Full Transcript

·YouTLDR

O QUE É DESAMPARO APRENDIDO?

10:061,715 words · ~9 min readPortuguese (Portugal, Brazil)Transcribed Apr 17, 2026
0:00

Em alguns momentos da vida, é difícil acreditar  que as coisas irão melhorar ou que temos o que  

0:05

é necessário para enfrentar certos obstáculos.  Depois de tomar tantas porradas da vida, alguns  

0:11

se tornam desesperançosos, pessismistas e não  esperam lá grandes coisas do seu próprio futuro. 

0:17

Eu sou o André, tenho um doutorado em  psicologia e hoje, com a ajuda do amigo  

0:21

e psicólogo Victor Keller, quero te explicar  o que é o desamparo, como ele se desevolve,  

0:25

o que são crenças de desamparo e qual  é a relação delas com a depressão. 

0:28

Se você gostou do assunto que a gente vai abordar hoje,  não deixa de clicar no joinha para nos ajudar,  

0:33

inscreva-se no canal, siga a gente nas redes  sociais e acompanhe o nosso podcast no Spotify! 

0:39

Vivenciamos o desamparo quando nos sentimos  muito vulneráveis a uma ameaça e incapazes  

0:54

de evitá-la. Algumas das reações mais  espontâneas ao desamparo são o desânimo,  

0:59

a desmotivação e a desesperança. Os primeiros estudos sobre o desamparo  

1:04

ocorreram a partir da década de 1960. Eles eram  feitos com animais, como cachorros e ratos,  

1:10

e envolviam procedimentos nada bacanas como  aplicar choques elétricos de baixa voltagem neles. 

1:18

Em um desses estudos, os animais eram colocados em  uma caixa na qual alguns deles recebiam choques,  

1:24

enquanto outros, não. No começo, os animais que  recebiam choques faziam de tudo para evitá-los. 

1:30

Depois de um certo tempo, eles iam parando de  reagir aos choques. Na próxima fase do estudo,  

1:36

todos os animais eram colocados em uma caixa  diferente na qual receberiam novos choques. 

1:44

Se os animais andassem para outro compartimento  dentro dessa caixa nova, eles conseguiriam evitar  

1:49

os choques, só que os animais que já tinham  parado de reagir aos choques na caixa anterior  

1:53

não tentavam escapar deles nessa caixa nova. Para os pesquisadores, aqueles animais que haviam  

1:59

recebido choques antes, mas que agora nem tentavam  evitá-los mais, mesmo que isso fosse possível,  

2:04

haviam desenvolvido aquilo que ficou  conhecido como desamparo aprendido. 

2:11

Esse desamparo costumava durar alguns  dias e envolvia três sintomas principais:  

2:16

os animais demoravam mais para  exibir qualquer comportamento,  

2:19

tinham dificuldade em aprender comportamentos  novos e exibiam sinais de um humor negativo. 

2:24

Estudos parecidos com esses foram  feitos com seres humanos utilizando  

2:29

estímulos como choques mais leves, barulhos  altos ou tarefas impossíveis de resolver. 

2:37

Muitos dos voluntários exibiram os mesmos  sintomas que os animais: falta de motivação,  

2:41

dificuldades de aprendizado e humor negativo.  Curiosamente, alguns não exibiam esses sintomas,  

2:48

mesmo depois de aprender que não dava  para escapar dos estímulos aversivos. 

2:51

Depois de outras pesquisas, ficou mais claro  que um dos fatores que determina se a pessoa  

2:57

sentirá o desamparo é como ela interpreta a sua  falta de controle sobre o estímulo aversivo. 

3:03

Se a pessoa acredita que não tem controle sobre  a ameaça por causa de aspectos passageiros da  

3:09

situação, é menos provável que ela se sinta  desamparada. Alguém que vai mal em uma prova,  

3:14

por exemplo, mas interpeta isso como resultado  da febre que estava sentindo no dia da prova,  

3:19

pode se manter esperançoso  quanto ao seu desempenho futuro. 

3:22

Caso a pessoa conclua que a sua falta de  controle sobre a ameaça ocorre por causa  

3:27

de alguma característica dela própria  ou da realidade que não irá mudar,  

3:31

ai as coisas se complicam. Se um indivíduo  vai mal em uma prova e acha que isso ocorreu  

3:37

porque ele é muito burro mesmo e não tem o que  fazer, é mais provável que se sinta desamparado. 

