
calibração adaptativa que eu mencionei
anteriormente. Agora deixem-me mostrar a
assinatura disso na autoimunidade. E
aqui está outro achado dos centenários
que muito me intriga. Então, os
centenários frequentemente, que é o que
vocês veem aqui do lado esquerdo, têm
autoanticorpos circulando. Então, quando
você tem autoanticorpos, significa ter
anticorpos contra estruturas,
maioritariamente proteínas do seu
próprio organismo. E isso é o que pode
levar a uma doença autoimune. No
entanto, a doença autoimune clínica nos
centenares parece ser rara. Então eles
têm autoanticorpos, mas não parecem
desenvolver doença autoimune. Então
estamos falando de uma assinatura
invertida em relação ao que esperamos
com a idade. E os nossos dados
proteómicos, então fizemos uma avaliação
proteómica mostram que nesses indivíduos
eles têm menos autoimunidades e uma
resposta tumoral preservada. Então o que
é que os protege? E a resposta parece
estar em duas proteínas chave. Quando
nós mapeamos inicílico a redes de
proteínas ligadas à autoimunidade no
sangue dos centenários, dois
protagonistas emergem. Primeiro que
vocês veem no centro, a laranja que é a
albumina, então que é a proteína mais
conectada de toda a rede, o grande hubby
e que está elevada nesses indivíduos. E
sabemos que a albumina tem um papel
protetor reconhecido em várias doenças
autoimunes. E o segundo é um bloco de
várias proteínas, não é apenas uma
única, é o segundo protagonista que é o
bloco do sistema complemento aqui
representado por oito proteínas. Então,
não estamos falando do complemento
desenfreado, mas sim do comprimento
regulado. Então, além da questão da
barreira intestinal, sobre a qual já
falaremos um pouco mais à frente, temos
também aqui esta assinatura molecular
compatível com tolerância preservada,
onde temos a albumina protetora no
centro e o complemento regulado ao
redor, ou seja, uma rede que
plausivamente parece ajudar a manter a
autoimunidade sob controle, mesmo na
presença, como eu mencionei antes, dos
autoanticorpos.
Então
aqui o que isto pode estar sugerindo é
que temos aqui uma tolerância
preservada, mas falta outro grande
contribuinte para essa tolerância, que é
aquilo que eu mencionei anteriormente, a
barreira. E aqui vocês estão vendo a
zunulina, que é uma proteína que quando
estimulada, quando a sua secreção é
estimulada e ela é secretada por células
intestinais, vai desmontar
reversivelmente às junções firmes do
intestino, às junctions. Isso podes
levar então um aumento da permeabilidade
que podes deixar passar do intestino
para a circulação vários antígenos,
entre eles os lips, os lipopóis
saacaridos que vocês veem aqui no centro
que estão presentes na paredes de
bactérias grã negativas que temos no
nosso intestino. E estes LPS podem se
ligar a receptores do tipo tol, os
receptores tolai que estão receptores do
tipo tol em células imunitárias e
acender, digamos assim, à inflamação, o
que pode, quando isto é crónico, a levar
a um processo inflamatório crónico,
sistémico e de baixo grau. E o que é que
nós encontramos quando medimos zonolina
e LPS nos centenários? Estes são dados
eh já de um dados já meus antigos, 2018,
publicados numa revista de
envelhecimento.
E o que fizemos foi medidolina e LPS em
centenários livres de doença e comparar
com jovens que tiveram infarto precoce
ou com controle jovens saudáveis. E você
vê aqui claramente do lado esquerdo,
então os centenários estão à laranja.
