"NÃO TEM COMO ALGUÉM GOSTAR DE MIM"
Algumas pessoas acreditam que nunca serão felizes em seus relacionamentos. Muitas delas acham que
eventualmente serão abandonadas pelos outros por se considerarem chatas, desinteressantes
ou difíceis de lidar. Mesmo reconhecendo que essas são ideias inflexíveis, pode ser
bem difícil para elas parar de se sentir assim. Eu sou o André, estou muito feliz porque tomei a
segunda dose da vacina contra a COVID-19 e hoje, com a ajuda do amigo e psicólogo Tiago Oliveira,
quero te falar um pouco sobre as crenças de desamor. Além de detalhar o que elas
são exatamente e quais impactos podem ter na vida de alguém, também
darei algumas dicas de como flexibilizá-las. Se gostou do assunto que a gente vai abordar hoje,
não deixa de clicar no joinha que ajuda muito a gente, inscreva-se no canal e siga a gente nas
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Ao longo da sua vida, você desenvolve várias crenças sobre si mesmo, sobre os outros e
sobre o mundo para organizar as informações que conhece. Essas crenças tendem a ser
generalizações sobre algum aspecto da realidade. É comum que as pessoas não tenham consciência
plena de muitas das crenças que possuem e que as tratem como verdades absolutas ou simplesmente as
considerem "o jeito como as coisas são". As crenças costumam nos ajudar a tomar
decisões de forma mais rápida e eficiente, mas não necessariamente nos ajudam a tomar boas decisões.
Para entender isso melhor, pense em uma criança que vive desde que nasceu em um ambiente marcado
por muita violência. Ao interagir com os outros, ela pode desenvolver crenças como "o mundo é
perigoso", "as pessoas não são confiáveis" ou "eu não posso demonstrar fraquezas".
Assumir que ninguém é confiável em um ambiente muito violento pode ser
mais útil para essa criança do que ter uma visão mais flexível, como achar que apenas
algumas pessoas não são confiáveis ou que isso vai depender muito de cada situação.
Em um contexto muito hostil, ter crenças mais flexíveis como essas pode inclusive colocar
alguém em maiores riscos. Agora imagine que essa mesma criança se tornasse órfã
e depois fosse adotada por uma família que vive em um ambiente pouco violento.
Muitas das crenças que a criança nutria agora não refletiriam muito bem a realidade à sua
volta. Como resultado disso, ela poderia ter grandes dificuldades para conviver bem
com os outros ou criar relações de confiança. Crenças como essas que acabam sendo prejudiciais
para a pessoa são conhecidas como crenças disfuncionais. Elas são disfuncionais porque
são pouco realistas, inflexíveis e atrapalham a pessoa a viver a sua vida de forma satisfatória.
Uma crença desse tipo normalmente se desenvolve a partir de experiências
desagradáveis que vivemos e elas capaz de moldar como enchergamos certos aspectos da realidade.
O problema é que a crença derivada de uma experiência bem ruim pode ser muito distorcida,
já que ela talvez seja um bom reflexo daquela experiência ruim específica, mas não da
realidade como um todo. Muitas pessoas vivem experiências ruins através de relacionamentos,
como quem sofrem alguma forma de rejeição ou violência de cuidadores, parentes, amigos,
colegas de escola ou parceiros românticos. Depois de ser maltratada pelos pais desde
cedo ou traída por um parceiro romântico, uma pessoa poderia concluir que não é interessante
o suficiente para merecer a atenção ou o amor de alguém, que ninguém gosta dela
ou que nunca conseguirá ter uma relação saudável e satisfatória com outra pessoa.
Crenças desse tipo são conhecidas coletivamente na psicologia como crenças de desamor, e infelizmente
elas são comuns na população geral, então não seria surpreendente se você se identificasse
com alguma delas. A ideia por detrás dessas crenças é a de que a pessoa é
incapaz de alcançar a intimidade, a atenção ou o amor que desejaria em suas relações.
Quem se vê dessa forma tende a favorecer informações do ambiente que apoiem essa
visão e a desconsiderar as que não apoiam. Possuir uma crença de desamor pode te levar
a ignorar demonstrações genuínas de interesse ou de carinho dos outros, por exemplo.
Crenças disfuncionais acabam motivando muitas pessoas a adotarem estratégias
compensatórias. Elas são tentativas de amenizar o sofrimento gerado pelas crenças disfuncionais,
mas, muitas vezes, acabam ajudando a perpetuá-las na mente da pessoa.
Se acredita que não é gostável, você pode se esforçar demais para obter a aprovação
dos outros ou evitar o contato social. Talvez assim você se sinta mais protegido
contra qualquer possível confirmação de que realmente é alguém impossível de gostar.
O problema é que, ao se esforçar para evitar que a sua crença seja corroborada,
você perderia oportunidades de testá-la. Protegendo as suas crenças de eventos
potencialmente contraditórios com elas, você acabaria as fortalecendo mais ainda.
Isso contribui para o estabelecimento de um ciclo vicioso no qual a pessoa evita situações que
poderiam revelar imprecisões nas suas crenças de desamor e acaba gerando uma impressão negativa nos
outros, o que, por sua vez, apoia essas crenças. Esse ciclo faz com a que pessoa vivencie com maior
frequência emoções como tristeza, medo, culpa e vergonha, sendo que essas emoções diminuirão
a capacidade dela de gerar uma boa impressão nos outros e de se relacionar bem com eles.
