Desmascarado? O Que Encontraram Sobre Linkon na Voz
Lincoln na Voz parou a internet com um
desabafo emocionante sobre a dura
realidade de quem vive com baixa renda
no país. O problema é que pouco tempo
depois o vendedor se tornaria o centro
de um grande escândalo e antes mesmo do
Brasil consagrar o seu novo herói, outro
homem surgiu provando que aquele choro
comovente era, na verdade, uma cópia
quase exata de um vídeo publicado por
ele. Entenda que o primeiro impacto
dessa história havia sido gigantesco. O
vídeo emocionou milhões de pessoas e
causou uma explosão de seguidores em
poucos dias nas redes do vendedor.
Aquele desabafo parecia representar o
sufoco de todo o país, transformando
Lincoln rapidamente em um símbolo da
luta diária.
>> Isso, mano. Você é louco. Nós trampa,
trampa para caramba nesse lugar aqui.
Não sai do lugar cara. situação, ma
sufoco, maior vontade de sair do
aluguel, ma vontade de vencer, vontade
de vencer.
>> Só que o castelo de cartas montado em
cima da empatia das pessoas já estava
prestes a cair. O brasileiro tem um
coração grande, certo? Aquele primeiro
vídeo alcançou milhões de visualizações
em tempo recorde e gerou uma onda de
solidariedade. A fama repentina trouxe
doações de vários lados com até pessoas
enviando dinheiro para tentar mudar a
vida dele. E para melhorar ainda mais a
sua imagem, surgiu a notícia de que ele
havia recusado uma proposta de R$
300.000
para divulgar casas de apostas. A
justificativa até então era nobre. Não
queria ganhar dinheiro às custas do
vício de gente sem dinheiro. Aquela foi
a jogada de mestre. A como aumentou
ainda mais quando grandes portais
começaram a disputar Lincoln para
entrevistas exclusivas. Páginas
replicavam o desabafo a cada hora,
sempre acompanhado de músicas tristes ao
fundo. Ali ele se consolidou como um
homem íntegro, de valores que não se
vende por dinheiro nenhum. Essa energia
de honestidade chamou a atenção de nomes
famosos. O barulho chegou até o
empresário Pablo Marçal, que foi até
Lincoln em prol da sua causa. E o que se
viu a seguir foi puro entretenimento
digital. Lincoln andou de helicóptero,
foi tratado como um astro e colocado no
centro de uma transmissão ao vivo que
alcançou milhões. Durante a live,
choveram promessas, a doação de um
terreno, financiamentos e até uma
mentoria para alavancar a carreira. O
Brasil assistia e gostava de ver a
transformação de um completo
desconhecido em celebridade, apadrinhado
por pessoas com dinheiro. Mas, como
adiantamos logo no começo, a internet
também é rápida e não perdoa. No auge do
seu sucesso, uma rachadura na história
apareceu, pois o vídeo de um segundo
trabalhador começou a ganhar força. Esse
homem era José Paulo, conhecido na
Avenida Paulista como o miranha, que
vendia bolos de pote. José veio a
público com uma acusação direta que
mudou todo o jogo. Ele era o verdadeiro
autor daquele desabafo. A internet, que
antes aplaudia de pé, parou e começou a
olhar para Lincoln com os olhos mais
desconfiados. A descoberta não deixou
espaço para dúvidas. O vídeo de José
Paulo havia sido publicado um dia antes
do viral de Lincoln. Quando os
internautas deram play nos dois
materiais, as semelhanças eram
gritantes. Não era só uma ideia
parecida. As frases eram iguais, os
momentos de pausa para respirar a
sequência dos fatos narrados. Era como
se alguém tivesse pegado um roteiro
impresso e lido na frente do espelho.
Logo, a pergunta nas redes sociais
mudou: Seria uma coincidência ou uma
cópia para surfar na comoção alheia?