Você vê aqui do no lado esquerdo que a
zonolina circulante nos centenários é
claramente mais baixa do que nos jovens
que tinham um infarto precoce e o mesmo
se observa também para os LPSs. Então,
traduzindo isto, os centenários parecem
ter uma barreira intestinal mais íntegra
e menos endotoximia. Mas estamos falando
mais uma vez de centenários livres de
doença. Existem alguns centenários que
não estão livres de doença, mas
normalmente o fenotipo das doenças dos
centenários costuma ser mais moderado do
que indivíduos mais jovens que não
conseguem atingir essa idade, idosos
mais jovens. Então, como eu eh mencionei
nos centenários, parece que a barreira
estaria mais íntegra. Então, tendo uma
barreira mais íntegra nos centenários e
uma imunidade mais regulada, como eu
mencionei, a questão da albumina, do
sistema complemento e da tolerância
imunológica, isso poderia explicar
porque é que centenários têm, por
exemplo, autoanticorpos, mas não
desenvolvem doenças autoimunes
no mesmo grau que desenvolvem outras
pessoas mais jovens. E, por outro lado,
porque é que centenários têm inflamação
também? E isso não parece levar às
mesmas doenças que observamos em pessoas
mais jovens.
Então aqui estamos vendo este eixo
protetor dos centenários.
Então, a minha hipótese e agora já
fazendo a transferência
para a síndrome de ativação mastocitar e
aqui estou falando de uma hipótese
especulativa que eu nunca encontrei
evidência sobre a sinergia, a ativação
mastocitária em centenários. Não sei
sequer se isso foi estudado. Eu não
encontrei publicações científicas sobre
isso. Então é uma hipótese baseado no
que eu conheço da literatura sobre a a
síndrome de ativação mais citar
intolerância à histar
incluindo também a minha própria linha
de pesquisa.
Então, a minha intuição é que o mesmo
eixo que protege o centenário, então
esta barreira mais íntegra, mais a
imunidade
regulada, talvez seja exatamente o eixo
que se altera, se desregula na síndrome
de ativação mastocitária, que é o que
está do lado direito, e na intolerância
à estamina.
Então,
se os centenários, então vamos imaginar
que os centenários
funcionam como modelo inverso de
ativação mais tocitária. É como se fosse
um espelho. Então, de um lado do
espelho, nós temos a regulação, então, a
barreira preservada,
o temos temos uma barreira preservada,
mas tócitos que não estão sobreativados,
não são sobre reativos e têm uma
estamina que é degradada quando tem que
ser degradada. Do outro lado vocês têm a
desregulação, por isso é que falamos no
espelho, no inverso, como vocês sabem
que vocês veem no espelho é uma imagem
inversa. Então, tem uma barreira
comprometida,
tem mastócitos
hiperreativos e tem estamina em excesso.
Então, os centenários mostrariam aquilo
que na SAM ocorre de maneira inversa.
Claro que isto é uma especulação, então
mais é algo que dá que pensar porque de
facto chegar a centenário com síndrome
de ativação mastocitária ou
entonaristamina é algo que eu vejo como
muito pouco provável. E o que é que isto
tudo nos faz concluir? Então, sabemos
que primeiro deveríamos pensar em apoiar
a integridade da barreira. Segundo
lugar,
influenciar os vários fatores que fazem
parte do expossoma, não só a dieta, mas
fatores do estilo de vida e outros,
como, por exemplo, a exposição a vários
poluentes e trabalhar. Existem também
estratégias nutricionais nesse sentido
para restaurar ou melhorar a tolerância
imune.
E
isto pode se extrapular para então esta
síndrome de ativação mastocitária, como
eu mencionei. Mas ainda assim é
importante mais uma vez eu reforçar que
isto é especulativo.
Então isto para a síndrome de ativação
mastocitária sugere que, como eu
mencionei, cuidar da barreira intestinal
e cuidar dos fatores que são fatores do
expossoma,
poderia
ter um papel importante, não só para a
longevidade, não só para a prevenção das
principais doenças nativas crônicas, mas
também para a síndrome de ativação mais
tocitária. E olhar também para a
literatura sobre centenários poderia
também nos ajudar, porque poderia
oferecer alvos regulatórios a estudar. E
em terceiro lugar, talvez a estamina e a
tolerância imunológica conversem mais do
que imaginamos. E neste curso que o meu
grande amigo Muril Pereira está
organizando, vocês vão ouvir falar mais
sobre histamina e sobre tolerância
imunológica.