3:42

Essa tendência a explicar eventos negativos com  base em aspectos passageiros ou duradouros da  

3:48

própria pessoa ou do mundo à sua volta é o que  psicólogos chamam de estilo de atribuição. Se  

3:53

o estilo de alguém é mais voltado para  explicar eventos negativos com base em  

3:57

aspectos imutáveis de si mesmo ou do mundo, o  desamparo será vivenciado com maior frequência. 

4:01

Se coisas ruins acontecem porque a pessoa ou  o mundo é de uma certa forma que supostamente  

4:06

não irá mudar, isso significa que ela estará  sempre vulnerável a vivenciar de novo essas  

4:11

coisas ruins. Ter esse estilo de atribuição é  um fator de risco para a depressão e contribui  

4:16

para o desenvolvimento de crenças de desamparo. Elas são crenças de que a pessoa é vulnerável a  

4:21

diferentes riscos, incompetente ou inferior  aos outros. Quem nutre esse tipo de crença  

4:26

pode se ver como alguém pouco capaz de se  virar sozinho, enxergar o mundo como um  

4:30

lugar muito hostil e sentir pouca esperança  de que a sua vida irá melhorar algum dia. 

4:35

Todas essas crenças são comuns em indivíduos com  depressão e os sintomas desse transtorno podem ser  

4:41

amenizados caso essas crenças sejam modificadas.  Fazer isso não é fácil, ainda mais sozinho,  

4:46

mas é possível fazer algum avanço e aqui  vão algumas dicas de por onde começar. 

4:53

Dica número 1: preste mais atenção no  tipo de coisa que passa na sua cabeça  

4:58

logo antes de você ficar mal. É comum que  mudanças de humor ocorram logo depois que  

5:04

certos pensamentos autodepreciativos  ou negativos passem pela sua mente. 

5:10

Se você está se identificando com as  coisas que descrevemos sobre desamparo,  

5:14

pode ser que esses pensamentos sejam  algo como: "eu sempre estrago tudo",  

5:18

"nada dá certo na minha vida", "o mundo é muito  hostil" ou "eu não posso contar com ninguém". 

5:24

Uma vez que você tenha anotado ao longo de  alguns dias quais são esses pensamentos,  

5:29

a dica número 2 é analisar o quão realistas  eles são. Pensamentos como esses que são  

5:35

derivados de crenças de desamparo costumam  ser absolutos, irrealistas e inflexíveis,  

5:40

não permitindo exceções. É sempre bom lembrar que  

5:43

qualquer um desses pensamentos que passam pela  sua cabeça e te deixam para baixo não são nada  

5:48

além de uma interpretação da realidade dentre  outras possíveis. Pensamentos não são fatos  

5:53

objetivos, mas sim criações temporárias de  um cérebro tentando interpretar a realidade. 

5:58

Vamos pegar como exemplo o pensamento de  que a pessoa "sempre estraga tudo". É bem  

6:04

provável que essa pessoa ainda não tenha  estragado absolutamente tudo na sua vida,  

6:08

mas sim que tenha ficado muito chateado  com algumas ocasiões em que estragou. 

6:14

Dica número 3: avalie qual é o seu estilo de  atribuição e tente flexibilizá-lo. Se você  

6:21

se culpa por quase tudo o que acontece de  ruim na sua vida, provavelmente você está  

6:25

se dando mais crédito do que é justo. Pessoas que costumam apresentar esse  

6:30

estilo de atribuição superestimam o quanto elas  seriam capazes de influenciar no que aconteceu.  

6:35

Coisas ruins acontecem com todo mundo e muitas  vezes não havia o que fazer para evitá-las. 

6:40

É super válido reconhecer a sua responsabilidade  por acontecimentos negativos. A grande vantagem  

6:51

nisso é que, ao perceber que você contribuiu  para um evento negativo e que poderia ter  

6:56

agido diferente, existe uma chance menor  de repetir os mesmos erros no futuro. 

6:59

O problema surge quando alguma distorção cognitiva  se manifesta na hora de fazer esse julgamento,  

7:05

como, por exemplo, quando alguém faz a  supergeneralização de que sempre estraga  

7:10

tudo e que está praticamente destinada  a continuar repetindo isso no futuro. 