Bastava colocar os dois vídeos lado a
lado para o encanto quebrar. O texto
começava falando sobre a dor do
trabalhador, que já acorda mal, sem
energia, mas precisa ir em frente.
Depois focava na frustração de trabalhar
o mês inteiro e não sair do lugar.
>> Trampa, trampa para caramba nesse lugar
aqui. Não sai do lugar, cara.
>> E eu já tinha acordado ma mal, cara. Tá
ligado? Acordando mau mal, pensando,
[ __ ] quando a gente trabalha trabalha,
trabalha pr caramba nesse país e não sai
do lugar, mano. Sabe? O ponto alto da
emoção nos dois vídeos era a ida ao
supermercado, onde a carne havia virado
um artigo de luxo. Como é que eu vou ter
esperança que o dia de amanhã vai ser
melhor?
>> Como é que eu vou ter esperança, mano,
que amanhã o dia vai ser melhor, tá
ligado? Se acontece essas paradas,
>> não tem como. Dinheiro vai embora
rápido. Você pega 100 aqui, pega 200
aqui, já não tem mais nada. É um arroz,
é uma mistura, um pedaço de carne.
Ninguém tá aguentando comprar um pedaço
de carne para comer. Carne de boi, não
importa qual seja, até carne moída virou
luxo. Virou luxo nesse país. Ah, mano, é
aluguel, comida, carne, mano. Hoje em
dia, mano, mistura pelo negal de rico,
tá ligado?
Tô dando conta de comprar ovo, mano. Tá
ligado? É carne moída. Virou item de
luxo.
>> Para fechar, ambos faziam a mesma
reflexão triste, olhando para os prédios
gigantes da Avenida Paulista, falando
sobre o sonho quase impossível de
crescer na vida.
>> Aí a gente fica olhando esse monte de
prédio de luxo aqui, ó. A gente fala:
"Como é que essas pessoas conseguiram
chegar dessa maneira num país desse?
Como que conseguiram? Se a gente
trabalha, trabalha pr caramba e não sai
do lugar, como que conseguiram?" Quando
eles tomaram os meus bolos de pote,
mano. Eu assim olhando para cima assim
vendo aqueles prédios de luxo assim,
mano. Na paulista, falei: "Caraca, mano,
como é que essas pessoas começaram a
chegar nesse patamar? Conseguiram chegar
nesse patamar, nesse país que a gente
vive." Pô,
>> para você ter uma ideia desse caso, a
cópia foi tão fiel que destruiu a
credibilidade de Lincoln na hora. Com a
farça revelada, a atenção se voltou para
o real dono daquelas palavras. A
história de José Paulo carregava uma dor
real. Horas antes, a fiscalização havia
apreendido todos os seus bolos, sua
única fonte de renda naquele dia.
Sabendo disso, o choro do vendedor
ganhava outro peso. Era o desespero de
quem viu o sustento da família
desaparecer. Agora me responda, se o
texto não era dele, quem era de fato
Lincoln na voz? Um detalhe importante
acabou passando despercebido no meio de
toda aquela comoção no início, pois ele
estava longe de ser um ajudante de obras
isolado do mundo digital. Lincoln já era
um criador de conteúdo e era bem ativo.
Antes mesmo do choro, o seu perfil já
tinha mais de 100.000 seguidores. Ele
conhecia os algoritmos, sabia o que dava
visualização e já monetizava com alguns
vídeos. Aquele homem era, na verdade,
alguém que conhecia muito bem as regras
do jogo das redes sociais. Esse passado
digital logo bateu na porta. Nesses
registros antigos, a história de fome
sumia por completo. Em um dos vídeos
resgatados, ele revelava seus ganhos em
dólar, mostrando telas de faturamento
nas plataformas. Ele mencionava o quanto
conseguia faturar criando conteúdo, ou
seja, a imagem de uma pessoa sem
condições desmoronou rápido, deixando
milhares irritados e com a sensação de
que tinham sido passados para trás. Mas
a história não parou por aí. Conforme as
investigações avançavam, mais
contradições pulavam na tela. A história
de que ele não tinha onde morar caiu por
terra ao acharem vídeos dele falando
sobre a compra de uma casa no interior.