Então, para concluirmos,
em primeiro lugar, nós temos o
expossoma, que esculpe a barreira e a
imunidade e isto é modificável. Depois
nós temos os centenários como modelo de
regulação
e que resistem por isso e não porque têm
apenas menos inflamação. E em terceiro
lugar, e esta é uma hipótese minha, eu
proponho que os centenários são um
espelho invertido da síndrome de
ativação mastocitária.
E isto poderia então nos ajudar a chegar
a mais conclusões sobre como atuar em
pacientes que têm esta condição. E nesse
sentido eu passo então a bola, como se
costuma falar aqui, ou bastão, ao meu
grande amigo Muril Pereira para falar um
pouco mais com vocês sobre isto, mas
estou aqui ainda ao dispor para qualquer
pergunta que tenham. Muito obrigado, foi
um grande prazer,
>> Pedrão. Muito obrigado. Primeiro, né,
mais uma vez agradecer toda essa conexão
que você fez com a sua linha de pesquisa
e tudo que pode estar envolvido nessa
doença emergente, podemos chamar assim,
de diagnóstico agora médico e um olhar
da gastroenterologia que passa a prestar
atenção nas desordens funcionais
intestinais para a síndrome de ativação
mastocitária, a intolerância estamina, a
síndrome de desautonomia ou até mesmo
Erlingens danos e tudo isso está
interconectado e a gente não tem
absolutamente nenhuma dúvida, Pedro, que
existe sim uma relação com a integridade
do epitélio intestinal, né? Tem artigos,
inclusive que mostram que essa
degranulação mastocitária pode ser
oriunda de eh células intestinais
previamente lesionadas por alimentos mal
digeridos e essa degranulação
mastocitária por alimentos mal digeridos
em células previamente lesionadas gera
essa liberação da estamina. A estamina
acaba aí concomitante, com todo um
liqugut formado, gerando uma ativação eh
de liberação da estamina e a estamina
atuando no receptor lá específico H1,
dos feixes nervosos entéricos,
promovendo uma percepção de dor devido à
abertura do canal iônico TRPV1. Então
assim, cara, existe muita plausabilidade
em tudo que a gente tá falando. E quando
você traz essa conexão com os
centenários, que é sua área de pesquisa,
a sua área de estudo, a autoimunidade,
isso só abrilhanta cada vez mais a nossa
formação. Nós tivemos aqui em média eh
400, 390, 395, 400 pessoas ao vivo ao
meio-dia em Brasília. Isso paraa gente é
um número realmente muito expressivo.
Pedro, mais uma vez muito obrigado.
Obrigado pelo carinho. Quero que você
também coloque para nós aqui o que que é
o futuro, o que que tá por vir aí de
Pedro Bastos nas publicações, no estudo
da autoimunidade. Tenho certeza que você
tem muitos fãs aqui no Brasil. E durante
a aula nós deixamos aqui o chat do
YouTube aberto e várias pessoas
colocaram aqui a satisfação. Recebi já
mensagem no privado de elogio para sua
abordagem. Então, deixa para nós aí o
que que está por vir aí de artigos
publicados, de cursos, que que Pedro
Bastos tem para nós no futuro bem
próximo.