Crenças disfuncionais como as de desamor não costumam incomodar alguém durante 100%
do tempo e em qualquer contexto. São algumas situações específicas que ativam as crenças e
geram reações emocionais intensas logo em seguida. Eventos marcantes e que atinjam com tudo no cerne
de uma crença de desamor podem inclusive não só ativá-la e gerar um grande desconforto, mas
também podem gerar consequências mais graves, como o início de um episódio depressivo, por exemplo.
O término de uma relação, um fora que a pessoa tomou ou a mudança para um novo país poderiam
ser esse tipo de evento. Embora nenhum deles seja uma prova incontestável de que a pessoa não
é gostável, quem possui uma crença de desamor tende a interpretar eventos assim como claras
evidências de que a sua crença é verdadeira. De acordo com um estudo que analisou as
crenças de mais de 1.800 clientes de um programa de psicoterapia online,
crenças como as de desamor foram o segundo motivo mais comum pelo qual eles procuraram
ajuda psicológica. Embora esse tipo de crença seja comum na população, ela pode estar mais presente
ainda em pessoas que vivem certos transtornos. O mais óbvio deles é o transtorno da ansiedade
social ou fobia social, já que, como explicamos no vídeo sobre esse assunto, quem vive essa condição
tem uma grande dificuldade de se relacionar com os outros e teme muito por avaliações negativas.
Outros transtornos nos quais essas crenças podem surgir são os da personalidade
borderline, narcisista ou antissocial. Mesmo quando alguém consegue admitir que
suas crenças de desamor são muito exageradas, irrealistas ou inflexíveis, ainda assim pode
ser bem difícil se livrar totalmente delas só com base nesse tipo de insight. Caso você
se identique com o que discutimos no vídeo de hoje, aqui vão algumas dicas que podem ajudar.
Dica número 1: abra a sua mente para a possibilidade de que talvez você esteja
enganado. Pessoas com crenças de desamor podem passar a vida inteira as confirmando,
mas raramente questionando-as ou considerando outras interpretações.
Uma forma de começar a mudar isso é sempre buscar explicações alternativas para eventos que toquem
nessa ferida. Por exemplo, depois de brigar com um amigo, tente anotar outras explicações
possíveis para essa briga ter ocorrido que não tenham a ver com o quão gostável você é.
Dica número 2: compare as evidências contrárias e à favor das suas crenças. Você pode fazer isso
listando em uma folha de papel evidências que apoiem e que não apoiem suas interpretações de
um evento que ativou suas crenças de desamor. Quem tem essas crenças tende a se focar muito
mais nas evidências que as apoiam do que nas contrárias, então dar um pouco mais de espaço
para informações contrárias às suas crenças na sua mente pode ajudar a flexibilizá-las.
Dica número 3: identifique as suas estratégias compensatórias. O seu alarme deveria apitar
quando perceber algum comportamento seu que parece cumprir a função de evitar que você
corra algum risco de ser rejeitado, frustrado ou criticado, por exemplo.
Existem pessoas que usam estratégias como evitar ao máximo interagir com os outros, interrompem uma
relação romântica assim que o primeiro problema surge ou fazem de tudo para agradar os outros.
Caso identifique algo nessa direção, o próximo passo seria
suspender a estratégia para ver o que acontece. Por exemplo, se a sua estratégia compensatória
é nunca demonstrar interesse pelos outros para evitar uma possível decepção, demonstre interesse
por alguém que você ainda não conhece muito bem, de preferência de um jeito que a pessoa não vá
achar muito estranho. Se ela retribuir o seu ato, isso contaria como uma evidência de que suas
crenças de desamor não são totalmente verdadeiras. Quanto mais você se expor a evidências desse tipo,
mais essas crenças se enfraquecerão. É claro que a pessoa pode simplesmente não atender
às suas expectativas e ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas isso só demonstraria
que ela não tem interesse em você e não que ninguém nunca terá interesse em você.
A nossa principal recomendação é que você procure a ajuda de um profissional competente
da psicologia caso identifique que possui crenças de desamor e que talvez elas estejam
te atrapalhando. Você sempre terá a opção de tentar resolver esse tipo de coisa sozinho,
só que indo por esse caminho, as coisas podem ser muito mais lentas e doloridas.
Um profissional pode te ajudar a entender de onde vieram essas crenças, como elas afetam a
sua vida hoje em dia e que estratégias você poderia usar para flexibilizá-las cada vez
mais daqui para a frente. A recompensa por ir atrás de ajuda profissional pode
ser uma vida mais feliz e relações mais saudáveis, então pode valer muito a pena.
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No video de hoje, explicamos o que são crenças de desamor e como elas podem influenciar a
maneira como enxergamos nós mesmos, os outros e a nossa capacidade de nos relacionarmos. No final,
demos algumas dicas de como você pode começar a flexibilizar esse
tipo de crença para viver relações mais saudáveis e melhorar o seu bem estar.
O que você achou do vídeo de hoje? Se quiser mais vídeos como esse,
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tudo a ver com o tema de hoje é o sobre crenças persistentes e bolhas sociais.
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