Pior ainda, havia registros dele
negociando imóveis e até oferecendo
terrenos para seus seguidores nas redes.
Agora, você lembra daquela recusa
heróica dos 300.000 de uma casa de
apostas? Os internautas voltaram a
analisar essa suposta prova de
honestidade. O print da conversa de
WhatsApp foi colocado sob a lupa.
Tipografia, alinhamento, o jeito de
escrever. Tudo levantou sérias
suspeitas. Alguns apontaram que a imagem
parecia forjada num aplicativo de criar
conversas falsas. A construção da imagem
de homem incorruptível começou a parecer
apenas uma grande jogada de marketing
para fisgar a confiança do público.
Nesse momento, a situação já tinha
ultrapassado a simples discussão sobre
um vídeo copiado. Cada novo detalhe
encontrado fazia os internautas
revisitarem tudo que Lincoln havia
mostrado desde que ficou famoso. Até
então, tudo parecia girar em torno de
marketing. Se o verdadeiro escândalo não
tivesse nada a ver com os vídeos. A
partir daqui, o caso tomou contornos
quase policiais. Surgiram acusações nas
redes sociais de que o trabalho de
Lincoln com terrenos estaria ligado a
áreas de ocupação irregular. Alguns
perfis passaram a alegar que ele
comercializava moradias nesses locais,
mas as acusações geraram debate. As
denúncias de oportunismo ficaram muito
sérias [roncando] e diante do caos que
se formava, a reação de Lincoln foi o
que mais surpreendeu no fim. Ele ficou
em silêncio, evitando dar respostas. E
se você está achando que José Paulo saiu
dessa como herói, está enganado. Quando
a internet virou zolofotes para ele por
conta do vídeo copiado, também começaram
a buscar detalhes do seu passado. A
história mais estranha envolviu o
suposto resgate de baleias encalhadas.
Em seus perfis, o miranha fez uma
campanha forte de arrecadação de
dinheiro, afirmando ter salvo os animais
e precisado de ajuda financeira. Só que
encontraram a verdade sobre as baleias
bem rápido. O responsável real pelo
resgate era um grupo de moradores que
não tinha ligação nenhuma com José
Paulo. Ele simplesmente pegou vídeos do
caso e criou uma história onde era o
herói. Quando a mentira foi descoberta,
o perfil dele foi desativado das redes.
Ele até tentou explicar tudo aquilo.
Disse que o dinheiro era para outras
coisas, mas acabou que ninguém
acreditou. A internet se viu em um
verdadeiro beco sem saída. De um lado, o
herói que copiou o texto e escondia uma
vida financeira bem diferente da que
mostrava. Do outro, a vítima do plágio,
que também usava histórias para embolsar
doações. Foi um choque entre duas
pessoas que sabiam usar a emoção alheia.
A dificuldade de escolher um lado certo
deixou quem doou dinheiro com gosto de
derrota. A única certeza disso era que
ambos descobriram como transformar
lágrimas em Pix. O saldo final dessa
guerra revelou algo ainda mais triste. A
fadiga da empatia. Quem realmente saiu
perdendo não foram os dois
influenciadores que, no fim das contas
ganharam milhares de visualizações
durante esses processos. Quem mais saiu
prejudicado foi aquela pessoa que
realmente passa por dificuldades e no
futuro pode enfrentar mais desconfiança
ao pedir ajuda. No fim, histórias como
essa acabam tornando as pessoas mais
desconfiadas e menos sensíveis ao
sofrimento dos outros. Com isso, várias
perguntas seguem sem respostas até o
momento. Toda a ascensão de Lincoln foi
só uma cópia que deu muito certo ou
havia uma estratégia maior? E quem
realmente lucrou com toda essa bagunça?
M.
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