7:14

Outro aspecto sobre o qual vale refletir é o  quanto as suas explicações de eventos negativos  

7:19

se baseiam em fatores fixos ou passageiros  da realidade. Alguns acontecimentos ruins  

7:24

decorrem de circunstâncias passageiras que não  necessariamente se repetirão tanto no futuro,  

7:29

mas muitos têm dificuldade em reconhecer isso. Muitas pessoas passam por maus bocados ao longo  

7:35

da vida e desenvolvem crenças de  desamparo. Dentre essas pessoas,  

7:39

é comum que elas tenham visões bem negativas  sobre si mesmas, a realidade e sintam uma grande  

7:44

desesperança quando pensam no seu futuro. Mesmo percebendo que essas crenças não são  

7:48

totalmente verdadeiras ou que são  um tanto radicais, pode ser bem  

7:52

difícil se livrar delas sozinho. Caso você se  identifique com o que descrevemos no vídeo,  

7:57

recomendamos que busque pela indicação de um bom  profissional da psicologia para te ajudar nisso. 

8:02

Todo mundo se sente desamparado diferentes  vezes ao longo da vida, só que geralmente,  

8:07

esse sentimento é passageiro e pouco  prejudicial. Algumas pessoas nutrem  

8:12

fortes crenças de desamparo como resultado  das suas histórias de vida, as quais podem  

8:16

prejudicar consideravelmente o bem estar, os  relacionamentos e a qualidade de vida delas. 

8:20

Como muitas dessas pessoas não possuem esperança  de que as coisas possam melhorar ou acreditam  

8:26

que não podem contar com a ajuda de  ninguém, é muito mais difícil que a  

8:29

situação delas melhore espontaneamente.  Com a ajuda de um bom profissional,  

8:32

é possível sim que as coisas melhorem. Eu falo mais sobre o potencial humano de  

8:37

mudar no meu livro lindo e maravilhoso intitulado  "Ser humano: Manual do usuário - As origens,  

8:43

os desejos e o sentido da existência humana". Já  é possível você adquirir ele no link que está aqui  

8:48

embaixo, na descrição do vídeo. Em uma parte do livro, eu falo sobre  

8:51

alguns dos potenciais mais abundantes da nossa  espécie, como as nossas capacidades de aprender,  

8:55

criar e superar obstáculos. Esse livro foi  pensado especialmente para pessoas que nunca  

9:00

estudaram psicologia antes, então se você se  interessa pelos assuntos que a gente aborda  

9:04

aqui no canal, não deixa de comprar ele! Muito obrigado a todos vocês que fazem  

9:08

parte do programa de apoiadores do Minutos  Psíquicos. Vocês são uma grande motivação  

9:12

para a gente continuar fazendo vídeos aqui no  YouTube, e se você gosta do nosso trabalho,  

9:15

mas ainda não é um apoiador nosso, clique em  "SEJA MEMBRO" aqui embaixo para saber quais são  

9:19

os benefícios exclusivos que a gente oferece  em troca do seu apoio. Agora você também pode  

9:23

fazer uma doação direta para o canal através de  um pix e o QR code para fazer está aqui na tela. 

9:29

Hoje nós falamos sobre o desamparo, como  ele é aprendido em animais de laboratório  

9:33

e em humanos. Também descrevemos as  crenças de desamparo e como elas estão  

9:38

relacionadas com a depressão. No final,  demos algumas dicas de como alguém pode  

9:43

começar a flexibilizar as suas crenças de  desamparo e o seu estilo de atribuição. 

9:48

Se você gostou do vídeo de hoje, clica no joinha,  comenta aqui embaixo a sua opinião, inscreva-se  

9:53

no canal e clique no sininho para acompanhar  os próximos vídeos! Você já ouviu falar que a  

9:57

depressão é causada por um desequilíbrio químico  de serotonina no cérebro? Será que isso é verdade?  

10:01

A gente já fez um vídeo sobre isso aqui no canal  e ele é um ótimo complemento ao vídeo de hoje.

Get the TLDR of any YouTube video

Transcribe, summarize, and repurpose videos in 125+ languages — free, no signup required.

Try YouTLDR Free