>> Muito obrigado, amigo. Muito obrigado e
muito obrigado a todos vocês pelo
carinho, pelo feedback. Eu agradeço
muito. Então, eu agora tenho uma
publicação que tá quase para sair eh
sobre a saúde cardiovascular de
centenários, porque um dos temas que me
interessa também muito é a saúde
cardiometabólica. É outro dos meus temas
de interesse. Eh, como vocês sabem, as
doenças cardiovasculares são a as
doenças que mais matam e muitas vezes
nós nos esquecemos disso. pensamos numa
série de outras doenças, esquecemos
daquelas que são as principais e eh
sabemos que a prevenção é claramente
possível. Existem vários fatores de
risco que são modificáveis. Então esse
também é um dos temas que me interessam
muito. E então temos agora uma
publicação sobre centenários que vai
sair em breve. Espero que saia já no no
próximo mês. Talvez eu tive já ontem
recebi as figuras da editora para ver o
os erros, que tem sempre algum erro,
obviamente. E a minha eh a minha toque,
o transtorno [risadas]
compulsivo ajuda nisso, porque eu não
sei porque eu encontro sempre erros eh
mesmo naquilo que eu faço, eu eu me foco
mais nos erros do que nas coisas bem
feitas. [risadas]
Eh, então é bom para isso. E depois
disso nós temos trabalhando com o grupo
com o qual trabalho, é um grupo de da
Universidade de Madrid. Neste caso, nós
estamos trabalhando
em várias outras publicações sobre
inflamação associado ao envelhecimento,
sobre inflamaging. Então, temos três
papers sobre isso, nos quais estamos
trabalhando. Um é sobre o exposoma,
outro é sobre inflammagem em
centenários. falar um pouco mais sobre
esta hipótese que eu falei aqui. Eles
têm inflamação, mas porque é que não têm
as doenças associadas, por exemplo? E
depois temos alguns estudos também sobre
centenários relacionados com o sistema
imune, relacionados com a microbiota
também, eh, e relacionados com a
genética também. Ou seja, agora o que
nós estamos muito interessados é uma
coisa é você chegar a centenário. Agora
o nosso próximo interesse é saber como é
que você chega de centenário a super
centenário. Ou seja, as pessoas que
chegam a 110 anos ou até passam os 110
anos. São obviamente muito poucas, mas e
são mesmo muito poucas, mas existem. E
nós queremos saber o que é que essas
pessoas têm de especial, porque entre
aspas chegar centenário já não é tão
especial assim. Cada vez vamos tendo
mais, mas eh passar disso e chegar então
a super centenário, aí sim é que está eh
algo realmente inédito. Então queremos
que estudar isso. É o próximo passo
agora.
>> Fantástico. Fantástico, meu amigo. Muito
obrigado, gente. Muito obrigado a todos
que estão aqui. Muito obrigado a todos
que participam da jornada ABNG de
conscientização das doenças funcionais
intestinais, síndrome de ativação
masocitária, intolerância à estamina.
Essa foi a nossa contribuição do dia de
hoje, gratuita para todos vocês. E se
fizer sentido para você fazer parte da
certificação com mais de 60 horas de
capacitação direcionada para desordens
funcionais intestinais com tratamento a
quatro mãos, o tratamento médico, o
tratamento nutricional, venha fazer
parte, aciona aí o nosso pessoal vai
mandar o link para vocês e aqueles que
fizerem adesão à certificação até o dia
20 poderão participar ao vivo da
gravação do curso. com o Dr. Pedro
Bastos e comigo estarei simultaneamente
durante a aula e à disposição de vocês
para tirar todo e qualquer dúvida ainda
nos bastidores da gravação do nosso
curso. Teremos gravação no dia 20 com
Pedro Bastos, dia 27 com Dra. Juliana
Carneiro e Dra. Karine Petri e no dia
20, no dia 3 de agosto com Dra. Raíça e
depois todas as aulas serão ao vivo nas
quartas-feiras, nos meses de setembro,
outubro e novembro. Três meses de
encontros semanais com a certificação
pela ABNG de mais de 60 horas. Muito
obrigado a todos. Obrigado pelo carinho.
Obrigado pela confiança. Pedrão, sem
palavras. Todas as mensagens aqui são de
agradecimento a você. Amei. Pedro é
ótimo. Pedrão Brilão. São férias demais.
Uma honra sempre. Parabéns, parabéns,
gratidão. Mensagens aqui da França,
mensagens de diversas cidades do país.
Pedro, muito obrigado, meu amigo.
Obrigado pelo carinho, obrigado pela
confiança. Um abraço na Carlinha aí. E é
isso, meu amigo. Obrigado, viu?
>> Muito obrigado. Grande abraço, amigos.
Muito obrigado. Obrigado.
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